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Vício


Terminamos a escola, o primeiro grau, o segundo grau. Tomamos uma das mais importantes – se não a mais importante – decisão das nossas vidas profissionais e escolhemos o curso superior, a faculdade, a universidade na qual queremos ingressar. Prestamos vestibular. Buscamos o primeiro estágio, o primeiro emprego, enquanto lidamos com o fato de que estaremos investindo 4, às vezes 5 anos das nossas vidas em nossa educação e formação profissional.

Vem então os dias e noites em claro, o stress da tese ou trabalho de conclusão. Nesse ponto da vida, já temos uma boa base, ao menos teórica, do que é o mercado profissional onde estamos inseridos, conhecemos as carreiras possíveis, sabemos para onde podemos crescer e, aqueles que já adquiriram um bom senso de planejamento a essa altura, já conseguem se ver não só com opções de carreira, mas também sendo bem sucedido em pelo menos uma delas. Muitos de nós nem notam, mas somos movidos a desafios, pequenos ou grandes, desde o primeiro dia de escola. O boletim bimestral com as notas, as competições esportivas entre escolas da cidade, o vestibular, o trabalho de conclusão aprovado, o primeiro emprego, a primeira promoção...

... O primeiro projeto no exterior, o segundo, o terceiro, a vida no exterior.

Tudo são desafios aos quais nos lançamos, afinal não queremos ser apenas uma carreira qualquer. Não queremos ser o que todos os outros são. Queremos mais. Eu quero mais. Sempre.

A sociedade e a bolha onde nascemos e crescemos é muitas vezes o que nos faz querer pular de cabeça em algo novo.

E quando escolhemos nossos novos desafios, não falta gente querendo nos esfregar na cara quanto tempo estamos demorando para atingi-los ou o quão desfocados nos tornamos com o passar do tempo. Acabamos perdendo tempo com coisas menores, supérfluas. Anos passam e muitos de nós estão na mesma. Lembra dos teus colegas de escola? Um é caixa bancário, o outro atende em uma farmácia, o outro é contador da empresa do tio. E tu, o que fizeste? Embarcou naquilo que era fácil e esperado de ti ou deu um tapa na bolha e fez o que muitos outros não fizeram?

São os desafios que definimos para nós mesmos que determina quem somos, onde estamos, e onde queremos chegar. Quem além de nós mesmos se importa com aquela lista grande de coisas que ainda não conquistamos? Ninguém. E é por isso que o sentimento de satisfação, de prazer, de orgulho de termos chegado onde almejávamos é tão viciante.

Eu, em minha pequenez, já risquei coisas grandiosas da minha lista. E quando realizamos coisas grandiosas, é como o vício que aumenta. E queremos mais. Eu quero mais. Sempre.

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