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Baú do blog: Colocando um sonho em prática

Revirando o velho arquivo do blog antigo, achei esse texto que publiquei em 2008, um pouco antes de ter recebido a Grand Letter. Talvez os leitores do blog antigo lembrem desse texto.

Re-lendo esse post hoje, e olhando para trás e para tudo que aconteceu nesses últimos quatro anos, a primeira coisa que me veio a mente foi...

VALEU A PENA!

Espero que gostem :)

Um abraço,
Wagner.

Colocando um sonho em prática
by Wagner Nunes, 25 de Junho de 2008 4:51 AM

Eu sabia que queria algo novo, diferente. Já havia me formado e trabalhava no Centro de Desenvolvimento de Software da Dell Computers em Porto Alegre. Tinha – e ainda tenho – o Mestrado como um dos meus principais objetivos pessoais, mas essa era uma meta que já estava bem clara no meu futuro. Eu vou encarar um Mestrado com certeza, mais cedo ou mais tarde.

Trabalhando em uma empresa como a Dell, muitos dos projetos são de nível global e temos que interagir com pessoas de vários países, como indianos, americanos, chineses e obviamente, acabamos aprendendo um pouco sobre a cultura desses colegas distantes. Foi então que surgiu uma oportunidade real de ter uma experiência de trabalho no exterior, e confesso que gostei muito da idéia, fique super animado. E foi aí que comecei a pensar mais seriamente sobre viver e trabalhar no exterior.

Eu tinha 23 anos e não tinha 100% de certeza sobre os próximos passos que deveria tomar na minha carreira. Sabia que caminhos eu poderia percorrer e tinha alguma idéia do esforço e tempo que cada um tomaria. Porém a idéia de seguir carreira no exterior sempre esteve presente, como aquela pulguinha atrás da orelha. Quando pensava nisso, naquela época, a opção mais óbvia me parecia ser os Estados Unidos, simplesmente pelo fato de já estar em uma empresa com sede lá. Inglaterra e Canadá eram opções que poderiam ser consideradas também.

Sempre gostei de conversar muito sobre o assunto e descobri que eu não era o único que buscava uma chance de mover permanentemente para os Estados Unidos. Na prática, porém, eu via pouca gente realmente trabalhando duro pra conseguir isso.

Em setembro de 2006, tive a oportunidade de ir a trabalho para os Estados Unidos pela Dell e, entre trabalho no Texas e turismo em NY, a experiência toda só me fez confirmar que era aquilo mesmo que eu queria para o meu futuro. Mas não um projeto temporário, com data de volta marcada, e com visto que me limita a entrar no país a “negócios/turismo”. Eu queria viver outra cultura, respirar outros ares. Mas não tinha certeza se seria nos EUA.

A experiência foi maravilhosa em todos os aspectos, sem dúvida, mas ainda não era o que eu buscava. Eu queria poder fazer grandes planos para ir de mala e cuia, de muda pro exterior e iniciar outra vida com a qualidade que o Brasil nunca me dará.

O problema, no meu caso, era que empresas que contratam serviços de TI offshore não expatriariam um funcionário que custa, aqui no Brasil, menos da metade de um funcionário nos Estados Unidos. Não faz sentido. E eles estão certos. Se a empresa fosse minha, eu também não permitiria, é um custo desnecessário.

Pensa bem: você levaria um funcionário da sua filial no Brasil, que recebe R$ X, para trabalhar na sua matriz nos USA, ganhando 2 ou 3 vezes mais e em dolar? Claro que não.

Enfim, me restava então ir ao mercado buscar novas opções que pudessem me ajudar a dar um passo mais concreto rumo ao meu sonho. Mas como todos sabemos, o mercado de TI aqui no Sul (especialmente em Porto Alegre) não é grande e não conta com um largo número de empresas onde você possa ter uma oportunidade dessas.

Ainda assim, apareceu uma luz no fim do túnel. Sabendo que na gigante americana eu não teria a chance que procurava, consegui ver a “luz” através de outra empresa, gaúcha da gema, também de Porto Alegre, onde resolvi apostar as minhas fichas.

Foi então que, no início de 2007, acabei aceitando a oferta desta outra empresa que, apesar de não ser uma gigante mundial, me parecia ser um lugar sério para se trabalhar e já tinha alguns bons anos de vida aqui no Sul, sem contar as ótimas recomendações que ouvi de amigos que trabalharam lá. E, além disso tudo, o mais importante era que desta vez poderia haver uma chance mais concreta de ir pra fora com tudo on a permanent basis.

Assumi um novo papel e cresci profissionalmente desde então. Claro que isso também teria acontecido na empresa anterior, mas talvez não na proporção nem na velocidade que eu gostaria, pois não havia uma posição para o papel que eu queria exercer.

Bem, mas voltando ao assunto principal deste post, foi ao fim do primeiro semestre de 2006 que, vendo poucas chances de concretizar meu sonho através da Dell, eu encontrei uma alternativa, um plano B.

Ouvi falar (e confesso que não lembro onde... Google, provavelmente) que a Austrália possui um programa para imigração qualificada... e foi então que o Google virou meu melhor amigo por algumas semanas, e revirei a internet atrás de informação. Busquei as opções de visto, li sobre a economia da Austrália, achei sites e fóruns sobre imigração, sobre as dificuldades, sobre o mercado de trabalho, etc. Enfim, o desafio parecia grande, mas eu resolvi topar e correr atrás.

Foram alguns quilos de papel pra providenciar -- originais de vários documentos, RG, CPF, Certificado de Reservista, Título Eleitoral, Certidão de Nascimento... manda tudo pra tradução juramentada (bem caro, por sinal), cópias autenticadas... Sem falar no drama que foi solicitar que as empresas onde trabalhei nos 6 anos anteriores concedecem as cartas de recomendação). E isso sem contar o curso de preparação para o IELTS e mais o custo da provainha (R$ 400,00 lá em Porto Alegre).

Coisa pouca.

Depois da papelada toda reunida e de já ter o resultado do IELTS na mão -- fiquei com 8.0 numa escala de 1.0 a 9.0 -- mandei tudo pra ACS, que é o órgão Australiano que avalia as habilidades e competências (o famoso skills assessment) e atesta – ou não – que você tem experiência e conhecimento suficiente para ser considerado um Skilled Migrant, ou “imigrante qualificado”. Essa ACS seria de certa forma equivalente à nossa SBC (Sociedade Brasileira de Computação).

O tempo entre o envio da papelada e o recebimento da carta da ACS confirmando meus skills foi mais ou menos 3 meses (veja aqui a minha timeline no Austimeline). Aliás, eu usei a DHL para o envio. Recomendo pela agilidade, mas não pelo preço (+/- R$ 140,00).

Foi então que, após juntar novamente a papelada e anexar a carta da ACS, eu enviei minha application para a Imigração Australiana -- dessa vez mandei por Sedex Mundi, que saiu bem mais em conta, em torno de R$ 80,00.

Eis que finalmente, em 29 de maio de 2007, eu recebia o email de acknowledgement informando que meu processo havia sido aberto. E aí se iniciou uma looooooooonga espera.

Alguns meses passaram, e eu perdi a angústia pela espera. Muito trabalho, Mestrado iniciado, projetos nas terras dos hermanos, Mestrado interrompido, e planos e mais planos...

Até que um dia a maldita ansiedade reaparece: recebo outro email do Depto de Imigração dizendo que meu processo saiu da fila de espera e agora está sendo analisado por uma criatura muito xingada nos foruns, o famoso Case Officer (CO).

Volto, então, a fazer contato com aquele meu ex-melhor amigo, o Google... dessa vez, queria que ele me desse alguma pista de quanto tempo, mais ou meno, se espera entre a alocação do CO e o recebimento do tão esperado santo graal da imigração, a grant letter (GL), que permite a entrada na Austrália já como residente permanente legal.

Achei então o Austimeline e, depois de trocar vários emails com alguns usuários, ler fóruns e mais fóruns, pesquisar -- entre aquele mar de bobagens que tem no Orkut -- encontrar blogs de brazucas que realizaram seu sonho, eu acabei chegando a uma (não tão) brilhante conclusão:

Case Officers são treinados e talvez recrutados na Bahia. Não importa se eles têm nomes vietnamitas, coeranos, filipinos ou mesmo australianos. Nada contra os baianos, pelo contrário. Gente hospitaleira que vive numa terra linda.. Por isso mesmo que eu acho que os COs australianos fazem estágio lá. Devem ter se acostumado com o oh-xénte-mainha-way-of-life, com sol e água de côco.

Falando sério agora: em resumo, não encontrei padrão nenhum no tempo de emissão da GL para usuários com perfis semelhantes -- faixa etária de 25-30; trabalha com TI; cidadão brasileiro; solteiro; aplicante do sub-class 136.

Resolvi então ampliar os critérios da minha busca e, adivinha... outra estupenda conclusão: os Case Officers devem usar um método randômico de simpatização com os candidatos... eles não parecem seguir nenhuma ordem específica na alocação e análise dos casos. Nos meus contatos com outros usuários do Austimeline, conheci um cara da Jordânia que está há mais de 3 anos esperando a resposta do 136 dele... e nada ainda.

Em fevereiro desse ano, um camarada também de Porto Alegre mandou um email pra uma lista da qual participo -- pessoal que fez o IELTS junto lá em Poa -- comunicando que ele e a esposa receberam a GL, porém demorou 3 meses e meio entre a alocação e a chegada da GL.

Depois de um tempo tentando entender qual a lógica e tempo médio de processamento dos vistos, cheguei a minha última e mais eficaz conclusão: não faz sentido, larguei de mão.

Larguei de mão essa angústia de ficar olhando o Gmail a cada 5 minutos pra ver se o china lá resolveu trabalhar -- meu CO tem um nome muito estranho, daqueles com 25 consoantes e 3 vogais.

Resolvi então estabelecer uma data e, até que essa data chegue, não vou tomar nenhuma providência para me mudar pra Austrália. Me sinto melhor trabalhando com datas. Diminui a ansiedade. Dessa forma, posso ir tocando minhas atividades atuais sem pensar tanto no feliz dia em que vou receber o email final do china com a Grant Letter.

Coincidentemente (ou não), combinei com o diretor da minha empresa a mesma data como prazo para ver se aparece alguma outra oportunidade na filial de NY. Se aparecer, e for tão boa e tentadora quanto ir pra Austrália, eu certamente pensarei com carinho.

Agora é sentar e esperar... contagem regressiva para 01/09. Mais notícias em breve.

Abraço a todos,
Wagner.

Um comentário. Clique para comentar.

  1. Boa tarde Wagner, muito legal esse seu post contando como foi o seu planejamento para conseguir a GL para Australia. Mas me ficou uma duvida, qto tempo demorou para o CO liberar ela?

    Abraço e Parabéns,

    Pedro.

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