Mais Lidos
Carregando...

Perguntas & Respostas: Visto de Estudante ou PR?


A questão não é nova mas ainda causa muito debate e foi levantada via LinkedIn pelo Rafael:

Estou pensando em ir para Sydney como estudante de inglês e no período em que estiver aí conseguir algum trabalho em TI (mais precisamente Java Web) em meio período (já que é isso o que visto de estudante permite). Queria saber se alguém já passou por essa situação e se foi difícil conseguir alguma coisa. É difícil conciliar as horas de estudo com trabalho? Há preconceito? Existe muita burocracia?

Rafael A.

Esta questão não é nova em nenhum dos grupos de discussão que participo e com freqüência ela volta a pipocar por aí. Vou tentar esclarecer alguns dos pontos da questão acima.

Primeiramente, a obtenção do PR (Permanent Residency), que às vezes é chamado incorretamente de "visto de trabalho", quando o correto é "visto de residência permanente", permite viver e trabalhar na Austrália por tempo indeterminado e não é um processo fácil e nem rápido. Com este visto, não há nenhuma restrição quanto ao número de horas que o detentor do visto pode trabalhar, em contraste ao visto de estudante, que só permite trabalhar 20 horas por semana -- porém existe muita gente na Austrália que trabalha muito mais do que isso na semana, o que é ilegal.

Sugiro aos que planejam vir a Austrália como estudante e "tentar a sorte" aqui que façam duas coisas:
  • Consulte um agente de imigração para saber se há opções mais interessantes para que você venha com um visto mais interessante (PR, regional sponsorship, etc). Talvez você já atenda os requisitos mínimos e nem saiba. Procure aconselhamento de quem entende.
  • Se mesmo assim você ainda quer vir como estudante e tentar um trabalho em TI aqui, o pré-requisito FUNDAMENTAL é o inglês. Não quero soar pessimista, mas é a realidade. Bom inglês falado é obrigatório, afinal, não tem como ir bem em uma entrevista ou mesmo trabalhar em equipe se você não consegue se comunicar. Não importa se você é um expert nessa ou naquela tecnologia, sem inglês decente, você vai acabar ficando no sub-emprego.
Por isso, seja no Brasil ou aqui na Austrália, encare os estudos do idioma a sério, pois certamente um bom nível de inglês é o primeiro passo para um bom emprego em TI na Austrália.

Para quem estiver interessado no assunto, escrevi um pouco sobre os desafios da carreira no exterior em outro post aqui no blog e no site MinhaCarreira.com.

Fiquem a vontade para deixar perguntas ou sugestões nos comentários.

Um abraço, 
Wagner.

Carreira no exterior: objetivo concreto ou sonho distante – Parte III


Alguns meses atrás, iniciei uma série de artigos sobre carreira no exterior no site MinhaCarreira.com e há algumas semanas atrás publiquei a terceira e última parte do meu texto sobre o tema.

Neste último artigo, falo sobre os principais desafios e compartilha algumas das minhas experiências dos últimos 3 anos e meio trabalhando e vivendo na Austrália, bem como as de outros profissionais que também vieram para este lado do mundo e conseguiram crescer em suas carreiras.

O título da série de artigos é "Carreira no exterior: objetivo concreto ou sonho distante" e abaixo estão os links para as três partes do texto:
Publico abaixo o terceiro texto na íntegra e espero que tenham gostado da série. Fiquem a vontade para continuar enviando suas perguntas e mensagens nos comentário, e-mail, facebook ou twitter.

Carreira no exterior: objetivo concreto ou sonho distante – Parte III


Este é o terceiro e último texto de uma série de artigos sobre um dos meus assuntos preferidos: carreira no exterior.

No primeiro artigo, falamos um pouco sobre as motivações que nos levam a buscar um desafio profissional no exterior. No segundo, mostramos alguns dos caminhos que podem ser percorridos para abrir a primeira porta profissional no exterior. Nesta última parte, vamos falar sobre os principais desafios  e vou compartilhar algumas das minhas experiências dos últimos 3 anos e meio trabalhando e vivendo na Austrália, bem como as de outros profissionais que também vieram para este lado do mundo e conseguiram crescer em suas carreiras.

O primeiro desafio: obtendo o visto adequado

O primeiro e talvez maior desafio na busca do crescimento profissional fora do Brasil é encontrar a forma mais adequeada de poder entrar e permanecer no país de destino, com permissão para trabalhar. Como comentei no texto anterior, dependendo do tipo de empresa em que você trabalha atualmente, talvez a sua oportunidade esteja mais perto do que você imagina. Multinacionais de vários ramos hoje em dia oferecem programas de expatriação temporária (e as vezes até permanente) para seus funcionários. Porém, se este não é o seu caso, busque informações sobre sponsorships ou imigração qualificada.

No meu caso, por exemplo, lá em 2006 resolvi pesquisar sobre os programas de Imigração Qualificada da Austrália e do Reino Unido, que concedem visto de residente permanente aos que atendem os requisitos com sucesso. Este tipo de visto não apenas permite trabalhar full-time no país de destino sem restrições, como também permite que você viva no país por tempo indeterminado (independente de estar empregado ou não).

Obter o visto adequado aos seus objetivos é essencial, crucial, obrigatório, fundamental para que você não se sinta frustrado poucos meses ou anos depois de chegar no país que escolheu apenas para ter que lidar com o drama de não poder ficar permanentemente (se essa for sua vontade).

Armadilhas

A pergunta mais popular que recebo dos leitores do meu blog é mais ou menos essa: “Estou indo com visto de estudante e quando chegar aí eu procuro alguma coisa na minha área. O que você recomenda?”

O que eu recomendo? NÃO VENHA. Simples assim.

Explico: se você, que já domina o idioma do país de destino, pretende imigrar com o objetivo de trabalhar full-time, na sua área de atuação, buscando crescimento profissional, não caia na tentação de vir com um visto mais fácil de obter (visto de estudante ou turista, por exemplo).

É muito, mas muito comum mesmo ver profissionais com ótima qualificação no Brasil, pós-graduação e anos de experiência no mercado brasileiro chegarem aqui com um visto que não lhes permite trabalhar full-time e que acabam sofrendo com a frustração de dominar o idioma, querer trabalhar, possuir skills e experiência mas esbarrarem em um pré-requisito legal: o visto.

Claro que a situação que descrevi acima é totalmente diferente de quem realmente vem para estudar idiomas ou outros cursos. Para quem busca mais conhecimento, ou seja, possui um objetivo totalmente diferente do discutido acima, a única coisa que posso recomendar é: VENHA AMANHÃ MESMO! Se você é jovem e quer fazer um intercâmbio e estudar no exterior, você tem 100% do meu apoio. Será uma experiência de vida impagável e inesquecível.

Nem tudo são pedras no caminho

Meu amigo também de Porto Alegre, Guilherme Ramos, que também vive aqui em Sydney, resolveu vir para a Austrália com o visto de estudante e parte do seu plano era tentar um emprego, mesmo que part-time, na sua área, desenvolvimento em PHP. Seu plano, porém, era claro e suas expectativas estavam definidas de acordo: caso ele não encontrasse um emprego que lhe agradasse, ele voltaria ao Brasil meses depois, feliz por ter tido a experiência de viver alguns meses em um país maravilhoso e ter estudado inglês em um país que a fala nativamente.

Com um punhado de sorte e muita insistência, Guilherme encontrou uma empresa que lhe ofereceu um sponsorship e o convidou para trabalhar full-time.

Hoje, Guilherme trabalha no time de desenvolvimento da Yahoo Australia e é um dos casos de sucesso que tenho orgulho de compartilhar, principalmente porque já éramos amigos em Porto Alegre, muito antes de decidirmos sair do Brasil.

Assim como Guilherme, conheço vários outros casos de profissionais que, com a dose certa de planejamento e conhecendo-se suficiente para não haver grandes decepções ou frustrações, partiram para o exterior sem grandes pretensões e hoje são profissionais de sucesso nos países que escolheram.

E afinal, sonho ou objetivo?

Repito a pergunta lá do início do primeiro texto a convido você leitor a refletir: esse seu desejo de partir para uma carreira no exterior continua sendo apenas um sonho? Ou já virou um objetivo concreto?

Ótimo! Então vejo você em breve aqui em Sydney… ou em Londres… ou em Dubai, Nova York, Berlin ou seja lá onde a sua determinação te levar.

Updates:

Leia a primeira parte: Carreira no exterior: objetivo concreto ou sonho distante – Parte I

Leia a terceira parte: Carreira no exterior: objetivo concreto ou sonho distante – Parte II

Perguntas & Respostas: Áreas da TI

A questão abaixo foi levantada em um dos grupos de discussão sobre carreiras na Austrália no LinkedIn pelo Carlos e é sobre as diferentes áreas dentro de TI e seus respectivos mercados na Austrália:


Estou vendo muita gente perguntando de sponsor e empregos aqui na Austrália. Porem, TI é muito vago e engloba muitas tecnologias para você afirmar algo do tipo "Se você é de TI e tem um inglês bom, venha para Austrália que eles precisam de você!".

O que vejo no grupo são muitos profissionais de Java falando que o mercado está quente. Mas e as outras tecnologias? .Net, DBAs SQL ou Oracle, BI?

O que os outros profissionais tem a dizer sobre suas tecnologias? O que tenho visto na minha area, basicamente .Net, a demanda é muito grande, porem a concorrência tambem é. Tem muitos indianos e asiaticos concorrendo com você a muitos vezes com o PR na mão.
Carlos G Jr
Este ponto foi muito bem levantado pelo Carlos. Realmente há uma certa "generalização" quando se fala em mercado de IT na Austrália.

O mercado como um todo, na minha visão, segue sim aquecido, inclusive seguiu contratando mesmo durante a GFC. Porém, em termos mais específicos, o fato é que dentro de IT, a área de desenvolvimento de software é e sempre foi a mais aquecida.

Quanto às tecnologias, minha percepção é de que Java é disparado a tecnologia com maior demanda, seguida das tecnologias Microsoft (.Net e SharePoint em específico), e depois PHP e outras.

Áreas como SAP, BI, IS, DBAs também tem seu mercado, mas entendo que é um tanto menor do que a àrea de desenvolvimento de software, até porque há uma certa resistência em contratar gente sem ou com pouca experiência, visto que a grande maioria das empresas que usam ferramentas como BI, por exemplo, são empresas grandes e com volumes de dados enormes e que, muitas vezes por política interna, não contratam profissionais sem experiência, justamente porque estas posições lidam com informação muito sensível.

Por outro lado, nas áreas de Java, .Net e PHP, por exemplo, é muito comum ver empresas de todos os portes contratando profissionais de todos os níveis (júnior, pleno e senior). E minha percepção é de que normalmente as empresas contratam mais profissionais junior/pleno, pois muitas vezes elas preferem manter apenas 1 ou 2 profissionais senior por equipe, geralmente atuando como líder técnico.

Áreas como infra, helpdesk e network management, por exemplo, parecem ter uma rotatividade maior, pois a impressão que tenho é que estas são as únicas áreas dentro de IT que tem um procura maior que oferta no mercado.

Sobre o brasileiro morto em Sydney


Muitos de vocês já devem saber do caso do brasileiro de 21 anos que morreu aqui em Sydney, vítima do despreparo de alguns oficiais da NSW Police que não só confundiram o paulista com outra pessoa (que teria roubado um pacote de bolachas de uma loja de conveniências), mas também o matou através do uso abusivo, excessivo e inapropriado de tasers (arma de choque).

Caso você não tenha ouvido falar do caso, este link tem todas as notícias publicadas sobre o caso no site da Globo.

Update: semana passada o Profissão Repórter fez uma matéria muito boa sobre o caso. Veja o programa na íntegra aqui.

Independente de fazermos julgamentos pessoais ou não, ou do próprio fato do guri ter ou não roubado um biscoitos, ou mesmo de estar drogado ou bebado como algumas pessoas especulam, NADA, absolutamente NADA justifica a perda da vida de uma pessoa de 21 anos. NADA.

Como vi no Facebook, absurdos como “estou com a polícia”, “quem mandou correr?”, "devia estar fazendo coisa errada mesmo", etc, vem justamente de outros brasileiros que também moram na Austrália e que, da forma mais ignorante possível, expressam a estupidez de ser racistas e aversos ao próprio povo.
O que me perturba de certa forma no momento é imaginar como a polícia teria lidado com a mesma situação se o cara fosse Australiano.

E qual a causa-raiz do "incidente" (as autoridades locais e inclusive o Cônsul brasileiro preferem usar o tempo "incidente" ao invés de "crime")? DESPREPARO da polícia. Simples. Em uma discussão sobre o assunto com amigos, alguns argumentam que a Polícia daqui é muito "educada e bem preparada" quando abordam pessoas nas ruas ou motoristas nas blitz. Ora, abordar uma pessoa ou um motorista numa situação normal onde não há risco nenhum, onde não está ocorrendo uma perseguição ou em qualquer outra situação de baixo/nenhum stress é fácil e não exige grandes treinamentos técnicos ou preparos psicológicos. São situações como a do brasileiro Roberto Laudisio que requerem sim preparo tanto técnico como psicológico ao abordar um "incidente" como tal.

E na minha opinião, essa foi a falha da Polícia. Falta de PREPARO ao lidar com uma situação de stress.

Não estou dizendo que todos os policiais são despreparados, com certeza não devem ser todos, mas os envolvidos sim, que aliás eram SEIS, sim, SEIS policiais, que estranhamente não conseguiram conter fisicamente UM jovem desarmado. Estes sim devem encarar as consequencias deste que não foi apenas um "incidente", e sim um CRIME, um homicidio.

Agora penso, porém, se a culpa é realmente só do despreparo dos officers envolvidos mesmo, ou se também é da NSW Police como um todo, pois mostraram na TV uns dias atrás que o "treinamento" que eles recebem é de 8 horas (pouco, suficiente, ou muito? não sei dizer), sendo que metade é teórico e metade é prático, e que cada officer dispara o taser apenas (agora sim, acho pouco) DUAS vezes durante o todo o treinamento.

Talvez o problema principal esteja aí: não é apenas dando teoria e prática pra um officer que ele já estará habilitado a usar o taser. Deveria haver algum outro tipo de treinamento/preparo psicológico (?) ou no mínimo avaliação pra saber se os officers que carregam tasers estão "on the same page" em relação ao critério para uso do taser.

No caso do guri que morreu, das duas uma: ou os officers simplesmente não sabiam dos critérios sob os quais o uso do taser é recomendado/aceito, ou sabiam apenas a teoria e simplesmente não tiveram preparo psicológico para fazer uma judgement call mais apropriada.