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Perguntas & Respostas: SOL e SkillSelect


As dúvidas abaixo vieram da Nilce, que comentou no post Profissão em demanda vs. Profissão exercida. Logo abaixo, está a minha resposta e um pouco mais de informações sobre o novo processo de residência permanente, sponsorship e a  SOL (Skilled Occupation List).

Nilce disse...
Boa noite Wagner,

meu marido é formado na area de TI e com algumas certificaçoes e estamos pensando seriamente em migrar pra Australia, pois meu filho ja mora ai ja faz 2 anos... enfim gostaria de saber: Curso preparatório para o EILTS ou ingles intensivo?? pois nós queremos dar entrada no visto 175, e me deparo com tanta burocracia que da vontade até de desistir... mas o sonho de viver neste pais esta mais fundo no nosso objetivo...

O que pega tbm é que no site do GOV dai a faculdade dele nao esta no SOL de legibilidade, pois é uma faculdade tecnologa, mas ele tem 16 anos na area e com experiencia comprovada... o que ele poderia fazer para dar um UP no CV dele para que fosse aceito no processo migratórioe tenho mais uma pergunta.. seria menos burucratico se ele aplicasse o visto de residencia estando na Australia,sairia mais rapido? ou isso nao interfere no processo..pois 2 amigos do meu filho que ja estao ai ja faz alguns anos viram o CV dele e disse que o caminho é o EILTS e que ele poderia fazer uma especializaçao la quando sair todo este processo que ainda colocaremos em pratica a partir de janeiro, por favor me de uma luz, pois virei amigo do Google tbm...mas sao muitas informaçoes.

Agradeço desde ja e aguardo um breve retorno.

Oi Nilce,

Se o objetivo é migrar pra cá como residente permanente ou mesmo tentar um sponsorship, um nível bom de inglês é obrigatório caso teu marido pretenda trabalhar direto na área de TI. Nesse caso, se o inglês dele já é bom, eu recomendaria o preparatório para o IELTS, poiss isso já ajuda a riscar um dos requisitos da lista.

Porém se o inglês ainda não está bom o suficiente, talvez a melhor opção para o momento mesmo um intensivo.

Sobre as profissões em demanda, realmente a lista foi cortada pra menos da metade das profissões que estavam em demanda há uns 2 anos atrás, de forma que restringiu um pouco para quem estava planejando vir.

Sobre dar um up no CV, não tem segredo, aqui é como aí no Brasil: experiência é que mais conta. Certificações também são importantes, são muito bem vistas nas áreas técnicas. Porém o item mais importante na busca de emprego por aqui é obviamente o idioma, pois se tu não consegues te comunicar numa entrevista de emprego, as chances de ser contratado já caem quase a zero.

Sobre a demora no processo, realmente não saberia dizer pois como as regras mudaram esse ano, ainda não conversei com ninguém que tenha feito o novo processo aplicando daqui. No geral, tenho a impressão que o processo está demorando a média de sempre, entre 8 e 12 meses.

Um abraço e boa sorte!

Wagner.


>> Residência Permanente, Sponsorship e SOL

No dia 1o de Julho desse ano, muitas mudanças foram feitas no programa de imigração qualificada (GSM, General Skilled Migration), o que inclui os processos do visto de residência permanente e sponsorships (também conhecidos como visto de trabalho).

Em 2008, o 136 ("Skilled – Independent (Migrant) Visa Subclass 136") foi substituído pelo 175. Apesar da mudança de nomenclatura de sub-classe do visto, os requisitos para aplicação não mudaram tão drasticamente. A maior mudança ficou por conta de uma vasta redução no número de profissiões da MODL (Migration Occupations in Demand List), que caiu de mais de 300 ocupações para em torno de 120.

Mesmo assim, as ocupações relacionadas a TI não sairam da lista. A maioria dos meus amigos brasileiros que também vieram com o visto de residente fizeram o 175 sem problemas.

As mudanças mais recentes porém estão refletindo impactos um pouco mais drásticos no processamento das novas aplicaçòes para residente permanente.

A partir de Julho deste ano, o Departamento de Imigração parou de aceitar novas aplicações para o 175 (bem como para o 176, 475 e outros vistos de sponsorhip), substituindo o programa por um novo processo chamado de SkillSelect.

Além de apertar um pouco mais nos requisitos, a mudança principal trazida pelo SkillSelect é que a antiga aplicação para residência (175 e 176) foi substituída por uma "carta de expressão interesse em imigrar" que deve ser enviada ao Departamento de Imigração.

Antes, bastava atender os requisitos e aplicar para residência online mesmo, no site da Imigração para que meses depois você recebesse o visto. Agora, o primeiro passo é o envio de uma "expression of interest", que ainda não é a aplicação em si, é apenas uma forma de notificar a Imigração que você, imigrante qualificado, quer se mudar para a Austrália e trazer suas skills junto.

Caso sua expression of interest seja aprovada, o segundo passo agora é receber da imigração um "convite" para enviar sua aplicação para residente, que aí sim inicia o processamento do seu pedido.

O principal motivo para essa mudança, segundo o Governo, é para permitir um controle maior sobre a avaliação de candidatos a imigração qualificada, pois sabe-se que muitas fraudes estavam acontecendo e o sistema em si de emissão de vistos de residência era muito frágil (vide antigos casos de hairdressers, por exemplo).

Para mais informações, acesse o site do SkillSelect: http://www.immi.gov.au/skills/skillselect/

Um abraço,
Wagner.

Baú do blog: Colocando um sonho em prática

Revirando o velho arquivo do blog antigo, achei esse texto que publiquei em 2008, um pouco antes de ter recebido a Grand Letter. Talvez os leitores do blog antigo lembrem desse texto.

Re-lendo esse post hoje, e olhando para trás e para tudo que aconteceu nesses últimos quatro anos, a primeira coisa que me veio a mente foi...

VALEU A PENA!

Espero que gostem :)

Um abraço,
Wagner.

Colocando um sonho em prática
by Wagner Nunes, 25 de Junho de 2008 4:51 AM

Eu sabia que queria algo novo, diferente. Já havia me formado e trabalhava no Centro de Desenvolvimento de Software da Dell Computers em Porto Alegre. Tinha – e ainda tenho – o Mestrado como um dos meus principais objetivos pessoais, mas essa era uma meta que já estava bem clara no meu futuro. Eu vou encarar um Mestrado com certeza, mais cedo ou mais tarde.

Trabalhando em uma empresa como a Dell, muitos dos projetos são de nível global e temos que interagir com pessoas de vários países, como indianos, americanos, chineses e obviamente, acabamos aprendendo um pouco sobre a cultura desses colegas distantes. Foi então que surgiu uma oportunidade real de ter uma experiência de trabalho no exterior, e confesso que gostei muito da idéia, fique super animado. E foi aí que comecei a pensar mais seriamente sobre viver e trabalhar no exterior.

Eu tinha 23 anos e não tinha 100% de certeza sobre os próximos passos que deveria tomar na minha carreira. Sabia que caminhos eu poderia percorrer e tinha alguma idéia do esforço e tempo que cada um tomaria. Porém a idéia de seguir carreira no exterior sempre esteve presente, como aquela pulguinha atrás da orelha. Quando pensava nisso, naquela época, a opção mais óbvia me parecia ser os Estados Unidos, simplesmente pelo fato de já estar em uma empresa com sede lá. Inglaterra e Canadá eram opções que poderiam ser consideradas também.

Sempre gostei de conversar muito sobre o assunto e descobri que eu não era o único que buscava uma chance de mover permanentemente para os Estados Unidos. Na prática, porém, eu via pouca gente realmente trabalhando duro pra conseguir isso.

Em setembro de 2006, tive a oportunidade de ir a trabalho para os Estados Unidos pela Dell e, entre trabalho no Texas e turismo em NY, a experiência toda só me fez confirmar que era aquilo mesmo que eu queria para o meu futuro. Mas não um projeto temporário, com data de volta marcada, e com visto que me limita a entrar no país a “negócios/turismo”. Eu queria viver outra cultura, respirar outros ares. Mas não tinha certeza se seria nos EUA.

A experiência foi maravilhosa em todos os aspectos, sem dúvida, mas ainda não era o que eu buscava. Eu queria poder fazer grandes planos para ir de mala e cuia, de muda pro exterior e iniciar outra vida com a qualidade que o Brasil nunca me dará.

O problema, no meu caso, era que empresas que contratam serviços de TI offshore não expatriariam um funcionário que custa, aqui no Brasil, menos da metade de um funcionário nos Estados Unidos. Não faz sentido. E eles estão certos. Se a empresa fosse minha, eu também não permitiria, é um custo desnecessário.

Pensa bem: você levaria um funcionário da sua filial no Brasil, que recebe R$ X, para trabalhar na sua matriz nos USA, ganhando 2 ou 3 vezes mais e em dolar? Claro que não.

Enfim, me restava então ir ao mercado buscar novas opções que pudessem me ajudar a dar um passo mais concreto rumo ao meu sonho. Mas como todos sabemos, o mercado de TI aqui no Sul (especialmente em Porto Alegre) não é grande e não conta com um largo número de empresas onde você possa ter uma oportunidade dessas.

Ainda assim, apareceu uma luz no fim do túnel. Sabendo que na gigante americana eu não teria a chance que procurava, consegui ver a “luz” através de outra empresa, gaúcha da gema, também de Porto Alegre, onde resolvi apostar as minhas fichas.

Foi então que, no início de 2007, acabei aceitando a oferta desta outra empresa que, apesar de não ser uma gigante mundial, me parecia ser um lugar sério para se trabalhar e já tinha alguns bons anos de vida aqui no Sul, sem contar as ótimas recomendações que ouvi de amigos que trabalharam lá. E, além disso tudo, o mais importante era que desta vez poderia haver uma chance mais concreta de ir pra fora com tudo on a permanent basis.

Assumi um novo papel e cresci profissionalmente desde então. Claro que isso também teria acontecido na empresa anterior, mas talvez não na proporção nem na velocidade que eu gostaria, pois não havia uma posição para o papel que eu queria exercer.

Bem, mas voltando ao assunto principal deste post, foi ao fim do primeiro semestre de 2006 que, vendo poucas chances de concretizar meu sonho através da Dell, eu encontrei uma alternativa, um plano B.

Ouvi falar (e confesso que não lembro onde... Google, provavelmente) que a Austrália possui um programa para imigração qualificada... e foi então que o Google virou meu melhor amigo por algumas semanas, e revirei a internet atrás de informação. Busquei as opções de visto, li sobre a economia da Austrália, achei sites e fóruns sobre imigração, sobre as dificuldades, sobre o mercado de trabalho, etc. Enfim, o desafio parecia grande, mas eu resolvi topar e correr atrás.

Foram alguns quilos de papel pra providenciar -- originais de vários documentos, RG, CPF, Certificado de Reservista, Título Eleitoral, Certidão de Nascimento... manda tudo pra tradução juramentada (bem caro, por sinal), cópias autenticadas... Sem falar no drama que foi solicitar que as empresas onde trabalhei nos 6 anos anteriores concedecem as cartas de recomendação). E isso sem contar o curso de preparação para o IELTS e mais o custo da provainha (R$ 400,00 lá em Porto Alegre).

Coisa pouca.

Depois da papelada toda reunida e de já ter o resultado do IELTS na mão -- fiquei com 8.0 numa escala de 1.0 a 9.0 -- mandei tudo pra ACS, que é o órgão Australiano que avalia as habilidades e competências (o famoso skills assessment) e atesta – ou não – que você tem experiência e conhecimento suficiente para ser considerado um Skilled Migrant, ou “imigrante qualificado”. Essa ACS seria de certa forma equivalente à nossa SBC (Sociedade Brasileira de Computação).

O tempo entre o envio da papelada e o recebimento da carta da ACS confirmando meus skills foi mais ou menos 3 meses (veja aqui a minha timeline no Austimeline). Aliás, eu usei a DHL para o envio. Recomendo pela agilidade, mas não pelo preço (+/- R$ 140,00).

Foi então que, após juntar novamente a papelada e anexar a carta da ACS, eu enviei minha application para a Imigração Australiana -- dessa vez mandei por Sedex Mundi, que saiu bem mais em conta, em torno de R$ 80,00.

Eis que finalmente, em 29 de maio de 2007, eu recebia o email de acknowledgement informando que meu processo havia sido aberto. E aí se iniciou uma looooooooonga espera.

Alguns meses passaram, e eu perdi a angústia pela espera. Muito trabalho, Mestrado iniciado, projetos nas terras dos hermanos, Mestrado interrompido, e planos e mais planos...

Até que um dia a maldita ansiedade reaparece: recebo outro email do Depto de Imigração dizendo que meu processo saiu da fila de espera e agora está sendo analisado por uma criatura muito xingada nos foruns, o famoso Case Officer (CO).

Volto, então, a fazer contato com aquele meu ex-melhor amigo, o Google... dessa vez, queria que ele me desse alguma pista de quanto tempo, mais ou meno, se espera entre a alocação do CO e o recebimento do tão esperado santo graal da imigração, a grant letter (GL), que permite a entrada na Austrália já como residente permanente legal.

Achei então o Austimeline e, depois de trocar vários emails com alguns usuários, ler fóruns e mais fóruns, pesquisar -- entre aquele mar de bobagens que tem no Orkut -- encontrar blogs de brazucas que realizaram seu sonho, eu acabei chegando a uma (não tão) brilhante conclusão:

Case Officers são treinados e talvez recrutados na Bahia. Não importa se eles têm nomes vietnamitas, coeranos, filipinos ou mesmo australianos. Nada contra os baianos, pelo contrário. Gente hospitaleira que vive numa terra linda.. Por isso mesmo que eu acho que os COs australianos fazem estágio lá. Devem ter se acostumado com o oh-xénte-mainha-way-of-life, com sol e água de côco.

Falando sério agora: em resumo, não encontrei padrão nenhum no tempo de emissão da GL para usuários com perfis semelhantes -- faixa etária de 25-30; trabalha com TI; cidadão brasileiro; solteiro; aplicante do sub-class 136.

Resolvi então ampliar os critérios da minha busca e, adivinha... outra estupenda conclusão: os Case Officers devem usar um método randômico de simpatização com os candidatos... eles não parecem seguir nenhuma ordem específica na alocação e análise dos casos. Nos meus contatos com outros usuários do Austimeline, conheci um cara da Jordânia que está há mais de 3 anos esperando a resposta do 136 dele... e nada ainda.

Em fevereiro desse ano, um camarada também de Porto Alegre mandou um email pra uma lista da qual participo -- pessoal que fez o IELTS junto lá em Poa -- comunicando que ele e a esposa receberam a GL, porém demorou 3 meses e meio entre a alocação e a chegada da GL.

Depois de um tempo tentando entender qual a lógica e tempo médio de processamento dos vistos, cheguei a minha última e mais eficaz conclusão: não faz sentido, larguei de mão.

Larguei de mão essa angústia de ficar olhando o Gmail a cada 5 minutos pra ver se o china lá resolveu trabalhar -- meu CO tem um nome muito estranho, daqueles com 25 consoantes e 3 vogais.

Resolvi então estabelecer uma data e, até que essa data chegue, não vou tomar nenhuma providência para me mudar pra Austrália. Me sinto melhor trabalhando com datas. Diminui a ansiedade. Dessa forma, posso ir tocando minhas atividades atuais sem pensar tanto no feliz dia em que vou receber o email final do china com a Grant Letter.

Coincidentemente (ou não), combinei com o diretor da minha empresa a mesma data como prazo para ver se aparece alguma outra oportunidade na filial de NY. Se aparecer, e for tão boa e tentadora quanto ir pra Austrália, eu certamente pensarei com carinho.

Agora é sentar e esperar... contagem regressiva para 01/09. Mais notícias em breve.

Abraço a todos,
Wagner.

Perguntas & Respostas: Profissão em demanda x profissão exercida


Muito legal ver que a seção Perguntas & Respostas aqui do blog está tendo ótima repecrussão, inclusive em outros blogs sobre Austrália, que também estão começando a adotar o mesmo formato de responder dúvidas dos leitores em formato de post. É o blog Projeto Austrália fazendo escola :)

A mensagem de hoje chegou via LinkedIn e foi enviada pelo Marcos, que também é Gerente de Projetos de TI.
Bom dia Wagner, tudo bem?

Desculpe-me te adicionar diretamente aqui pelo Linkedin, porém vi seu blog e achei sua trajetória muito bacana. Parabéns por levar o profissionalismo brazuca para o outro lado do mundo.
Na verdade gostaria de te perguntar somente algumas coisas (tentarei ser o mais breve possível para não lhe incomodar). Estou pensando em migrar para a Austrália e estou em dúvida que tipo de skill aplicar.

Minha formação é Analise de Sistemas, porém já estou trabalhando há um bom tempo na área de gerenciamento. Vc aplicou como System Analyst no seu processo? Existem algum problema de vc aplicar nesta categoria e depois conseguir um trabalho como Project Manager?

Vc achou muito complicado conseguir um trabalho de PM por ai? Te pergunto isto pois o nosso trabalho é praticamente 90% comunicação e como não temos inglês nativo, talvez seja uma barreira.

Desde já te agradeço pela atenção.

Abraço,
Marcos

Olá Marcos, tudo bem e você?

Imagina cara, sem problema algum, fica a vontade para escrever quando quiser. Na verdade acho muito legal os emails que recebo através do blog e fico feliz em poder dar dicar ou ajudar de uma forma ou outra.

Bom, sobre o meu processo, eu fiz o Skilled Migration - Independent (hoje o visto é o 175) e na época apliquei como Java/J2EE Specialist. O ideal é você tentar fazer um mix & match dos teus skills com alguma das ocupações que está em demanda.

Não existe problema nenhum em aplicar com base em um skillset que você tenha mas que talvez já não use mais com frequência hoje em dia. Porém, há um requisito que diz que você precisa ter trabalhado nos últimos anos naquela função, ou em uma função parecida.

Sobre a vaga de PM aqui, confesso que era algo que eu planejava bem mais para frente na minha carreira, pois sempre gostei da área técnica e não gostaria de abandoná-la completamente. Ao chegar aqui, após 3 semanas de várias entrevistas e algumas ofertas de trabalho, acabei iniciando como contractor em uma vaga de Business Systems Analyst.

No fim do meu primeiro contrato de 6 meses, eu poderia ter renovado na mesma empresa, porém resolvi aplicar para uma vaga interna de PM, e acabei sendo selecionado. Estou nesta role de IT Project Manager nos últimos 3 anos e acho que tive um pouco de sorte e ótimo timing ao aplicar naquela época.

Você levantou um ponto muito interessante e que muitas pessoas simplesmente não tem muita noção ao planejar sua carreira no exterior: a comunicação. Mesmo em posições mais técnicas, onde a comunicação é importante mas não é faz parte das responsabilidades diárias, o inglês exigido tem que ser fluente no mínimo.

Já para posições de PM e BA, é ainda mais essencial não só falar um inglês fluente, mas também aprender a suavizar o nosso sotaque o máximo possível, pois como você mesmo mencionou, a comunicação representa a maior parte do nosso trabalho.

Espero ter respondido tuas perguntas e fique a vontade para escrever sempre que quiser.

Um abraço!

Wagner.

Perguntas & Respostas: Emprego em TI como Estudante

A mensagem abaixo foi enviada pelo Thiago Pereira através de comentário:
On 01/02/12 9:34 PM, Thiago wrote: Fala Wagner, blz cara?
Dei uma olhada no seu blog e posso dizer que tá de parabens. muito bom mesmo!!!
Estou indo pra Sydney meio do ano provavel, e dei uma olhada la em busca de algumas dicas para visto permanente, já que para trabalhar la sem isso vai ser bem dificil...
Sou dev java, acho que a demanda ta boa, pelo que andei pesquisando...
Agora vamos ver se isso vai dar certo...
Vou me casar agora antes do meio do ano e me "mover" com minha mulher e tentar a vida por ai... =)
Qualquer dica, ajuda, será bem-vinda!!!
Abraços

Fala Thiago, tudo bem?

O mercado de Java é bem forte aqui e tem bastante estrangeiro trabalhando nessa área, seja como residente ou com sponsorship. Boa parte dos meus amigos brasileiros que trabalham em TI por aqui também trabalham com Java. Eu mesmo consegui minha residência através da minha experiência com Java quando apliquei para o PR em 2008 (Skilled Migration) e fui pulando aos poucos até chegar onde estou. Neste post falei um pouco sobre Java na Austrália e outras áreas de TI que também estão em demanda.

Sobre teus planos de tentar a vida por aqui, não sei qual visto tu tens em mente, mas não recomendaria tu vires com esposa pra cá apenas com visto de de estudante e sem um plano mais consistente.

Tu que já és um profissional experiente e em breve casado, encarar a vida de estudante aqui pode ser bem complicado, pois além de ter que ralar no início trabalhando apenas as 20 horas por semana permitidas sob o visto de estudante, pode ser também que tu tenhas que lidar com uma certa frustração por não poder trabalhar na área de TI full time. Claro que tem muitos estudantes que trabalham muito mais que 20 horas semanais, mas vale lembrar que perante a imigração, isso é ILEGAL.

Outro fator imporante a ser considerado é a vida que a tua esposa vai levar aqui. Há que se considerar que, enquanto tu tens uma boa chance de achar algo em TI por aqui, como será a vida da tua esposa profissionalmente? Ela tem as mesmas chances que tu de encontrar um emprego na área de atuação dela? Lembre-se que gerenciar as tuas expectativas e frustrações diante de um mercado que está aquecido há um bom tempo (TI) é diferente chegar aqui sem grandes perspectivas de avanço profissional. E somado a isso, ainda tem o fato de sentir-se excessivamente dependente do marido pra tudo, o que pode adicionar um stress adicional ao casal.

É bem comum por aqui ver a combinação de perrengue inicial + frustração levar pessoas, sejam solteiros ou casais, a desistir de tudo e voltar pro Brasil. E quando isso acontece, normalmente a imagem levada da Austrália não é das melhores.

Dependendo de vários fatores pessoais, como urgência em ir pra Austrália, condições financeiras, nível de inglês, área de atuação em demanda, etc, tu podes escolher entre três caminhos:
  • (1) Vir como estudante mesmo, porém sabendo dos desafios que te esperam e das limitações impostas pelo visto, bem como as consequências disso; 
  • (2) Verificar se tu atendes os requisitos do programa se skilled migration e enviar uma EOI (expression of interest) e tentar aplicar para o visto de residência*;
  • Ou (3) Tentar contato com empresas de TI solicitando um sponsorship.

Na opção (2), dedique tempo para ler como o visto 175 funciona no site do Departamento de Imigração. Com a informação que está lá, tu já podes ter uma boa idéia se este é um caminho possível.

Na opção (3), não esqueça de destacar no seu currículo que tu precisas de sponsorship e que não tem visto com permissão de trabalho full time. Outra dica: defina sua data de chagada na Austrália antes de entrar em contato com as empresas. Nenhum empregador terá interesse em olhar teu CV se nem sabe quando tu chegarás no país.

* Em breve vou escrever sobre as mudanças recentes feitas no processo de migração qualificada (Skilled Migration). O processo de aplicação para os vistos 175 e 176 foram substituídos pelo SkillSelect. Mais informações em breve.

Um abraço e boa sorte,
Wagner.


Perguntas & Respostas: Mercado de TI na Austrália

A mensagem abaixo recebida via Facebook. O nosso leitor permitiu que publicássemos a mensagem e a resposta, porém pediu que seu nome fosse omitido.
Olá Wagner, tudo bem?
Meu nome é [nome omitido], moro em Florianópolis/SC, e estou te escrevendo devido a um post seu que encontrei no site brasileiros na australia, e a partir de lá também achei seu blog.
Encontrei seu post pois, atualmente, estou com planos de passar um período longo no exterior, meus destinos estão entre Canadá e Austrália. O objetivo é trabalhar nestes países na área de TI. Também trabalho com desenvolvimento de software, há 4 anos, especialmente em Java para web.
Fiquei muito contente em encontrar o teus posts e, principalmente, o seu contato! Gostaria de saber se você pode me auxiliar nesta etapa de levantamento de informações, sondagem, procura por jobs, etc. Assim como gostaria de saber se você tem alguma orientação ou dica para me dar.
Como anda o mercado por aí? Estão a procura de desenvolvedores Java? Você acredita que consigo alcançar este meu objetivo? 
Fico no aguardo, um grande abraço!

Olá! Tudo bem e você?

Bom vamos lá... Sobre Canadá ou Austrália, te confesso que em 2007 quando comecei a pesquisar sobre o skilled migration, achei o processo de obtenção de residência do Canadá mais fácil, porém como eu adoro praia (gosto do frio também, mas Canadá em comparação com Porto Alegre é um "pouco" demais) e o clima na Austrália é parecido com o do Brasil, eu optei por tentar vir pra cá mesmo.

A primeira dica que eu daria é ver se tu podes aplicar pro skilled migration e tentar a residência permanente, pois esse visto te dá permissão de trabalhar e viver na Austrália por tempo indeterminado.

Muita gente prefere não esperar, ou não atende os requisitos para pedir a residência e prefere vir com visto de estudante, o que eu não recomendo, pois tu só podes trabalhar 20 horas por semana e dificilmente encontrará trabalho em TI pelo fato de não poder trabalhar full time.

Sobre o mercado, apesar de TI sempre estar em alta, minha percepção hoje é de que o mercado já não está tão aquecido, mas ainda vejo um bom número de vagas abertas, principalmente pra quem trabalha com desenvolvimento de software.

Se tiveres alguma pergunta mais específica, fica à vontade para escrever aí que eu tento ajudar como puder.

Um abraço!

UPDATES: Aparentemente o mercado em IT (pelo menos em Sydney) ainda está indo relativamente bem. Alguns amigos que recentemente perderam o emprego por motivos diversos (fim de contrato, empresa fechando ou fazendo outsourcing, etc) conseguiram se recolocar no mercado relativamente rápido.

Minha impressão ainda é de que profissionais da área de desenvolvimento (principalmente aplicações entreprise, mas web também segue em alta) e teste ainda estão tendo uma boa demanda.

Perguntas & Respostas: Visto de Estudante ou PR?


A questão não é nova mas ainda causa muito debate e foi levantada via LinkedIn pelo Rafael:

Estou pensando em ir para Sydney como estudante de inglês e no período em que estiver aí conseguir algum trabalho em TI (mais precisamente Java Web) em meio período (já que é isso o que visto de estudante permite). Queria saber se alguém já passou por essa situação e se foi difícil conseguir alguma coisa. É difícil conciliar as horas de estudo com trabalho? Há preconceito? Existe muita burocracia?

Rafael A.

Esta questão não é nova em nenhum dos grupos de discussão que participo e com freqüência ela volta a pipocar por aí. Vou tentar esclarecer alguns dos pontos da questão acima.

Primeiramente, a obtenção do PR (Permanent Residency), que às vezes é chamado incorretamente de "visto de trabalho", quando o correto é "visto de residência permanente", permite viver e trabalhar na Austrália por tempo indeterminado e não é um processo fácil e nem rápido. Com este visto, não há nenhuma restrição quanto ao número de horas que o detentor do visto pode trabalhar, em contraste ao visto de estudante, que só permite trabalhar 20 horas por semana -- porém existe muita gente na Austrália que trabalha muito mais do que isso na semana, o que é ilegal.

Sugiro aos que planejam vir a Austrália como estudante e "tentar a sorte" aqui que façam duas coisas:
  • Consulte um agente de imigração para saber se há opções mais interessantes para que você venha com um visto mais interessante (PR, regional sponsorship, etc). Talvez você já atenda os requisitos mínimos e nem saiba. Procure aconselhamento de quem entende.
  • Se mesmo assim você ainda quer vir como estudante e tentar um trabalho em TI aqui, o pré-requisito FUNDAMENTAL é o inglês. Não quero soar pessimista, mas é a realidade. Bom inglês falado é obrigatório, afinal, não tem como ir bem em uma entrevista ou mesmo trabalhar em equipe se você não consegue se comunicar. Não importa se você é um expert nessa ou naquela tecnologia, sem inglês decente, você vai acabar ficando no sub-emprego.
Por isso, seja no Brasil ou aqui na Austrália, encare os estudos do idioma a sério, pois certamente um bom nível de inglês é o primeiro passo para um bom emprego em TI na Austrália.

Para quem estiver interessado no assunto, escrevi um pouco sobre os desafios da carreira no exterior em outro post aqui no blog e no site MinhaCarreira.com.

Fiquem a vontade para deixar perguntas ou sugestões nos comentários.

Um abraço, 
Wagner.

Carreira no exterior: objetivo concreto ou sonho distante – Parte III


Alguns meses atrás, iniciei uma série de artigos sobre carreira no exterior no site MinhaCarreira.com e há algumas semanas atrás publiquei a terceira e última parte do meu texto sobre o tema.

Neste último artigo, falo sobre os principais desafios e compartilha algumas das minhas experiências dos últimos 3 anos e meio trabalhando e vivendo na Austrália, bem como as de outros profissionais que também vieram para este lado do mundo e conseguiram crescer em suas carreiras.

O título da série de artigos é "Carreira no exterior: objetivo concreto ou sonho distante" e abaixo estão os links para as três partes do texto:
Publico abaixo o terceiro texto na íntegra e espero que tenham gostado da série. Fiquem a vontade para continuar enviando suas perguntas e mensagens nos comentário, e-mail, facebook ou twitter.

Carreira no exterior: objetivo concreto ou sonho distante – Parte III


Este é o terceiro e último texto de uma série de artigos sobre um dos meus assuntos preferidos: carreira no exterior.

No primeiro artigo, falamos um pouco sobre as motivações que nos levam a buscar um desafio profissional no exterior. No segundo, mostramos alguns dos caminhos que podem ser percorridos para abrir a primeira porta profissional no exterior. Nesta última parte, vamos falar sobre os principais desafios  e vou compartilhar algumas das minhas experiências dos últimos 3 anos e meio trabalhando e vivendo na Austrália, bem como as de outros profissionais que também vieram para este lado do mundo e conseguiram crescer em suas carreiras.

O primeiro desafio: obtendo o visto adequado

O primeiro e talvez maior desafio na busca do crescimento profissional fora do Brasil é encontrar a forma mais adequeada de poder entrar e permanecer no país de destino, com permissão para trabalhar. Como comentei no texto anterior, dependendo do tipo de empresa em que você trabalha atualmente, talvez a sua oportunidade esteja mais perto do que você imagina. Multinacionais de vários ramos hoje em dia oferecem programas de expatriação temporária (e as vezes até permanente) para seus funcionários. Porém, se este não é o seu caso, busque informações sobre sponsorships ou imigração qualificada.

No meu caso, por exemplo, lá em 2006 resolvi pesquisar sobre os programas de Imigração Qualificada da Austrália e do Reino Unido, que concedem visto de residente permanente aos que atendem os requisitos com sucesso. Este tipo de visto não apenas permite trabalhar full-time no país de destino sem restrições, como também permite que você viva no país por tempo indeterminado (independente de estar empregado ou não).

Obter o visto adequado aos seus objetivos é essencial, crucial, obrigatório, fundamental para que você não se sinta frustrado poucos meses ou anos depois de chegar no país que escolheu apenas para ter que lidar com o drama de não poder ficar permanentemente (se essa for sua vontade).

Armadilhas

A pergunta mais popular que recebo dos leitores do meu blog é mais ou menos essa: “Estou indo com visto de estudante e quando chegar aí eu procuro alguma coisa na minha área. O que você recomenda?”

O que eu recomendo? NÃO VENHA. Simples assim.

Explico: se você, que já domina o idioma do país de destino, pretende imigrar com o objetivo de trabalhar full-time, na sua área de atuação, buscando crescimento profissional, não caia na tentação de vir com um visto mais fácil de obter (visto de estudante ou turista, por exemplo).

É muito, mas muito comum mesmo ver profissionais com ótima qualificação no Brasil, pós-graduação e anos de experiência no mercado brasileiro chegarem aqui com um visto que não lhes permite trabalhar full-time e que acabam sofrendo com a frustração de dominar o idioma, querer trabalhar, possuir skills e experiência mas esbarrarem em um pré-requisito legal: o visto.

Claro que a situação que descrevi acima é totalmente diferente de quem realmente vem para estudar idiomas ou outros cursos. Para quem busca mais conhecimento, ou seja, possui um objetivo totalmente diferente do discutido acima, a única coisa que posso recomendar é: VENHA AMANHÃ MESMO! Se você é jovem e quer fazer um intercâmbio e estudar no exterior, você tem 100% do meu apoio. Será uma experiência de vida impagável e inesquecível.

Nem tudo são pedras no caminho

Meu amigo também de Porto Alegre, Guilherme Ramos, que também vive aqui em Sydney, resolveu vir para a Austrália com o visto de estudante e parte do seu plano era tentar um emprego, mesmo que part-time, na sua área, desenvolvimento em PHP. Seu plano, porém, era claro e suas expectativas estavam definidas de acordo: caso ele não encontrasse um emprego que lhe agradasse, ele voltaria ao Brasil meses depois, feliz por ter tido a experiência de viver alguns meses em um país maravilhoso e ter estudado inglês em um país que a fala nativamente.

Com um punhado de sorte e muita insistência, Guilherme encontrou uma empresa que lhe ofereceu um sponsorship e o convidou para trabalhar full-time.

Hoje, Guilherme trabalha no time de desenvolvimento da Yahoo Australia e é um dos casos de sucesso que tenho orgulho de compartilhar, principalmente porque já éramos amigos em Porto Alegre, muito antes de decidirmos sair do Brasil.

Assim como Guilherme, conheço vários outros casos de profissionais que, com a dose certa de planejamento e conhecendo-se suficiente para não haver grandes decepções ou frustrações, partiram para o exterior sem grandes pretensões e hoje são profissionais de sucesso nos países que escolheram.

E afinal, sonho ou objetivo?

Repito a pergunta lá do início do primeiro texto a convido você leitor a refletir: esse seu desejo de partir para uma carreira no exterior continua sendo apenas um sonho? Ou já virou um objetivo concreto?

Ótimo! Então vejo você em breve aqui em Sydney… ou em Londres… ou em Dubai, Nova York, Berlin ou seja lá onde a sua determinação te levar.

Updates:

Leia a primeira parte: Carreira no exterior: objetivo concreto ou sonho distante – Parte I

Leia a terceira parte: Carreira no exterior: objetivo concreto ou sonho distante – Parte II

Perguntas & Respostas: Áreas da TI

A questão abaixo foi levantada em um dos grupos de discussão sobre carreiras na Austrália no LinkedIn pelo Carlos e é sobre as diferentes áreas dentro de TI e seus respectivos mercados na Austrália:


Estou vendo muita gente perguntando de sponsor e empregos aqui na Austrália. Porem, TI é muito vago e engloba muitas tecnologias para você afirmar algo do tipo "Se você é de TI e tem um inglês bom, venha para Austrália que eles precisam de você!".

O que vejo no grupo são muitos profissionais de Java falando que o mercado está quente. Mas e as outras tecnologias? .Net, DBAs SQL ou Oracle, BI?

O que os outros profissionais tem a dizer sobre suas tecnologias? O que tenho visto na minha area, basicamente .Net, a demanda é muito grande, porem a concorrência tambem é. Tem muitos indianos e asiaticos concorrendo com você a muitos vezes com o PR na mão.
Carlos G Jr
Este ponto foi muito bem levantado pelo Carlos. Realmente há uma certa "generalização" quando se fala em mercado de IT na Austrália.

O mercado como um todo, na minha visão, segue sim aquecido, inclusive seguiu contratando mesmo durante a GFC. Porém, em termos mais específicos, o fato é que dentro de IT, a área de desenvolvimento de software é e sempre foi a mais aquecida.

Quanto às tecnologias, minha percepção é de que Java é disparado a tecnologia com maior demanda, seguida das tecnologias Microsoft (.Net e SharePoint em específico), e depois PHP e outras.

Áreas como SAP, BI, IS, DBAs também tem seu mercado, mas entendo que é um tanto menor do que a àrea de desenvolvimento de software, até porque há uma certa resistência em contratar gente sem ou com pouca experiência, visto que a grande maioria das empresas que usam ferramentas como BI, por exemplo, são empresas grandes e com volumes de dados enormes e que, muitas vezes por política interna, não contratam profissionais sem experiência, justamente porque estas posições lidam com informação muito sensível.

Por outro lado, nas áreas de Java, .Net e PHP, por exemplo, é muito comum ver empresas de todos os portes contratando profissionais de todos os níveis (júnior, pleno e senior). E minha percepção é de que normalmente as empresas contratam mais profissionais junior/pleno, pois muitas vezes elas preferem manter apenas 1 ou 2 profissionais senior por equipe, geralmente atuando como líder técnico.

Áreas como infra, helpdesk e network management, por exemplo, parecem ter uma rotatividade maior, pois a impressão que tenho é que estas são as únicas áreas dentro de IT que tem um procura maior que oferta no mercado.

Sobre o brasileiro morto em Sydney


Muitos de vocês já devem saber do caso do brasileiro de 21 anos que morreu aqui em Sydney, vítima do despreparo de alguns oficiais da NSW Police que não só confundiram o paulista com outra pessoa (que teria roubado um pacote de bolachas de uma loja de conveniências), mas também o matou através do uso abusivo, excessivo e inapropriado de tasers (arma de choque).

Caso você não tenha ouvido falar do caso, este link tem todas as notícias publicadas sobre o caso no site da Globo.

Update: semana passada o Profissão Repórter fez uma matéria muito boa sobre o caso. Veja o programa na íntegra aqui.

Independente de fazermos julgamentos pessoais ou não, ou do próprio fato do guri ter ou não roubado um biscoitos, ou mesmo de estar drogado ou bebado como algumas pessoas especulam, NADA, absolutamente NADA justifica a perda da vida de uma pessoa de 21 anos. NADA.

Como vi no Facebook, absurdos como “estou com a polícia”, “quem mandou correr?”, "devia estar fazendo coisa errada mesmo", etc, vem justamente de outros brasileiros que também moram na Austrália e que, da forma mais ignorante possível, expressam a estupidez de ser racistas e aversos ao próprio povo.
O que me perturba de certa forma no momento é imaginar como a polícia teria lidado com a mesma situação se o cara fosse Australiano.

E qual a causa-raiz do "incidente" (as autoridades locais e inclusive o Cônsul brasileiro preferem usar o tempo "incidente" ao invés de "crime")? DESPREPARO da polícia. Simples. Em uma discussão sobre o assunto com amigos, alguns argumentam que a Polícia daqui é muito "educada e bem preparada" quando abordam pessoas nas ruas ou motoristas nas blitz. Ora, abordar uma pessoa ou um motorista numa situação normal onde não há risco nenhum, onde não está ocorrendo uma perseguição ou em qualquer outra situação de baixo/nenhum stress é fácil e não exige grandes treinamentos técnicos ou preparos psicológicos. São situações como a do brasileiro Roberto Laudisio que requerem sim preparo tanto técnico como psicológico ao abordar um "incidente" como tal.

E na minha opinião, essa foi a falha da Polícia. Falta de PREPARO ao lidar com uma situação de stress.

Não estou dizendo que todos os policiais são despreparados, com certeza não devem ser todos, mas os envolvidos sim, que aliás eram SEIS, sim, SEIS policiais, que estranhamente não conseguiram conter fisicamente UM jovem desarmado. Estes sim devem encarar as consequencias deste que não foi apenas um "incidente", e sim um CRIME, um homicidio.

Agora penso, porém, se a culpa é realmente só do despreparo dos officers envolvidos mesmo, ou se também é da NSW Police como um todo, pois mostraram na TV uns dias atrás que o "treinamento" que eles recebem é de 8 horas (pouco, suficiente, ou muito? não sei dizer), sendo que metade é teórico e metade é prático, e que cada officer dispara o taser apenas (agora sim, acho pouco) DUAS vezes durante o todo o treinamento.

Talvez o problema principal esteja aí: não é apenas dando teoria e prática pra um officer que ele já estará habilitado a usar o taser. Deveria haver algum outro tipo de treinamento/preparo psicológico (?) ou no mínimo avaliação pra saber se os officers que carregam tasers estão "on the same page" em relação ao critério para uso do taser.

No caso do guri que morreu, das duas uma: ou os officers simplesmente não sabiam dos critérios sob os quais o uso do taser é recomendado/aceito, ou sabiam apenas a teoria e simplesmente não tiveram preparo psicológico para fazer uma judgement call mais apropriada.

Perguntas & Respostas: Emprego em IT na Austrália

Retomando as atividades aqui no blog, mesmo continuando sem muito tempo pra escrever, resolvi postar alguns dos emails e mensagens que seguem chegando pelo blog.

Então, pra retomar a série "Perguntas & Respostas", segue a mensagem do Bruno Nascimento*, que entrou em contato pelo Facebook:

Ola Wagner,

Meu nome e Bruno eu sou DBA aqui no Brasil e decidi largar tudo aqui no Brasil para conhecer a Australia e conseguir trabalhar no exterior, estive lendo o seu Blog e do seu amigo Beto. Ficarei em Sydney e estarei chegando ai no dia 25/09, mas como sou filho de Deus peguei uma semana de ferias para ficar em Bondi Beach, e somente depois comecar o curso de ingles, gostaria de saber que dicas voce teria para me passar e vi que voce trabalha na area de TI, que assim que tirar o Fist Certification irei tentar.....


Obrigado.



Fala Bruno,

Então cara, a primeira coisa a fazer é traduzir teu curriculo pro inglês, dando destaque para as áreas que tu tens mais experiência. Caso tu tenhas trabalhado em alguma empresa grande, é legal destacar também. Por aqui eles valorizam bastante certificações, então caso tu possuas alguma, dá um destaque também.

Com o CV pronto, aí não tem outro caminho a não ser procurar nos sites de emprego (seek.com.au, mycareer.com.au, etc). Dá uma olhada no LinkedIn que tem um grupo chamado BRITA, que tem vários brasileiros que trabalham com IT por aqui.

Como tu já deves saber, não é tão fácil arrumar um emprego part-time em IT por aqui, basicamente porque as empresas precisam justamente de gente disponível full-time, e também em parte porque estudantes geralmente tem menos "seriedade" e compromisso, pois muitas vezes são jovens e estão aqui só pra estudar e curtir mesmo.

Bom, como mencionei acima, acho que o primeiro passo é montar um currículo bem traduzido e nos padrões daqui, e só então dar o próximo passo.

Se tu tiveres mais dúvidas, é só dar um alô aí, ok?

Ah, uma pergunta: tu te importarias se eu postasse essa tua dúvida lá no meu blog? Imagino que talvez tenha mais gente por aí com dúvidas parecidas e que poderia aproveitar pra compartilhar esse nosso papo no blog.

Um abraço,
Wagner.



* Bruno autorizou a postagem da mensagem por ele enviada aqui no blog.

Em breve quero postar outros emails com dúvidas interessantes e que talvez possam dar mais informações a outros leitores do blog.