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Fases - Shared accommodation

Em setembro deste ano, quando completei 3 anos de Austrália, postei este texto falando um pouco sobre como é estranha a percepção do tempo passar mais rápido quando se vive algo tão intenso. Falei também um pouco sobre os desafios superados e algumas das fases pelas quais passei desde a minha chegada a este lado do mundo.

Apesar de terem se passado apenas 3 anos, a impressão que tenho é que revivi algumas daquelas mesmas fases de adolescência e pós-adolescência, quando arrumei o primeiro estágio e gradualmente fazia uma mudança do meu foco exclusivo nos estudos para um foco mais amplo em carreira e graduação.

Entre aquela época e o meu ínicio de Austrália, pude facilmente identificar pelo menos duas fases. Uma delas foi a busca do primeiro emprego e a evolução na carreira e a outra foi quando resolvi saír da casa do meu pai e dividir apartamento com um amigo.

Dividir apartamento é uma das coisas mais comuns na Austrália e em outros países que recebem muitos estudantes estrangeiros. Certamente não é a opção mais luxuosa ou confortável, porém sem dúvida é a mais barata.

Na Austrália, shared accommodation é praticamente um setor do mercado. É muito comum achar shareds por aqui onde 3 ou 4 pessoas por quarto (às vezes mais), em um apartamento de 2 ou 3 quartos, por AU$ 150/semana, por exemplo. O preço é meio tabelado, mas dependendo do seu nível de tolerância/exigência, é possível achar opções mais caras ou mais baratas.

Entre as coisas boas de morar numa shared sem dúvida a mais importante delas é fazer amizade com os novos flatmates. Se eles estiverem em uma rotina parecida com a sua (estudantes, full-time workers, etc) é bem provável que vocês começarão a fazer quase tudo juntos: ir pra balada, ir no super, ir pro pub e até mesmo indicar uns aos outros no trabalho.

Como falei no texto anterior, meu caso foi um pouco diferente. Como fiz todo o processo do skilled migration e consegui o visto de residência ainda no Brasil, eu já cheguei na Austrália com permissão de trabalhar full-time na minha área (IT) e por isso o meu primeiro objetivo era arrumar o primeiro emprego.

Porém, como é normal pra quem vai morar no exterior, eu precisava achar um lugar pra morar, mesmo que temporário, e vim com recursos financeiros limitados (eu havia me planejado para conseguir viver numa boa por 6 meses mesmo sem emprego). Antes de chegar em Sydney, eu só tinha um amigo morando por aqui, e que vivia em uma shared com outros gaúchos. Graças a ele eu cheguei em Sydney já com moradia garantida (eu pagava o valor padrão, $150 por semana) e, também graças a ele, fiz amigos que hoje considero parte da minha família.

Nas primeiras semanas, minha rotina foi bem tensa. Estava enviando currículos para várias vagas e me preparando para as entrevistas. Sem saber ao certo quando começaria a trabalhar, a preocupação de ter uma reserva financeira em Reais porém ter que gastar em Dólar Australiano não me deixava em paz, e as vezes até atrapalhava com o sono.

Nessa época de início de Austrália e com a incerteza de quando o primeiro pagamento em moeda local vai aparecer, é comum manter os gastos bem controlados, fazer aquela pesquisa de preço no supermercado, comprar somente o básico e dar preferência para as home brands (que são as marcas do próprio supermercado, geralmente bem mais baratas que as demais), fazer só passeios sem custo pela cidade e praticamente nada de balada.

Foi nessa minha fase inicial morando em shared que conheci as principais baladas e pubs da City. A preferência geral da galera era pelos pubs e baladas de backpackers. Sem dúvida foi a época mais divertida da minha vida em Sydney. Bons eram os tempos em que rolava aquele aquece no apartamento antes de ir pra balada. Era engraçado que, mesmo após anos morando aqui e sabendo que as baladas começam e terminam cedo, o pessoal da shared sempre extendia a festa no apartamento e sempre acabávamos saindo de casa super tarde.

Todo fim de semana era a mesma coisa e as festas no apê muitas vezes eram melhores do que a balada pra onde a gente ia. Várias vezes chegava gente de fora, normalmente gringos e gringas que nenhum de nós conhecíamos, batiam na porta e iam entrando na festa... E muitas vezes o pessoal acabava nem saindo mesmo, de tão boa que a nossa festinha era... Ahh bons tempos aqueles... Hoje cada um seguiu um rumo diferente. Três dos meus melhores amigos dessa época voltaram para o Brasil e iniciaram seus próprios negócios. Os outros continuam por aqui, formaram família e estão na busca do seu visto de permanência. Fico feliz por eles por ver que não ficaram parados olhando a vida passar e hoje todos têm uma vida muito melhor do que há 3 anos atrás...

Como eu disse anteriormente, essas amizades formadas no início da vida na Austrália foram e sempre serão a coisa mais importante que alguém pode ter quando decide viver no exterior.

E comigo não foi diferente.

Um grande abraço aos meus amigos Giba, Rafão, João, Bier, Dandinho e Faé.


6 comentários. Clique para comentar.

  1. Muito legal o texto. Experiências assim são sempre importantes e inesquecíveis msm. Tenho lido alguns blogs sobre a Austrália e muito falam da questão do custo de vida ser muito alto por aí, tem tom pessimista, o q me deu uma desanimada. Qual sua visão do assunto, principalmente para quem chega para fazer um curso de inglês e precisa muito trabalhar para se manter por meses estudando?
    abs

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  2. Imagino com deve ter sido importante fazer estas amizades na sua chegada em Sydney, espero ter esta mesma sorte!
    Abs,

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  3. Excelente post Wagner!!! Parabéns pelo blog....vou começar a acompanhar sempre...

    Pretendo ir pra Austrália ano que vem, para estudar InglÊs durante 1 ano....Já escolhi Sydney como cidade, após imensas dúvidas entre Perth, Brisbane e Sydney...rs

    Vou estudar na Kaplan e pretendo morar em Maly...vc recomendaria esta região??? como é de oportunidades de empregos para estudantes? custo de vida, acessibilidade...essas coisas...

    Estou meio que buscando um UP na minha vida, já que deixarei pra trás um emprego de 8 anos na General motors daqui, afim de buscar fluencia no ingles e daqui 1 ano voltar pro Brasil atrás de uma oportunidade melhor de emprego, já que me formei a pouco em Engenheria Mecatronica...

    Tenho 27 anos e as vezes da medo de ser tarde demais pra isso....mas estou arriscando pra tentar ganhar lá na frente....

    Espero que possa me ajudar nas dúvidas e me dizer se vc apoiaria essa minha ideia de ir prae...

    Muito obrigado desde já!!!

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  4. Fala Rafael, beleza?

    O custo de vida por aqui realmente é um dos mais altos do mundo, e a diferença realmente assusta quando comparamos com o custo de vida no Brasil.

    Para o estudante que chega aqui, a melhor estratégia é trazer dinheiro suficiente para se sustentar pelo menos pelo período do curso/visto, pois assim tu garantes que, mesmo se não encontrar nenhum emprego, não vai passar apuros por aqui.

    Acho que só escrevi um post sobre esse assunto e foi no blog antigo, então acho que está na hora de escrever outro texto mais atualizado. Fique ligado aqui no blog que vou ver se escrevo algo ainda essa semana.

    Um abraço e obrigado pela visita!

    Wagner.

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  5. Sem dúvida, Turino... As amizades que se criam aqui são fator crítico de sucesso para a vida de qualquer estrangeiro na Austrália... Tenho certeza que contigo não vai ser diferente :)

    E quando chegares, dá um alô para combinarmos uma gelada por aqui!

    Um abraço!

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  6. Fala Dyego, tudo bem?

    Pelo que entendi, tu já tomaste a decisão de vir, pois aparentemente já estás com visto e escola acertados, certo?

    Interessante a tua situação e tua decisão de vir pra cá, mesmo tendo um bom emprego em uma grande empresa. Frequentemente esse assunto surge nas rodas de papo por aqui, pois é uma questão muito pessoal. Tem gente que concorda e gente que discorda.

    Vou fazer o seguinte: ao invés de responder aqui nos comentários, vou criar um post com a tua mensagem e a minha resposta ok?

    Imagino que deva ter mais gente por aí em situação parecida e espero que o post possa ajudar outros leitores do blog.

    Abraço.

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