As constantes notícias sobre as disputas trabalhistas entre a Qantas e os sindicatos ultimamente tem cada vez mais me chamado a atenção sob um aspecto: apesar de os sindicatos terem os mesmos objetivos e exercerem o mesmo papel que os sindicatos do Brasil, o interesse pelos trabalhadores em filiar-se a um sindicato é cada vez menor.
A explicação é simples: as empresas por aqui já adquiriram a consciência e entenderam há muito tempo que recompensar, confiar, dar treinamento de qualidade, incentivar, dar autonomia e criar um bom ambiente de trabalho não é mais algo considerado "opcional", algo que as empresas podem se dar o luxo de decidir se vão ou não proporcionar aos seus funcionários. É algo tão necessário, e porque não dizer obrigatório, quanto ter eletricidade na fábrica para poder produzir.
E se dermos um passo a trás e olharmos a maioria das empresas Australianas, vamos notar que a maioria já implementa, ou pelo menos se preocupa, com a qualidade de vida do funcionário no trabalho e com sua satisfação dentro da empresa.
E conforme as empresas Australianas olham, entendem e atendem as necessidades financeiras e motivacionais de seus funcionários, menos elas vão precisar interagir com os sindicatos, pois os funcionários, bem pagos e satisfeitos, não tem grandes razões para buscar apoio nos sindicatos.
Pelo que percebo por aqui, a grande diferença é que a quantidade de funcionários legitimamente vadios e oportunistas é bem menor do que em países de terceiro mundo, onde a cultura da corrução existe há séculos. Veja bem, não estou dizendo que não existe gente vadia e oportunista na Austrália, estou apenas constatando que a ocorrência desse tipo de coisa é bem menor, e por isso a reduzida força e poder que têm os sindicatos por aqui.
Esta matéria do Sydney Morning Herald fala um pouco mais sobre as mudanças que têm acontecido nas relações entre empresas, sindicatos e trabalhadores, e uma das constatações mais evidentes é de que o número de trabalhadores interessados em filiar-se a algum tipo de sindicato realmente têm caído.
A disputa trabalhista em si levantada pelos baggage handlers, pilotos e sindicatos praticamente já tem uma solução pronta para ser adotada: a Qantas já colocou na mesa um plano de aumento de remuneração, garantia de centenas de empregos (coisa inédita em empresas privadas) e melhores condições de trabalho, porém os sindicatos continuam batendo o pé, pois parecem se importando mais com a atenção que estão recebendo da imprensa do que com a solução da disputa trabalhista em si.
Enfim, sei que esse assunto não tem muito a ver com o blog ou com o que eu costumo escrever por aqui, mas achei interessante pegar algo que tem estado presente na mídia por tanto tempo e tentar traçar um paralelo entre o tema "sindicatos" na Austrália e no Brasil.

2 comentário(s):
Mas veja só, aqui temos poucos sindicatos mais 'fortes'. E são mesmo os mais 'operacionais', como metalúrgicos e etc.
Os sindicatos de informática daqui são PIADA, porque já pedimos ajudas em momentos diversos e fomos solenemente ignorados.
Oi Artemis,
Verdade, sei bem como é isso... No RS os sindicatos relacionados às profissões de TI também são uma piada, não tem representação nem força nenhuma.
Wagner
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