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3 Anos de Austrália

A sensação que tenho é de que cheguei há alguns meses apenas, de tanto que não vi esses 3 anos passarem tão rápido.

Claro que olhando para trás e lembrando das coisas importantes (e outras não tão importantes) que aconteceram na minha vida por aqui, fica fácil ter uma noção mais correta de quanto tempo realmente passou, mas o mais importante é que sinto que superei os principais desafios de estabelecer uma vida concreta e saudável longe do Brasil.

Fases

É engraçado lembrar de tudo que passei desde que cheguei na Austrália e, mais engraçado ainda, é ver como é fácil identificar as fases pelas quais passei.

Os primeiros meses de vida em Sydney certamente foram os que deixaram as memórias mais marcantes. Quando cheguei, só tinha um amigo que morava por aqui e que, como na maioria dos casos de quem chega por aqui, ele me ajudou com hospedagem, me explicou como funcionava o transporte, os preços das coisas, onde achar o supermercado... Mas o mais importante é que foi através dele fiz os grandes amigos que hoje considero parte da minha família na Austrália.

Como maioria dos recém-chegados, morei em uma shared accommodation com essa galera por alguns meses e sem dúvida vivi os meses mais divertidos da minha vida na Austrália. Morar em shared é involve desprender-se totalmente dos confortos que se tinha no Brasil e mais do que nunca exercitar o respeito pelo espaço alheio. Foi uma experiência maravilhosa da qual só guardo boas recordações.

A fase seguinte inicia com a conquista do primeiro emprego, mesmo ainda sem entender direito as diferenças de ser contractor ou permanent, sem saber quanto vou pagar de imposto e nem ter idéia de como é a cultura das empresas australianas. Por sorte (ou não) iniciei minha carreira em Sydney sendo contractor e hoje vejo que foi a melhor decisão que tomei desde que cheguei aqui (mas isso é assunto pra outro post).

As primeiras entrevistas de emprego e a tensão na busca do primeiro emprego nos deixam ligados 24 horas por dia, as vezes até com dificuldade para dormir, já pensando nas ligações e entrevistas do dia seguinte. Até que, em um espaço de 3 semanas e depois várias entrevistas, recebi três ofertas de trabalho.

A primeira descartei de cara, pois o perfil da vaga não se encaixava direito comigo. Eu havia aplicado de qualque forma porque no início a gente simplesmente não escolhe muito e aplica para tudo que acha que é capaz de fazer. Já as outras duas ofertas me deixaram muito tentado. O package (salário + benefícios + superannuation) era muito bom em uma, que era uma posição permanente, porém o valor hora, o ambiente de trabalho e a flexibilidade eram muito sedutores na outra, que era uma posição para contractor.

Quando eu estava pronto para aceitar a oferta da vaga permanente, tendo a estabilidade em mente acima de tudo, lembrei de um dos meus objetivos quando iniciei o processo de imigração: a qualidade de vida.

Depois de queimar muitos neurônios pensando em que caminho tomar durante um dia inteiro, recebi a derradeira ligação da empresa que me oferecera a vaga permanente para dar a resposta final. Ao pegar o telefone, eu ainda não tinha uma resposta concreta em mente, mas ao iniciar o papo com o simpático greco-australiano que me entrevistou, ele falou algo do tipo "eu entendo a tua situação e sei que tu tens outra oferta, mas fechando conosco tu vais ter um longo e tranquilo caminho pela frente"... E foi ali que eu tomei a decisão mais importante desde a minha chegada em Sydney.

Agradeci muito, mas recusei a oferta.

Liguei para a agente que me recrutara para a vaga de contractor e com um sorriso que não conseguia conter, aceitei a oferta sem um pingo de dúvida. "Congratulations for your first job in Australia", ela disse, praticamente sentindo a felicidade na minha voz. Decidi assumir o risco de uma vaga sem tanta estabilidade, porém com uma flexibilidade (e salário) maior, e com um grande desafio pela frente: encarar um novo emprego que não teria nada de "longo e tranquilo" pela frente.

Tudo são fases nessa vida. A tensão da fase inicial, a fase de encarar os medos e partir pra rua em busca de emprego, a fase da pesquisa e estudo para entender como o novo país funciona... Tudo são fases, e o que me move na vida é a gana por superar cada uma delas.

6 comentários. Clique para comentar.

  1. Otimo relato Wagner!
    É bom ler estas retrospectivas e ver que apesar das incertezas tudo acaba dando certo.
    Para nós que estamos só aguardando o dia de arrumar as malas, a ensão e o medo do desconhecido esta cada vez mais perto!
    Espero poder contar uma otima estoria como esta daqui a 3 anos.
    Agora é aguardar a chegada em Sydney para começar nossos relatos!
    Tudo de bom! Muito Sucesso e que venham outros 3 anos!
    Abs,
    Thiago.

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  2. Ótima matéria Wagner. Vc não sabe como vc me da forças e me enche de esperanças para terminar minha MBA e ir por definitivo para AUS. Estou planejando isso a mais de um ano. Espero poder te agradecer pessoalmente. Abração

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  3. Parece mesmo que todo mundo passa pelas mesmas coisas ne?
    Muito bom o blog. Muito bem feito! Estamos fazendo um trabalho parecido aqui na Austrália. Seria bem legal se a gente contasse com opinião de pessoas como vc, tem uns videozinhos bacanas... Ficariamos lisongeados se puder divulgar a seus seguidores. www.heymate.tv um forte abraço!

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  4. Valeu Thiago!

    A mudança é realmente grande e a adaptação não é fácil, por isso bato tanto na tecla do planejamento de tal mudança e da persistência com a carreira por aqui.

    Espero que a jornada de vocês seja também um desafio agradável e prazeroso de encarar!

    Um abraço e obrigado pela visita!

    Wagner.

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  5. Obrigado pelo comentário Rodrigo.

    Pelo jeito tu estás dedicando um bom tempo ao planejamento, e tu vais ver que todo o esforço e tempo investidos acabam se pagando no fim das contas.

    Um abraço!

    Wagner.

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  6. Fala Beto, beleza?

    Cara, muito legal a iniciativa de vocês! O site ficou muito bacana! O programa #1 ficou show de bola!

    Valeu pelo comentário e pode deixar que ajudo na divulgação sim! De repente seria legal vcs dedicarem uma parte do programa para ouvir as experiências de profissionais de várias áreas que vieram pra ficar.

    Abraço!

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