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Porto Alegre é demais


Como comentei num post anterior, o planejamento pré-viagem que fiz está me permitindo fazer coisas que eu certamente não conseguiria fazer se tivesse optado por continuar trabalhando durante agosto.

Acho que fui bem sucedido nesse ponto, pois até agora, estou conseguindo fazer tudo que tinha colocado no checklist -- imenso, por sinal -- e consegui inclusive contingenciar alguns imprevistos, como a demora na venda do carro, problema com meu contador na baixa da minha empresa, venda de alguns móveis. E ainda por cima tem me sobrado um tempo valioso.

Mas o assunto deste post é outro. Vou falar sobre uma consequência desse planejamento.

Como a venda do carro era tarefa do checklist que mais demoraria, eu a priorizei desde quando recebi o visto e thank God já está resolvida.

A consequência óbvia disso é que passei a levar mais tempo ao realizar outras tarefas do checklist, pois tive que usar o transporte público ao invés da conveniência do carro.

E é nesse ponto que eu queria chegar. Você, leitor do blog, que também mora em Porto Alegre e tem seu próprio carro há tempo, qual foi a última vez que usou transporte público? Não sei você, mas no meu caso, foi em janeiro de 2000, antes de eu comprar meu primeiro carro. Naquela época era casa-trabalho, trabalho-faculdade, faculdade-casa, todos os dias. De ônibus... e eram 6 -- sim, SEIS -- 6 ônibus por dia.

Há mais de 8 anos que eu faço tudo de carro. Mesmo morando perto da farmácia ou do shopping, por que caminhar se dá para ir de carro?

Mas nas últimas semanas, eu fiz coisas que há muito tempo não fazia. Andei pela Rua da Praia no meio da tarde, visitei o café do terraço da Casa de Cultura e curti por uns minutos aquela vista sensacional do Guaíba, dar uma banda de bicicleta no Parcão, na Redenção e no Gasômetro, atravessar a cidade de ônibus olhando para os lados observando as ruas, prédios e pessoas, ao invés de olhar o tempo todo para a frente, tenso, prestando atenção no trânsito.

Confesso que, nessas últimas semanas, na primeira vez que estava saindo de casa pra pegar um ônibus, realmente me deu um pouco de preguiça, mas depois que eu subi e sentei ao lado da janela, me dei conta que eu andei de ônibus a minha infância e adolescência toda, e nunca tinha me dado conta de como é bom poder aproveitar esses minutos dentro do ônibus. São em momentos como esses que a gente aprende a fixar as imagens da nossa cidade, nessas idas e vindas pelas ruas sem se preocupar com o caos do trânsito.

E é em dias como estes meus, os últimos em Porto Alegre sabe-se lá por quanto tempo, que a gente aprende a se dar conta da saudade que vai sentir do bairro, das ruas, das praças, e de todas as outras coisas que sempre estiveram ali, por menores e mais simples que sejam.

Nunca fui muito fã do Centro de Porto Alegre, mas vou sentir saudade de olhar pro alto do prédio da Aplub ali na Júlio de Castilhos e de tentar achar erva mate nas bancas do Mercado Público.

Não fã de procissões, mas vou sentir saudade do feriado do dia 02 de fevereiro e de ver aquele monte de barcos no Guaíba, indo do Centro em direção ao bairro Navegantes.

Não sou fã de despedidas, mas estou aproveitando ao máximo cada passeio na rua, cada caminhada no bairro, e cada minuto que passo nessa cidade e com as pessoas que amo, para que no fim, eu consiga dizer que curti muito a despedida da minha cidade e que eu possa embarcar sorrindo, mas ao mesmo tempo com uma ansiedade boa pelo que me espera do outro lado do mundo.

Porto Alegre é demais.

Vai ser difícil não sentir saudade do chimas de domingo a tarde no Parcão...
Das caminhadas na Redenção, no sentido do Brique...


E claro, do meu cartão postal preferido da cidade.


Tchau Porto Alegre, espero te ver em breve.

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