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Morre lentamente


Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor ou
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o preto sobre o branco e os pontos sobre os "is"
em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa
quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida
fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se
da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece ou
não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço
muito maior do que o simples fato de respirar. 

-- Martha Medeiros

Porto Alegre é demais


Como comentei num post anterior, o planejamento pré-viagem que fiz está me permitindo fazer coisas que eu certamente não conseguiria fazer se tivesse optado por continuar trabalhando durante agosto.

Acho que fui bem sucedido nesse ponto, pois até agora, estou conseguindo fazer tudo que tinha colocado no checklist -- imenso, por sinal -- e consegui inclusive contingenciar alguns imprevistos, como a demora na venda do carro, problema com meu contador na baixa da minha empresa, venda de alguns móveis. E ainda por cima tem me sobrado um tempo valioso.

Mas o assunto deste post é outro. Vou falar sobre uma consequência desse planejamento.

Como a venda do carro era tarefa do checklist que mais demoraria, eu a priorizei desde quando recebi o visto e thank God já está resolvida.

A consequência óbvia disso é que passei a levar mais tempo ao realizar outras tarefas do checklist, pois tive que usar o transporte público ao invés da conveniência do carro.

E é nesse ponto que eu queria chegar. Você, leitor do blog, que também mora em Porto Alegre e tem seu próprio carro há tempo, qual foi a última vez que usou transporte público? Não sei você, mas no meu caso, foi em janeiro de 2000, antes de eu comprar meu primeiro carro. Naquela época era casa-trabalho, trabalho-faculdade, faculdade-casa, todos os dias. De ônibus... e eram 6 -- sim, SEIS -- 6 ônibus por dia.

Há mais de 8 anos que eu faço tudo de carro. Mesmo morando perto da farmácia ou do shopping, por que caminhar se dá para ir de carro?

Mas nas últimas semanas, eu fiz coisas que há muito tempo não fazia. Andei pela Rua da Praia no meio da tarde, visitei o café do terraço da Casa de Cultura e curti por uns minutos aquela vista sensacional do Guaíba, dar uma banda de bicicleta no Parcão, na Redenção e no Gasômetro, atravessar a cidade de ônibus olhando para os lados observando as ruas, prédios e pessoas, ao invés de olhar o tempo todo para a frente, tenso, prestando atenção no trânsito.

Confesso que, nessas últimas semanas, na primeira vez que estava saindo de casa pra pegar um ônibus, realmente me deu um pouco de preguiça, mas depois que eu subi e sentei ao lado da janela, me dei conta que eu andei de ônibus a minha infância e adolescência toda, e nunca tinha me dado conta de como é bom poder aproveitar esses minutos dentro do ônibus. São em momentos como esses que a gente aprende a fixar as imagens da nossa cidade, nessas idas e vindas pelas ruas sem se preocupar com o caos do trânsito.

E é em dias como estes meus, os últimos em Porto Alegre sabe-se lá por quanto tempo, que a gente aprende a se dar conta da saudade que vai sentir do bairro, das ruas, das praças, e de todas as outras coisas que sempre estiveram ali, por menores e mais simples que sejam.

Nunca fui muito fã do Centro de Porto Alegre, mas vou sentir saudade de olhar pro alto do prédio da Aplub ali na Júlio de Castilhos e de tentar achar erva mate nas bancas do Mercado Público.

Não fã de procissões, mas vou sentir saudade do feriado do dia 02 de fevereiro e de ver aquele monte de barcos no Guaíba, indo do Centro em direção ao bairro Navegantes.

Não sou fã de despedidas, mas estou aproveitando ao máximo cada passeio na rua, cada caminhada no bairro, e cada minuto que passo nessa cidade e com as pessoas que amo, para que no fim, eu consiga dizer que curti muito a despedida da minha cidade e que eu possa embarcar sorrindo, mas ao mesmo tempo com uma ansiedade boa pelo que me espera do outro lado do mundo.

Porto Alegre é demais.

Vai ser difícil não sentir saudade do chimas de domingo a tarde no Parcão...
Das caminhadas na Redenção, no sentido do Brique...


E claro, do meu cartão postal preferido da cidade.


Tchau Porto Alegre, espero te ver em breve.

Planejamento


Organizar tudo que precisa ser feito antes de sair do país parece fácil, mas não é.

Aliás, eu cheguei a conclusão que a melhor coisa que eu poderia ter feito nesse processo todo foi pedir demissão 1 mês antes da viagem. Fica a dica aos que, assim como eu, não tem uma namorada ou esposa querida e organizada para tomar conta das tarefas burocráticas que precedem a partida.

Por outro lado, é muito bom ter tempo disponível pra dormir, descansar, ler, etc, mas o mais importante é poder aproveitar o horário comercial pra fazer aquelas coisinhas que exigiriam aquelas escapadas do escritório. Algumas delas foram:

  • Fazer uma procuração de plenos poderes pra deixar com meu pai. Precisa ter firma reconhecida em cartório.
  • Solicitar baixa da minha empresa/pesso ajurídica. Os formulários também precisam de firma reconhecida.
  • Transferência do carro para o novo proprietário no Detran.
  • Buscar caixas de papelão para no mercado para a mudança.
  • Arranjar uma caixa para a bicicleta em alguma loja especializada.
  • Comprar mais uma mala de 32 kg no Centro.
Hoje, com essa experiência pré-mudança rumo a outro continente adquirida, algumas dicas que considero valiosas para quem vai passar -- ou está passando -- por uma situação parecida são:

  • Faça um checklist por escrito -- e não mental -- de tudo que tu puder lembrar de coisas que você precisa resolver antes de partir. Imprima o checklist e o coloque em algum lugar da casa onde você o veja várias vezes por dia, pois com certeza você vai lembrar de mais coisas ao longo dos dias. Não esqueça de coisas como alterar o endereço de correspondência no banco, seguradora, previdência privada, etc.
  • Quando o checklist estiver grande o suficiente, coloque em ordem os itens que precisam ser feitos por primeiro. Algumas coisas só podem ser feitas mesmo na última semana (por exemplo: cancelar a internet e o plano do celular. Outras, o quanto antes, melhor, como vender seu carro, por exemplo, pois esse tipo de coisa pode levar tempo.
  • Reserve pelo menos 3 semanas de tempo livre antes da data da viagem. Assim você terá tempo de visitar seus amigos e parentes e aproveitar bem os últimos dias no Brasil com eles. Eu reservei 1 mês e acho que foi o tempo ideal pra mim. Como já vendi o carro, estou fazendo muita coisa de ônibus, lotação ou taxi, que toma mais tempo do que se tivesse de carro.
  • Faça uma limpa nas roupas velhas e tralhas que estão pegando poeira na estante. Este é o melhor momento para fazer aquele sacolão de roupas para doação e para colocar no lixo aquela tralha que tu achavas que tinha algum valor sentimental.
  • Descubra as regras de excesso de bagagem de TODAS as companhias aéreas envolvidas no vôo. Por exemplo, eu estou indo de TAM de Porto Alegre até Guarulhos. Os demais trechos serão pela LAN Chile. Cada companhia tem regras de cálculo diferentes para o excesso de bagagem. Assim você não vai tomar nenhum susto na hora de pagar pelo excesso no check-in.  
  • Faça o teste da bagagem. Pegue as malas que e organize tuas roupas e quinquilharias exatamente como se fosses organizar no dia da viagem. Isso vai te ajudar a decidir se vai precisar de mais malas ou não. No meu caso, foi muito útil, pois o meu achômetro me dizia que eu não precisaria de uma terceira mala, mas no fim tive que comprar.
  • Tem amigos na Austrália? Mande um email pra eles pra saber se não tem ninguém vindo passar umas férias no Brasil. Se houver, seu amigo não vai se importar em levar uma mala pequena para você quando ele estiver voltando pra Austrália.
     
  • Arranje tempo para visitar TODOS os seus amigos e parentes. A essa altura do campeonato, você já deve ter se dado conta que não vai vê-los por um bom tempo. Planeje tempo com cada uma das pessoas que são importantes para você. Pode ter certeza de que ir embora sem dar aquele último abraço em um grande amigo do peito vai doer mais em você do que nele.
Eu li os todas as sugestões de itens de checklist que o pessoal do Forum Canguru sugeriu, mas tenho certeza que só vou lembrar de alguma coisa na última hora.

Faltam só 18 dias! Contagem regressiva!

Um abraço e até o próximo post!

Mais dicas de blogs


Troquei alguns emails com os autores e só tenho uma coisa a dizer: é incrível a nossa predisposição a ajudar a nossa própria gente... fiquei surpreso e feliz com as respostas dos emails...

Valeu Juliano e Jerry! See you guys soon!

Ju e Marti - Casal de Porto-alegrenses que moram em Sydney e que parecem estar super felizes com a escolha que fizeram de mudar para a Austrália. Ele, trabalhe com TI e ela é jornalista. Espero poder conhecê-los pessoalmente em breve.

Australia Brazil - Pode-se dizer que o Jerry é um blogger assíduo. Posta novos textos com frequência e sempre com temas interessantes. Tem opiniões contundentes e um ponto de vista bacana e bem realista da vida em Oz.

Desempregado e feliz


Estou na correria com a preparação para a mudança definitiva para Sydney, então só vim postar rapidinho algumas novidades já que o blog ficou parado nesses últimos dias.

Desempregado e feliz

Estou oficialmente desempregado desde a última segunda. Conversei com o diretor da empresa sobre aquela possível oportunidade em Nova York e fiquei surpreso ao ouvir que estava próximo de virar realidade, mas ainda não era possível colocarmos uma data numa possível transferência para a filial americana.

Conversamos de forma honesta e aberta e por fim, acabei decidindo pedir demissão, pois como já estava com o visto australiano na mão e portas abertas para me mudar para Sydney, era a melhor opção para mim naquele momento, pois precisava de pelo menos um mês organizar tudo e curtir minha família e amigos antes da partida.

Passagem Comprada

Estou com a passagem comprada para Sydney. Resolvi ir de LAN Chile em função do caos noticiado recentemente com os vôo da Aerolineas Argentinas e dos incidentes de roubo de bagagem no aeroporto de Ezeiza. O custo da passagem foi um pouco maior, mas a diferença foi pouca e acho que valeu a pena. Embarco rumo a Sydney no dia 6 de setembro.

Liquidação

Já consegui vender a maioria das coisas que eu realmente precisava vender. móveis, TV, eletrodomésticos e algumas outras tralhas.

Burocracia antes da partida

Essa semana ainda tenho que
  • Fechar minha empresa (eu prestava serviços como pessoa jurídica).
  • Providênciar uma certidão negativa do banco, comprovando que não tenho dívida nenhuma em aberto.
  • Concluir a venda do carro e transferir para o novo proprietário.
  • Passar o meu celular para pré-pago.
  • Ligar pra mil lugares diferentes pra mudar o endereço de correspondência pra casa do meu pai.
  • Fazer uma procuração de plenos poderes para o meu pai caso eu tenha esquecido alguma coisa.
Bom, por enquanto era isso. Mais novidades em breve. Agora é contagem regressiva para Sydney!