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Despedidas


Finalmente ter recebido o tão esperado email com a Grant Letter foi aquela alegria, aquela euforia, com uma mistura de tremedeira nas pernas com uma leve taquicardia e aquele pensamento inevitável e ansioso de "bom, e agora?"...

No forum e conversando com o pessoal online eu sempre brincava que se eu recebesse a Grant Letter durante o dia de trabalho, ou durante uma reunião, eu iria chutar tudo pra cima, mesa, cadeira, chefe e tudo mais. Mas fiquem tranquilos, eu consegui me conter numa boa. A parte engraçada era que todo mundo no trabalho fez algum comentário naquele dia sobre como eu estava bem humorado e sorrindo por nada, mesmo sem ter a mínima idéia da grande notícia que eu tinha recebido horas antes.

Mas nos dias seguintes, passada a euforia da conquista, tinha algo que começou a mudar meu semblante consistentemente algumas horas por dia: despedidas.

Sempre me achei tranquilo em relação a despedidas, talvez porque nunca tivesse passado por uma de verdade. Ano passado, quando fui trabalhar vários meses na Argentina, meus amigos me surpreenderam no aeroporto um pouco antes do vôo. Foi uma baita surpresa e confesso que tive que fazer força pra engolir o choro. Isso que eu iria passar apenas uns 6 meses fora. O plano era ficar direto por lá uns 3 meses sem voltar pra Porto Alegre, voltar por um final de semana aqui, e depois retornar para Buenos Aires e terminar o trabalho.

Mas e quem disse que foi fácil?

Com saudade apertando no peito, algumas mudanças no planejamento, um cliente financeiramente generoso e um pouco de sorte, consegui voltar para Porto Alegre para passar um fim de semana apenas após 1 mês e meio em Buenos Aires. Mesmo sendo pouco tempo fora nessa primeira etapa do trabalho por lá, o que eu mais queria era rever todo mundo logo, saber o que eles estavam fazendo, o que mudou na minha ausência, sair com o pessoal nos nossos lugares favoritos, enfim, tudo o que sempre fizemos juntos.

E foi nesse dia comecei a ter uma noção mais exata de como seria estar longe da minha terra, dos meus amigos e da minha família por tanto tempo -- possivelmente por anos sem voltar ao Brasil.

No fim das contas, o tempo que vivi e trabalhei na Argentina acabou sendo um período de pré-adaptação, um tipo de treinamento pró-desapego e anti-saudade em que aprendi muito sobre mim mesmo e sabia melhor o que esperar quando fosse para Sydney de mala e cuia.

Eu pensava: "E quando sair o meu visto? Não vai ser como agora, que eu posso voltar pra casa uma ou duas vezes por mês... provavemente eu vou passar um ano ou até mais sem ver essa galera toda, como vou encarar essa?"...

Aquilo me incomodou por um bom tempo, mais até do que eu gostaria ou do que eu queria admitir.

Me peguei algumas vezes olhando pro nada, pensando no dia em que eu estivesse embarcando pra Sydney, dando aquele último tchau para os meus amigos, provavelmente com a cara vermelha e soluçando, no mesmo local onde me começou a cair a ficha ano passado antes de ir pra Buenos Aires e com a mesma vontade de que o vôo atrasasse, só para ficar um pouco com eles antes de partir.

...

Semanas depois, já com passgem marcada para Sydney e correndo para resolver tudo em Porto Alegre antes de partir, uma das minhas melhores amigas que vai passar um tempo em Londres tinha organizado uma festa de despedida, e resolvemos juntar os grupos de amigos para iniciar a minha despedida também.

E aí foi aquela função toda, duas turmas grandes lá, uma galera com quem eu me encontrava pelo menos uma vez por semana há anos, desde a época de faculdade.

Quando os primeiros começaram a ir embora, muitos abraços, um pouco de choro aqui e ali, mesmo com todo mundo sabendo que essa nossa amiga retornaria dali a alguns meses, afinal, era apenas um intercâmbio, ela não estava indo definitivamente morar fora.

Eu lembro direitinho o que me passou pela cabeça. Foi muito parecido com a despedida surpresa no aeroporto antes de eu embarcar para Buenos Aires ano passado, só que pior, mais triste, um pouco mais carregado. E ali, mesmo ainda não sendo a minha última despedida, começou a cair a ficha de verdade, e caiu como um piano na minha cabeça.

E na volta pra casa, um amigo pra quem dei carona me diz "tá começando a cair a ficha, né meu?"...

Eu só consegui responder com um "hmm hmm" em tom baixo e vazio.

Tipos de vistos


Nem todo mundo sabe, mas existem vários tipos de visto que permitem estadia permanente e temporária na Austrália com permissão para trabalhar.

O objetivo deste post é mostrar que também é possivel imigrar para a Austrália através de outros tipos de visto, não só para quem é de TI. Recebi várias menságens de leitores perguntando quais outras opções poderiam ser buscadas para quem não se encaixa no skilled migration.

Vale lembrar que muitos destes não se aplicam a maioria de nós, meros mortais, muito menos quando aplicamos de fora da Austrália (offshore application).

Outros aplicam-se a uma ou outra área de atuação restrita, como médicos ou atletas profissionais, por exemplo. Mesmo assim, quero mostrar aos interessados que, dependendo da sua área de atuação, você pode encontrar menos dificuldade -- ou não -- na busca do seu visto.

Vamos mostrar aqui as opções de visto disponíveis atualmente, as of julho de 2008, de acordo com o site do Departamento de Imigração da Austrália.

Os vistos estão divididos nas seguintes categorias -- a lista é grande, mas não desanime:


Skilled workers: vistos de residência permanente para profissionais qualificados

Aplicantes que não vivem na Austrália:
  • Skilled – Independent (Migrant) visa (subclass 175) -- o mesmo que fiz.
  • Skilled – Sponsored (Migrant) visa (subclass 176)
  • Skilled – Regional Sponsored (Provisional) visa (subclass 475)
  • Skilled – Recognised Graduate (Temporary) visa (subclass 476)
Aplicantes que estão na Austrália:
  • Skilled – Independent (Residence) visa (subclass 885)
  • Skilled – Sponsored (Residence) visa (subclass 886)
  • Skilled – Regional (Residence) visa (subclass 887)
  • Skilled – Regional Sponsored (Provisional) visa (subclass 487)
  • Skilled – Graduate (Temporary) visa (subclass 485)

Sponsorship: vistos de residência permanente ou temporária baseado em patrocínio por uma empresa Australiana

Temporary Visas
  • Temporary Business Long Stay – Standard Business Sponsorship (subclass 457)
  • Medical Practitioner Visa (subclass 422)
  • Educational Visa (Subclass 418)
Permanent Visas
  • Employer Nomination Scheme (subclass 121/856)
  • Regional Sponsored Migration Scheme (subclass 119/857)

Vistos de negócios

  • Business (Short Stay) visa (subclass 456)
  • Sponsored Business Visitor (Short Stay) visa (subclass 459)
  • ETA (Business Entrant) (subclass 956 and 977)
  • APEC Business Travel Card
  • usiness Owner (Provisional) (Subclass 160)
  • State/Territory Sponsored Business Owner (Provisional) (Subclass 163)

Vistos para executivos de empresas

  • Senior Executives (Provisional) (Subclass 161)
  • State/Territory Sponsored Senior Executive (Provisional) (Subclass 164)
  • Independent Executive Further Application Onshore (Subclass 457IEFAO)
  • Business Talent (Migrant) (Subclass 132)

Vistos para empreendedores e investidores

  • Investor (Provisional) (Subclass 162)
  • State/Territory Sponsored Investor (Provisional) (Subclass 165)
  • Investor Retirement Visa (Subclass 405)
  • Investor (Residence) (Subclass 891)
  • State/Territory Sponsored Investor (Residence) (Subclass 893)
  • Business Owner (Residence) (Subclass 890)
  • State/Territory Sponsored Business Owner (Residence) (Subclass 892)
  • Established Business in Australia (Subclass 845)
  • Regional Established Business in Australia (Subclass 846)

Vistos para atividades especiais

  • Distinguished Talent visa (Offshore) (subclass 124)
  • Distinguished Talent visa (Onshore) (subclass 858)
  • Domestic Worker (Diplomatic/Consular) Visa (Subclass 426)
  • Domestic Worker (Executive) Visa (Subclass 427)
  • Exchange Visa (Subclass 411)
  • Entertainment Visa (Subclass 420)
  • Foreign Government Agency Visa (Subclass 415)
  • Medical Treatment Short Stay Visa (Subclass 675)
  • Medical Treatment Long Stay Visa (Subclass 685)
  • Media and Film Staff Visa (Subclass 423)
  • Religious Worker Visa (Subclass 428)
  • Retirement Visa (Subclass 410)
  • Investor Retirement Visa (Subclass 405)
  • Special Programs Visa (Subclass 416)
  • Sport Visa (Subclass 421)
  • Visiting Academic Visa (Subclass 419)

    Fonte: Site do Department of Immigration and Border Protection

    Se você é um skilled worker, é bem provável que o 175 seja o melhor caminho para você.

    Em outro post pretendo dar mais detalhes sobre os requisitos e primeiros passos para aplicação para o visto de residente permenente (subclass 175).

    Enquanto isso...

     

    ... tempos depois, a sujeira do famoso Mensalão ainda continua sendo desmascarada.

    Entenda a Operação Satiagraha da Polícia Federal - fonte Globo.com.

    A corrupção interminável em praticamente todos os níveis de governo no Brasil e a certeza de que o dinheiro dos impostos que eu pago estão cada vez mais indo para o bolso de bandidos só me faz ter mais certeza de que aqui não é mais o meu lugar.


    Enquanto partidos políticos continuarem comprando parcelas menos favorecidas da população com cestas básicas, meu voto não é suficiente para fazer as coisas mudarem. E como não quero que meu dinheiro seja roubado, só me resta partir.


    GRANT LETTER recebida!


    Longos 1 ano, 1 mês e 17 dias.

    Impossível descrever o que passa pela cabeça quando você abre o email às 06h30 da manhã e sente a ansiedade de uma longa espera quebrada pela vontade de rir, chorar, gritar e pular sem parar causada por um simples arquivo PDF anexado a um email.

    A ficha ainda não caiu... mas é real, é verdade. A espera terminou.

    Ainda com aqueles olhos semi-abertos, eu devo ter olhado para minha inbox e esfregado os olhos umas dez vezes antes de abrir aquele emai cujo remetente era ASPC.region4@immi.gov.au.

    Hesitei alguns segundos antes de abrir o email. Pensei "será, será mesmo?"... "Sei lá, pode ser apenas o Case Officer pedindo algum documento adicional...", tentando não me decepcionar caso não fosse o que eu queria muito que fosse.

    Já bem nervoso, acho que dei uns 50 cliques simultâneos em um pentelhésimo de segundo no email, com as mãos tremento, pra matar logo aquela curiosidade.

    Quando abri o email, a primeira coisa em que meus olhos focaram foi aquele ícone de um clip, indicando que realmente havia um arquivo anexo... "Ai meu Deus, será que é a Grant Letter?"

    E era...
    "Application Type: Class BN Subclass 136 Skilled – Independent
    Dear Wagner D M Nunes
     
    VISA GRANT

    I refer to this application for a Class BN subclass 136 Skilled – Independent visa, which was lodged on 29th May 2007.


    On 4 July 2008 a decision was taken to grant Wagner D M Nunes a Class BN visa."

    Olhar fixo, sem piscar, congelados nas palavras VISA GRANT.

    Euforia indescritível.

    ...

    Você já teve um sonho, na verdade, algo com o qual você não apenas sonha, mas planeja e que traz uma alegria instantânea, mesmo que fantasiosa... E mesmo sabendo que ele ainda está longe, você o fixa em sua mente e estabelece uma meta, transformando seu sonho em objetivo...

    E aí você pára de pensar no "e se..." e começa a pensar no "porque não?", no "como?" e principalmente no "quando?".

    E nesse desafio que é correr atrás de um sonho, é o "quando?" que mais mexe com a gente.

    O meu "quando" aconteceu hoje. Ainda não pisei na Austrália. Ainda não comecei a trabalhar lá. Ainda não vejo o brilho das luzes da City refletindo na Darling Harbour nem o azul cristal das águas de Bondi.

    Mas o fato é que o passo mais difícil pra executar meu sonho, transformá-lo em realidade, que parecia tão distante do mundo em que eu vivia quando tomei a decisão da transformação, está dado.

    ...

    "Congrats, Mate!" recebi por email agora a pouco de um amigo que já mora na Austrália. A ficha ainda não caiu direito.

    Turbilhão de idéias nesse momento. Vou tentar me acalmar um pouco e não tomar muito café hoje, pois já estou elétrico o suficiente, e não são nem 7 da manhã.

    Custos do visto de Residente Permanente


    Nos fruns na internet e em conversas por aí, o pessoal geralmente se refere ao visto de residência permanente simplesmente como PR, que vem de Permenant Resident, mas o nome oficial do visto, de acordo com o site da Imigração australiana é Skilled worker - subclass 136 - independent e é para este visto que apliquei -- e ainda sigo na espera.

    Um dos itens da minha to-do list era compartilhar aqui os custos que tive com o processo do visto, incluindo a preparação dos documentos até a aplicação e exames médicos. Então como prometido, aí vai a lista de despesas -- ou seriam investimentos? :) -- que tive até agora:

    DespesaEm Reais
    Curso preparatório + prova IELTS

    R$ 400,00
    Traduções juramentadas (pacote)

    R$ 140,00
    Envio de documentos para ACS (via DHL)

    R$ 140,00
    Taxa da ACS p/ Skills Assessment
    R$ 595,00
    (A$ 350,00)
    Envio docs p/ DIAC (via Sedex Mundi)

    R$ 80,00
    Taxa do Depto de Imigração para solicitação do visto
    R$ 3.391,00
    (A$ 1.995,00)
    Consulta médica com médico credenciado

    R$ 250,00
    Exames médicos de sangue e urina

    R$ 152,00
    Raios-x

    R$ 60,00
    TOTAL
    (em Reais)
    R$ 5.208,00

    Sobre o nome do visto, até onde entendi, a palavra Independent serve apenas para diferenciar de outros vistos que também dão residência, como o Sponsored por exemplo.

    Aliás, é bom informar que o subclass 136 nem existe mais. Após 1 de setembro de 2007, as regras e as classificações dos vistos mudaram. O novo tipo de visto de residência permanente de forma independent (ou seja, sem patrocínio) equivalente ao antigo 136 agora é o Subclass 175.

    E um lembrete importante em relação aos custos que compartilhei acima: estou fazendo o processo todo por conta própria, sem nenhum Agente de Imigração.

    Agentes de Imigração cobram de $ 2.000,00 a $ 6.000,000 dólares americanos pelo serviço e, apesar de ter conhecimento detalhado sobre o processo de imigração qualificada, nenhum deles dá garantia alguma de que o pedido de visto será aprovado.

    Pretendo dedicar um post a esse assunto em breve.

    Mas se você considera a possibilidade de usar um Agente de Imigração e já quiser ir dando uma pesquisada, os agentes mais citados pelo pessoal com quem converso sobre o assunto são a SCA, Visacorp e o MigrationExpert, mas não posso emitir opinião pessoal sobre nenhum deles pois, como falei acima, não estou usando nenhum agente de imigração.

    Os dois principais motivos pelo qual optei em fazer todo o processo sozinho são simples e óbvios:

    1. As informações necessárias para entender e saber se atendo os requisitos necessários para o Skilled Migration estão na internet e são grátis. Basta dedicação na pesquisa e tempo para ler e entender tudo.

    2. Eu não acho que o serviço oferecido por nenhuma dessas agências valha a quantidade de dinheiro cobrada. Até porque, no fim das contas, mesmo usando um agente de imigração, quem vai ter o maior trabalho ainda é você, pois é você que tem que juntar toda a documentação, é você que tem que estudar e tirar uma nota boa no IELTS e é você que precisa achar e pagar (separadamente) um tradutor juramentado.

    Os custos de traduções juramentadas, prova do IELTS e exames médicos NÃO estão incluídos no valor cobrado pelos Agentes de Imigração, por isso pense bem e coloque tudo na ponta do lápis antes de decidir contratar um Agente.

    Ou seja, no fim das contas, o trabalho do Agente acaba sendo apenas o aconselhamento sobre quais tipos de vistos podem ser mais adequados para você, o envio dessa documentação para a Imigração e principalmente manter você calmo quando você passar meses e meses sem nenhuma notícia sobre o seu processo.

    Bom, vou deixar o resto para outro post expecífico sobre esse assunto.

    Um abraço e até o próximo post!