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3 meses de Austrália


Outubro foi o mês em que a segunda fase do meu projeto Austrália começou a tomar forma e virar realidade: a busca do primeiro emprego em Sydney na minha área, que vou tentar contar um pouco nesse post. A procura e o aluguel do apartamento -- assunto sobre o qual recebi algumas mensagens -- fica para um futuro post.

Planejamento

Procurar emprego, seja onde for, pode demorar dias, semanas ou até mesmo meses. E indo para um país novo, viver em uma cidade nova e entrar em um mercado novo, não seria diferente.

Sabendo que a conquista do primeiro emprego em Sydney poderia levar meses -- e o pessimismo era baseado em relatos de outros profissionais de TI que já viviam na Austrália -- o ponto principal do meu planejamento financeiro foi calcular quantos meses eu conseguiria me sustentar em Sydney apenas com o dinheiro que eu estava levando, e infelizmente o número ao qual cheguei não era alto: apenas 6 meses.

Obviamente o foto principal do primeiro emprego era continuar na área de TI, mas caso precisasse acioná-lo, meu plano B era trabalhar com uns amigos em um mercado em Sydney e continuar a busca de uma posição em TI.

Felizmente, como mencionei aqui no blog, fui bem em 4 das 3 entrevistas que fiz nas primeiras semanas e acabei recebendo 3 ofertas de emprego, o que excedeu bastante as minhas expectativas.

Minha expectativa era baixa -- esperava levar meses e não semanas -- justamente por relatos que li de pessoas que já estavam por aqui há tempo, e que o aconselhável era eu ficar preparado para conseguir o primeiro emprego la pelo segundo ou terceiro més de Austrália. Já segundo outros relatos um pouco mais pessimistas, a demora poderia durar atá 6 meses. Com isso em mente, já tinha me convencido que não poderia "turistar" muito por Sydney antes de arrumar um tão sonhado job em TI.

Custos

Eu já havia feito um pequeno levantamento de custo de vida por aqui -- pelo menos o meu custo de vida para os primeiros meses, sem passeios ou gastos turísticos, baladas com moderação, compras somente essenciais, aluguel, transporte e alimentação -- e calculei que com uns A$ 2.000,00 por mês daria para ficar tranquilo. Meu cálculo se confirmou após conversar com amigos brasileiros sobre o assunto.

Entrevistas e processos de seleção

Iniciada a saga dos contatos com agências de recrutamento e entrevistas a primeira coisa que me impressionou foi o profissionalismo e boa vontade -- pelo menos aparente -- dos recrutadores. Todos entenderam minha situação de skilled migrant recém chegado, me trataram muito bem e tiveram bastante paciência em explicar em detalhes sobre como o mercado funciona tanto para funcionários full time como para contractors.

Em geral, funciona assim:

Tu achas uma vaga em algum site de emprego ou no próprio site da agencia e aplicas para a vaga (“aplicar” significa enviar o currículo para aquela vaga).

A aplicação eh recebida pela agencia que publicou a vaga (normalmente eles não te dizem quem eh o cliente que esta contratando) e o teu currículo sera analisado por um analista de RH que conhece bem o skillset do pessoal de IT (então não adianta dizer que conhece Java no CV e tentar enrolar na hora de falar com esses caras, pois eles vão saber que tu estas mentindo).

Se a agencia gostar do teu currículo, eles vão te enviar o job description e vão te convidar para uma entrevista na agencia. Nesse momento, normalmente eles já revelam quem eh o cliente e dão mais detalhes sobre salario e beneficios.

Apos a entrevista na agencia, eles decidem se tu és ou não um bom candidato e se irão te encaminhar para a entrevista final com o cliente.

Em caso positivo, eles entram novamente em contato já passando os detalhes da entrevista a ser agendada (data, horário, local, pessoa que vai te entrevistar, etc).

Quando tu chegas nessa ultima etapa da entrevista com o cliente, tu já tens uma boa chance de ser contratado, pois as grandes agencias que atendem grandes empresas já há um bom tempo sabem se um candidato vai ou não ser aprovado pelo cliente (alem disso, eles não querem queimar o filme com o cliente encaminhando um candidato meia-boca).

Já no cliente, bom, ai a coisa pode variar um pouco. Muitos fazem apenas uma entrevista final e já repassam a resposta para a agencia. Outras iniciam um outro processinho de seleção interno, onde pode haver mais de uma entrevista. Em ambos os casos, assim que a agencia fica sabendo da resposta, eles te comunicam imediatamente.

Uma coisa que eu acho particularmente interessante no processo por aqui eh que, quando as agencias entram em contato contigo apos terem recebido sua application, elas sempre perguntam se tu ainda “tens interesse na vaga” e se tu “autorizas a agencia a enviar seu CV para o cliente”.

Coloquei entre aspas pois acho isso um tanto engraçado, ainda que muito profissional da parte deles. Ora, “tu ainda tens interesse na vaga”? E tu pensas: “Eh claro que sim, ora bolas! Eu quero começar a trabalhar hoje mesmo!”, mas o sentido disso eh saber se tu já não acertaste com outra empresa ou desististe da vaga por qualquer motivo. E sobre a tal “autorizacao de envio do CV”, normalmente eh solicitada por email e de maneira um pouco mais formal, para que eles tenham um registro teu dando a autorização e assim eles evitam problemas com quebra de privacidade.

No Brasil, tu não tens a minima ideia de quem pode ou não ter uma copia do seu CV. Ate hoje eu recebo uns emails para-quedistas de empresas de RH do Sul e de SP oferecendo vagas e perguntando se eu tenho interesse em participar de processos de seleção... E eu sempre me pergunto: “Como diabos eles tem o meu CV se eu nunca ouvi falar dessa gente?”... Aqui não rola isso, pois há toda uma preocupação com o tema “privacidade da informacao”, e isso eh levado muito a serio.

Agencias de RH

Voltando as agencias, claro que existem as grandes e as pequenas... As grandes normalmente são super bem organizadas, com departamentos específicos e gente especializada para cada área do mercado.

Muitas das grandes estão focadas em apenas um segmento de mercado, como industria ou IT.

Já as pequenas, normalmente atuam sem foco em uma área especifica (alias, com foco em “todas as areas”, e por isso acabam não atendendo bem nem os candidatos e nem as empresas, como acontece com frequência no Brasil), mas o “bom” eh que essas agencias menores acabam não sendo escolhidas pelas grandes empresas para conduzir os processos de seleção.

Já nas agencias grandes, o candidato eh tratado quase que como rei. A maioria delas possui grandes escritórios em altos andares na City, com vistas privilegiadas para alguma das lindas harbours de Sydney. Eh mesmo de impressionar o índio.

Buscando as melhores vagas

Depois de aplicar para trocentas vagas, as primeiras entrevistas que surgiram foram através da Genesis IT, Talent International e Paxus, todas focadas em IT e que estão entre as maiores recrutadoras para IT na Austrália. Na media, o tratamento recebido, numa escala de 0 a 10, foi nota 11.

Bom, voltando as vagas, como mencionei em um post anterior, nas minhas 2 ultimas semanas no Brasil, eu ficava acordado ate as 3h da madrugada durante a semana (4h da tarde no horario da Australia), para poder receber ligações no SkypeIn (comprei um numero local de Sydney, assim as agencias poderiam fazer ligações locais ao invés de internacionais). E valeu muito a pena, pois o retorno foi muito bom, tanto que a vaga para a qual fui contratado teve o processo de selecao iniciado quando eu ainda estava no Brasil.

A primeira vaga que apareceu foi atraves da Genesis e eu ainda estava em Porto Alegre. Era para uma posicao permanente como Systems Analyst (com perfil mais tecnico) na PepsiCo Australia. Os pros eram: salario um pouco acima da media de mercado; vaga permanente; estabilidade; beneficios aos montes; boas chances de carreira; Os cons eram: o local de trabalho era longe de onde moro (Chatswood, ao norte de Sydney, o que daria de 45m in a 1 hora de onibus); uma das minhas atividades principais seria testar integracao de aplicacoes e eventualmente, teria que meter a mao na massa em codigo (nada de errado com isso, muito pelo contrario ,afinal eu venho da “javaland” e ainda adoro desenvolvimento e arquitetura, porem eu estou seguindo meu plano pessoal de carreira, e queria algo similar ao que eu vinha fazendo nos ultimos anos na E-Core, onde cresci bastante profissionalmente).

A segunda foi atraves da Talent International e a posicao era Data & Systems Analyst numa tal de CSC. Em principio, eu pensei: “Po, trabalhar na Pepsi iria ser show, empresa grande, conhecida, salario razoavel... Agora trabalhar numa desconhecida, essa tal de CSC, hmm, nao sei nao”... Ate que fui dar uma olhadinha no pai-google e qual nao foi a minha surpresa em descobrir que a “tal de CSC” eh uma das maiores integradoras e provedoras de outsourcing do mundo, competindo com a IBM em nivel global e que tem mais de 91.000 funcionarios em mais de 80 paises. Seu valor atual de mercado eh “apenas” $ 17 bilhoes. “Glup”. Licao aprendida: jamais subestime uma empresa somente pelo fato de ela nao estar presente no Brasil ou so porque tu nunca ouviste falar dela. Pros: empresa gigante, possibilidade ser alocado em diferentes projetos ao longo do tempo (mais experiencia), trabalhar numa gigante do mercado de IT, treinamentos e plano de carreira inclusive para contractors; Cons: salario um pouco abaixo da media de mercado; posicao de contractor por apenas 3 meses (renovavel por mais 3 ou 6); local de trabalho em North Ryde (mais longe ainda do que Chatswood, mais de 1h de bus).

A terceira foi pela Paxus e a vaga era Business Systems Analyst no RTA. Vale mencionar que, das 3 notas 11 que atribui, a Paxus mereceu uma estrelinha a mais. Ja parei pra pensar e ainda nao sei ao certo o que me fez ficar com uma impressao tao boa deles...

Acho que os motivos principais foram dois: (1) a pessoa que conduziu meu processo do inicio ao fim tambem eh imigrante e pareceu reconhecer e se solidarizar com a dificuldade que o imigrante recem-chegado enfrenta ao buscar o primeiro emprego. Ela veio do Japao ha 6 anos atras e hoje eh uma orgulhosa cidada australiana; (2) quando conversavamos eu, ela e a Account Manager que atende o RTA, me chamou a atencao que a conversa em certo ponto se tornou menos formal, quase um bate-papo onde elas queria saber qual era a minha historia, como eu vim parar aqui, como foi o processo pra conseguir o PR do outro lado do mundo... Enfim, eu senti que elas realmente queriam entender a minha historia e me ajudar da melhor forma possivel. Fiquei surpreso e muito feliz com a essa abordagem mais humana da Paxus, em contraste ao approach mais formal e frio, ainda que extremamente profissional, das outras agencias.

No fim das contas, a vaga no RTA foi a que me pareceu ter o melhor custo-beneficio e eh onde estou trabalhando desde 01/10. A job description casou bem com o que eu procurava; o salario eh algo que ate hoje eu nao acredito direito (bem acima da media do mercado, talvez por ser um orgao do Governo do Estado); a localizacao so seria melhor se fosse na City mesmo, pois trabalho em Redfern, que fica a 2 estacoes de Town Hall (fico uns 7 minutos dentro do trem e caminho mais 5 minutos da estacao de Redfern ate o Australian Technology Park); temos times independentes de desenvolvimento, teste, requisitos e integracao (semelhante a Dell, porem com o time de requisitos fazendo parte da equipe de Application Development); estou alocado em 2 projetos diferentes e ainda assim tenho tempo pra fazer minhas coisas durante o expediente. Enfim, tem mais um monte de coisas que eu gosto aqui, mas eu deixo pra contar com mais detalhes em outro post.

Mas afinal, o que eh RTA?

RTA significa Roads and Traffic Authority e eh uma mistura de EPTC + Detran + Secretaria Estadual de Transportes daqui. Aqui na Australia, cada Estado tem o seu proprio orgao de transito, e todos respondem para o Ministerio de Transportes. New South Wales tem o RTA, Victoria tem o VicRoads, e assim por diante.

Nao sei sobre os outros departamentos do Governo de NSW, mas aparentemente, cada um tem o seu IT de forma separada (o RTA tem o Traffic Systems Branch, que eh onde trabalho), o que eh diferente do RS, onde temos a PROCERGS que atende (teoricamente) todo o Estado.

Contractor x Permanent

Ahh, em tempo: queria deixar claro que nao vejo nada de mal em ser contractor, muito pelo contrario, a minha preferencia pessoal eh continuar sendo contractor. O salario quase sempre eh substancialmente melhor e em alguns lugares os contractors tem quase as mesmas regalias do quem eh staff.

Colorados na Austrália

Como bom e fanático Colorado que sou, imaginem a minha felicidade e surpresa ao saber que vários Colorados que também vivem em Sydney estavam planejando assistir as finais da Copa Sul-Americana e torcer juntos pelo Inter.

Update aos Colorados: para ajudar a representar o nosso Consulado do Inter em Sydney, criei o site Colorados na Australia. Por favor repassem a outros amigos e conhecidos que também são Colorados de Sydney :)

Foi muito legal ver essa galera toda mobilizada em plena semana, às 8 da manhã tentando achar um pub aberto e com telão onde pudéssemos conectar um laptop e assistir as finais ao vivo.

Saindo às 8 da manhã para assitir o jogo ao vivo com outros Colorados

Felizmente, encontramos um pub aberto àquela hora em Pyrmont mesmo, pertinho de onde moro.

Meus dois flatmates também mataram o trabalho aquele dia e vieram junto

Colorados reunidos para assistir a fina

E depois do jogo...

É CAMPEÃO! Inter campeão de tudo!

Partimos para a bottle shop mais próxima, encontramos mais uns Colorados pelo caminho e, como não podia faltar, partimos para um churras de comemoração!

Preparação para o churras de comemoração

Parabéns a todos os Colorados do mundo por mais esse título! E não é porque estou morando do outro lado do mundo que vou deixar de assistir e torcer ao vivo, não importa a hora do dia ou da noite, pelo meu Inter querido!

Minha terra natal


Depois de 2 meses em Sydney, completados ontem, cá estou eu, finalmente com apartamento alugado, já parcialmente mobiliado, com internet, gás, água, luz, tudo funcionando, e trazendo algumas novidades.

Conseguir alugar um apartamento com boa localização, ter a internet instalada, móveis na sala, e tudo mais nào é tarefa fácil, ainda mais em outro país onde tudo é uma experiência nova. Por mais que sejam coisas simples ou banais, estes passos que tenho dado nas últimas semanas têm um significado muito especial. Eles representam, nada mais, nada menos, do que o início da construção de uma nova vida longe da minha terra natal. E isso é uma grande mudança. É finalmente alcançar um objetivo que teve mais de 2 anos de planejamento, preparação e espera. É, pelo menos para mim, uma grande conquisa.

Estranhamente, depois desses 2 meses, não tenho sentido tanta saudade da minha terra como imaginei que sentiria, nem das coisas que fazia lá. Sinto saudade sim, e muita, das pessoas importantes que lá deixei. E das memórias de tudo que vivemos juntos.

Eu tinha certeza quase absoluta de que à essa altura, eu também sentiria muita falta das coisas da minha terra, da minha cidade, do meu Brasil. Mas para falar a verdade, é um alívio poder contar com maravilhas da tecnologia como o Skype para poder falar com quem a gente ama todos os dias -- apesar da diferença maluca do fuso horário.

Nesses 2 últimos meses aqui em Sydney, tomei meu chimarrão com novso amigos, fizemos churrasco -- no espeto e com carvão, nada de bife grelhado em assadeira elétrica -- consegui assistir os jogos do Inter ao vivo, falo e escuto nossa língua com frequência. Isso tudo somado, me trouxe um sentimento estranho, quase uma culpa, por não ter saudade das coisas que eu fazia na minha terra natal.

Mas nada disso quer dizer que eu não a continue levando em meu coração. Porto Alegre está e sempre estará no meu coração, com mais ou com menos saudade.

Primeiras semanas em Sydney


Sim sim, estou vivo :)

Não consegui colocar nada novo aqui depois daquele primeiro post logo que cheguei em Sydney. Essas 3 primeiras semanas foram muito corridas e com várias coisas boas.

Mas não pensem que eu havia esquecido do blog nesse meio tempo. Fui tomando nota de coisas e situações pelas quais passei nessas 3 semanas para não esquecer de contar nenhuma delas pra vocês. A verdade é que, nesse exato momento, tem tanta coisa coisa nova para contar que nem sei por onde começar.

Mas vamos à algumas novidades legais dessas 3 primeiras semanas.

Setup inicial da nova vida

Já abri conta em banco, fiz um TFN -- Tax File Number, que é tipo um CPF para fins fiscais e de impostos -- me registrei no Medicare, que é o serviço público de saúde (disponível apenas para residentes ou cidadãos), e já estou de celular novo com número daqui.  Foi uma ótima surpresa ver como foi fácil de fazer isso tudo, burocracia zero.

Celular novinho "de graça"

Peguei o iPhone 3G novinho no plano de $49 por mês da Optus que inclui 1 gb de dados. A Optus é uma das maiores operadoras de telefonia e internet daqui. O legal é que a maioria das operadoras (Optus, Vodafone, Telstra) oferecem esse esquema onde você pega um contrato de 1 ou 2 anos com preço fixo por mês e o aparelho que você escolher vem "de graça", sem entrada nem pagamentos adicionais por mês. Outra coisa que vale mencionar é que a internet no celular é muito boa.

Apple Store no centro de Sydney

Sonho realizado

Ver a Opera House e a Harbour Bridge com meus próprios olhos é um sonho realizado! Visitei os dois durante o dia e à noite e não consegui decidir qual hora do dia gostei mais.

No meu caso particular -- quem conhece a minha história vai entender -- ver estes lugares de perto, que são os ícones da Austrália, foi um momento que não tenho como descrever. Quando eu vi a Opera House pela primeira vez, mesmo de longe, senti o coração bater mais forte e abri um sorriso instantâneo. Difícil explicar. Sentimento de satisfação, misturado com um alívio e um orgulho de ter conseguido chegar onde sonhava. Sei lá, não encontro palavras mais exatas pra descrever o que é o sentimento de alcançar um objetivo tão grande como esse.

Chegando pertinho da Opera House pela primeira vez! Sonho realizado!

Anzac Bridge, que liga o centro à zona oeste de Sydney

Estou empregado!

A notícia mais importante veio na quarta-feira da semana passada: ESTOU EMPREGADO! Fiquei até surpreso pois estava esperando que o processo todo de envio de currículos, ser chamado para entrevistas e tudo mais poderia demorar meses, baseado no que li no Forum e pelas conversar que tive com pessoas que moram aqui faz algum tempo e conhecem o mercado melhor que eu.

Minha previsão era de arrumar emprego lá pelo segundo ou terceiro mês, e caso nada desse certo até o sexto mês, só me restaria voltar para o Brasil.

Mas felizmente, e para minha surpresa, levei menos de 3 semanas para conseguir uma boa oferta. No fim da terceira semana, recebi retorno de 3 empresas no total, e as 3 me fizeram ofertas. Duas delas eram para trabalhar como contractor -- terceirizado -- em contratos iniciais de 6 meses, e a outra oferta era full-time -- funcionário estilo CLT -- com um pouco mais de estabilidade.

Acabei optando por uma das ofertas como contractor basicamente porque a localização e o package -- pacote que inclui o salário bruto anual e superannuation -- eram ridiculamente melhores do que as outras duas ofertas. Mas eu falo mais sobre isso em um post futuro. O que importa é que estou muito feliz e realizado e não vejo a hora de iniciar no novo job :)

 2 semanas e meia! :D Vou trabalhar como no Departamento de IT de um órgão do Governo de New South Wales e começo amanhã!

Uma tarde para relaxar

Agora que o primeiro e principal objetivo já tinha sido atingido (emprego na minha área), e de passar 2 semanas estressado e focado nisso, fui dar uma passeada por aí pra relaxar. Resolvi passar a tarde dessa sexta passada em Bondi Beach, que fica a menos de 30 minutos daqui. E que lugar lindo!

Bondi Beach, um dos cartões postais de Sydney
Tamarama Beach, ao sul de Bondi Beach

Vista da coastal walk entre Bondi e Tamarama
A praia é maravilhosa, limpa e a água é transparente! Lembra um pouco algumas praias de Floripa, com o mar lindo e esverdeado. A água estava gelada e não tinha muita onda. Apesar do dia estar perfeito, tinha um ventinho gelado... Estava perfeito pra tomar um chimas e dar uma lagarteada na grama ou na areia.

Bom, por enquanto era isso. Aqui vai uma listinha de alguns assuntos que quero trazer nos próximos posts.

Currículo e cover letter no estilo Australiano e preparação para entrevistas

Quem tem bastante experiência na sua área de trabalho no Brasil sabe que é não é tão difícil se recolocar ou mesmo partir para um emprego melhor sem muito esforço por. Por aqui, as coisas são bem diferentes. Algumas dicas que, por mais simples e bobas que possam parecer na hora de montar o currículo em inglês ou se preparar para entrevistas podem somar pontos importantes na hora de pegar o primeiro emprego na Austrália.

Apesar de ter mais de 10 anos em TI, eu aprendi, e ainda estou aprendendo, várias coisas bacanas com pessoas que já trabalham com TI por aqui, inclusive com o pessoal das agências de recrutamento, que dão apoio e dicas valiosas para profissionais qualificados recém chegados.

Procurando apartamento

Atualmente estou dividindo um apartamento em Pyrmont com amigos de Porto Alegre, mas já comecei a procurar um apartamento de 1 ou 2 quartos, possivelmente também para dividir com alguém,  aqui nos arredores do centro da city. Como a demanda no aluguel está muito maior que a oferta, não é tão fácil achar um lugar bacana por um bom preço. Isso faz o processo de procura e aluguel um tanto diferente do que estamos acostumados no Brasil.

Transporte público em Sydney

Já usei o metrô, ônibus e trams em Sydney e só o que tenho a dizer é que realmente funciona. A frequência é muito boa tanto durante a semana como em sábados e domingos. Os vagões e ônibus são modernos e limpos, porém a impressão que tenho é que em geral, o transporte não é muito barato e a malha de trens cobre uma região relativamente limitada de Sydney e da Grande Sydney.

Painéis com os horários e rotas dos trens em todas as plataformas
Os australianos são gente finíssima

Além de ter ouvido histórias bacanas de pessoas de fora que foram ajudadas por australianos, eu mesmo vivi uma situação parecida. Conheci um grupo de australianas em Santiago, e uma delas trabalha com RH. Quando contei a minha história e disse que estava vindo como residente, eu percebi pelo sorriso dela que ela realmente ficou feliz por mim, por saber que não é algo fácil ou simples de se conseguir. Imediatamente ela ofereceu ajuda para fazer contatos com empresas que recrutam profissionais para IT (já que essa não era a área dela) e disse que ia pedir pro marido dela me ligar, pois ele é DBA e tem bons contatos.

Preparação e material para o IELTS

Quando ainda nem tinha aplicado para o visto e estava recém me preparando para a prova do IELTS, encontrei vários materiais preparatórios online por aí para quem quer estudar por conta própria. Quero fazer um pacote dos melhores materiais e disponibilizar aqui em breve.

Bom, por enquanto era isso. O que posso dizer para vocês no momento é que estou muito feliz e que hoje tenho a certeza de que fiz a escolha certa para a minha vida.

Um abraço a todos e até o próximo post!

Cheguei!


Cheguei em Sydney!

Mas não vou me delongar muito. Este post é apenas para avisar que cheguei bem por aqui. As primeiras impressões da cidade são as melhores possíveis. Fui super bem recebido pelo pessoal aqui. Vou morar temporariamente com amigos que também são de Porto Alegre, e o apartamento é muito bem localizado, fica em Pyrmont, bem pertinho da Darling Harbour.

Uma coisa que vale a pena mencionar: o serviço da LAN Chile é um espetáculo, nota 10. Excelente atendimento de bordo e nenhum atraso nos vôos. Aliás, chegamos em Sydney 30 minutos adiantados em relação ao horário programado.

Nas nuvens, rumo a Sydney!
Cheguei ontem as 7h e pouco aqui e já entrei na correria com aquelas primeiras coisas a serem feitas. Alem disso, já estou na correria para achar emprego. Agora é retomar os contatos com recruiters que iniciei quando ainda estava no Brasil.

Ainda não tive muito tempo de conversar com meus amigos e contar as novidades, muito menos de fazer um post decente, mas assim que a poeira baixar por aqui, eu trago mais detalhes.

Queria agraceder aqui à Marilu e ao Nei, que foram até Guarulhos para me desejar boa sorte e dar um abraço de até breve. Fiquei muito feliz em vê-los e espero que venham logo para  Sydney! Contem comigo para o que precisar do lado de cá.

Hoje é dia de correria na rua: comprar celular, abrir conta em banco, me registrar no Medicare e no Centrelink... Enfim, aquelas coisas de primeira semana.

Ontem só saí de casa pra ir num mercado aqui perto comprar comida. Volto para contar mais sobre esses primeiros dias em breve.

Um abraço a todos e até o próximo post!

Última semana


Infelizmente não tá dando tempo para tudo que eu queria fazer nessa última semana. Ficaram algumas coisinhas daquela minha famosa lista para resolver, inclusive alguns rascunhos de novos posts que não consegui finalizar ainda. Acho que só vou conseguir postar novamente depois que chegar em Sydney.

Portanto, aqui vão alguns notícias da semana passada e dessa minha última semana aqui em Porto Alegre.

Família

Tenho passado bastante tempo com o meu pai nas últimas semanas. Como já fazem alguns anos que saí de casa, não tinha passado tanto tempo com ele quanto gostaria. Aproveitamos e fomos visitar a vó algumas vezes e essa semana vou lá dar um abraço de até breve. Meu paizão tá me dando a maior força desde o início, e sei que vai sempre me apoiar e serei sempre grato por tudo.

7 festas de despedida em 2 semanas

Também estou tentando aproveitar o tempo ao máximo com meus amigos. Fico feliz por ter conseguido passar bastante tempo com eles, tanto durante a semana como no sábado e domingo. Vários happy hours, Bongôs, Mulligans e Madras de despedida.

Mas o que me derrubou mesmo foi a despedida aqui em casa no sábado. Meus melhores amigos armaram uma surpresa muito legal o resto da turma. Ganhei deles um álbum com um monte de fotos e recados da galera, de várias épocas nesses mais de 11 anos de amizade, festas e trips com as várias turmas de amigos que juntamos ao longo dos anos. Cada um deixou uma mensagem em uma página do álbum, foi difícil ler todas de uma vez só. Bah, fortes emoções...

Bom, mas passada a choradeira, minha melhor amiga pilhou todo mundo para irmos naquela noite para uma festa estilo anos 80, só com música das antigas. Foi muito divertido como sempre, exceto que no final da festa, alguns deles eu realmente vi pela última vez antes de embarcar.

Ainda bem que conseguimos ainda fazer um churras final de despedida aqui no condomínio e consegui me despedir direito de todos.

Em Porto Alegre, mas procurando emprego em Sydney

Uns dois meses atrás, eu fiz contato com uma agência de recrutamento de Sydney e expliquei a minha situação. Expliquei que já era residente permanente e que estaria chegando em Sydney em setembro.

O recruiter que me atendeu foi bastante solícito, entendeu minha situação, mas recomendou que eu começasse a procurar emprego e mandar currículos umas 2 semanas antes de chegar na Austrália. A explicação dele foi simples e fazia muito sentido: na Austrália, as empresas não têm interesse nenhum em recrutar profissionais sem nem saber ao certo -- ou sem ter garantia nenhuma -- de quando o candidato vai chegar na Austrália.

Ele também me explicou que já viu vários casos onde o candidato parece ser tecnicamente bom, aplica para uma vaga, mas quando o recruiter vai checar, o candidato não tem um visto que permita trabalhar.

Então, antes de começar a disparar meu currículo para vagas em Sydney, terça passada testar uma idéia que tive: comprei um número de telefone local de Sydney pelo Skype, para que eu possa receber ligações via Skype sem que as empresas saibam que estão falando com alguém fora da Austrália apenas olhando o número. A idéia é que, caso um recrutador tenha gostado do meu currículo e queira me ligar, ele vai discar um número local de Sydney, com prefixo 02, ai invés de ter que fazer uma ligação internacional para um celular.

Foi então que essa semana começou a saga de ficar online no Skype na madrugada. Dei uma ajeitada meu currículo em inglês, mandei para algumas vagas em Sydney e Birsbane e fiquei online até as 3h da manhã -- 16h no horário da Austrália -- esperando algum contato.

E minha idéia deu frutos. Quatro recrutadores entraram em contato e a conversa foi boa com todos eles. A dica daquele recrutador com quem falei meses atrás deu certo. O resultado foi que consegui já marcar data e hora para um papo inicial com estes quatro recrutadores já na semana seguinte após minha chegada em Sydney.

No dia do vôo

Eu saio oficialmente aqui do meu apartamento nesta quinta. Já estou levando algumas das minhas coisas para a casa do meu pai, pois vou ficar lá de quinta pra sexta e de sexta pra sábado. Tenho que estar no aeroporto as 7h e pouco da manhã de sábado.

Sydney here I come!

Sydney, my new home, here I come!

Morre lentamente


Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor ou
não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o preto sobre o branco e os pontos sobre os "is"
em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa
quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida
fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente quem passa os dias queixando-se
da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece ou
não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço
muito maior do que o simples fato de respirar. 

-- Martha Medeiros

Porto Alegre é demais


Como comentei num post anterior, o planejamento pré-viagem que fiz está me permitindo fazer coisas que eu certamente não conseguiria fazer se tivesse optado por continuar trabalhando durante agosto.

Acho que fui bem sucedido nesse ponto, pois até agora, estou conseguindo fazer tudo que tinha colocado no checklist -- imenso, por sinal -- e consegui inclusive contingenciar alguns imprevistos, como a demora na venda do carro, problema com meu contador na baixa da minha empresa, venda de alguns móveis. E ainda por cima tem me sobrado um tempo valioso.

Mas o assunto deste post é outro. Vou falar sobre uma consequência desse planejamento.

Como a venda do carro era tarefa do checklist que mais demoraria, eu a priorizei desde quando recebi o visto e thank God já está resolvida.

A consequência óbvia disso é que passei a levar mais tempo ao realizar outras tarefas do checklist, pois tive que usar o transporte público ao invés da conveniência do carro.

E é nesse ponto que eu queria chegar. Você, leitor do blog, que também mora em Porto Alegre e tem seu próprio carro há tempo, qual foi a última vez que usou transporte público? Não sei você, mas no meu caso, foi em janeiro de 2000, antes de eu comprar meu primeiro carro. Naquela época era casa-trabalho, trabalho-faculdade, faculdade-casa, todos os dias. De ônibus... e eram 6 -- sim, SEIS -- 6 ônibus por dia.

Há mais de 8 anos que eu faço tudo de carro. Mesmo morando perto da farmácia ou do shopping, por que caminhar se dá para ir de carro?

Mas nas últimas semanas, eu fiz coisas que há muito tempo não fazia. Andei pela Rua da Praia no meio da tarde, visitei o café do terraço da Casa de Cultura e curti por uns minutos aquela vista sensacional do Guaíba, dar uma banda de bicicleta no Parcão, na Redenção e no Gasômetro, atravessar a cidade de ônibus olhando para os lados observando as ruas, prédios e pessoas, ao invés de olhar o tempo todo para a frente, tenso, prestando atenção no trânsito.

Confesso que, nessas últimas semanas, na primeira vez que estava saindo de casa pra pegar um ônibus, realmente me deu um pouco de preguiça, mas depois que eu subi e sentei ao lado da janela, me dei conta que eu andei de ônibus a minha infância e adolescência toda, e nunca tinha me dado conta de como é bom poder aproveitar esses minutos dentro do ônibus. São em momentos como esses que a gente aprende a fixar as imagens da nossa cidade, nessas idas e vindas pelas ruas sem se preocupar com o caos do trânsito.

E é em dias como estes meus, os últimos em Porto Alegre sabe-se lá por quanto tempo, que a gente aprende a se dar conta da saudade que vai sentir do bairro, das ruas, das praças, e de todas as outras coisas que sempre estiveram ali, por menores e mais simples que sejam.

Nunca fui muito fã do Centro de Porto Alegre, mas vou sentir saudade de olhar pro alto do prédio da Aplub ali na Júlio de Castilhos e de tentar achar erva mate nas bancas do Mercado Público.

Não fã de procissões, mas vou sentir saudade do feriado do dia 02 de fevereiro e de ver aquele monte de barcos no Guaíba, indo do Centro em direção ao bairro Navegantes.

Não sou fã de despedidas, mas estou aproveitando ao máximo cada passeio na rua, cada caminhada no bairro, e cada minuto que passo nessa cidade e com as pessoas que amo, para que no fim, eu consiga dizer que curti muito a despedida da minha cidade e que eu possa embarcar sorrindo, mas ao mesmo tempo com uma ansiedade boa pelo que me espera do outro lado do mundo.

Porto Alegre é demais.

Vai ser difícil não sentir saudade do chimas de domingo a tarde no Parcão...
Das caminhadas na Redenção, no sentido do Brique...


E claro, do meu cartão postal preferido da cidade.


Tchau Porto Alegre, espero te ver em breve.

Planejamento


Organizar tudo que precisa ser feito antes de sair do país parece fácil, mas não é.

Aliás, eu cheguei a conclusão que a melhor coisa que eu poderia ter feito nesse processo todo foi pedir demissão 1 mês antes da viagem. Fica a dica aos que, assim como eu, não tem uma namorada ou esposa querida e organizada para tomar conta das tarefas burocráticas que precedem a partida.

Por outro lado, é muito bom ter tempo disponível pra dormir, descansar, ler, etc, mas o mais importante é poder aproveitar o horário comercial pra fazer aquelas coisinhas que exigiriam aquelas escapadas do escritório. Algumas delas foram:

  • Fazer uma procuração de plenos poderes pra deixar com meu pai. Precisa ter firma reconhecida em cartório.
  • Solicitar baixa da minha empresa/pesso ajurídica. Os formulários também precisam de firma reconhecida.
  • Transferência do carro para o novo proprietário no Detran.
  • Buscar caixas de papelão para no mercado para a mudança.
  • Arranjar uma caixa para a bicicleta em alguma loja especializada.
  • Comprar mais uma mala de 32 kg no Centro.
Hoje, com essa experiência pré-mudança rumo a outro continente adquirida, algumas dicas que considero valiosas para quem vai passar -- ou está passando -- por uma situação parecida são:

  • Faça um checklist por escrito -- e não mental -- de tudo que tu puder lembrar de coisas que você precisa resolver antes de partir. Imprima o checklist e o coloque em algum lugar da casa onde você o veja várias vezes por dia, pois com certeza você vai lembrar de mais coisas ao longo dos dias. Não esqueça de coisas como alterar o endereço de correspondência no banco, seguradora, previdência privada, etc.
  • Quando o checklist estiver grande o suficiente, coloque em ordem os itens que precisam ser feitos por primeiro. Algumas coisas só podem ser feitas mesmo na última semana (por exemplo: cancelar a internet e o plano do celular. Outras, o quanto antes, melhor, como vender seu carro, por exemplo, pois esse tipo de coisa pode levar tempo.
  • Reserve pelo menos 3 semanas de tempo livre antes da data da viagem. Assim você terá tempo de visitar seus amigos e parentes e aproveitar bem os últimos dias no Brasil com eles. Eu reservei 1 mês e acho que foi o tempo ideal pra mim. Como já vendi o carro, estou fazendo muita coisa de ônibus, lotação ou taxi, que toma mais tempo do que se tivesse de carro.
  • Faça uma limpa nas roupas velhas e tralhas que estão pegando poeira na estante. Este é o melhor momento para fazer aquele sacolão de roupas para doação e para colocar no lixo aquela tralha que tu achavas que tinha algum valor sentimental.
  • Descubra as regras de excesso de bagagem de TODAS as companhias aéreas envolvidas no vôo. Por exemplo, eu estou indo de TAM de Porto Alegre até Guarulhos. Os demais trechos serão pela LAN Chile. Cada companhia tem regras de cálculo diferentes para o excesso de bagagem. Assim você não vai tomar nenhum susto na hora de pagar pelo excesso no check-in.  
  • Faça o teste da bagagem. Pegue as malas que e organize tuas roupas e quinquilharias exatamente como se fosses organizar no dia da viagem. Isso vai te ajudar a decidir se vai precisar de mais malas ou não. No meu caso, foi muito útil, pois o meu achômetro me dizia que eu não precisaria de uma terceira mala, mas no fim tive que comprar.
  • Tem amigos na Austrália? Mande um email pra eles pra saber se não tem ninguém vindo passar umas férias no Brasil. Se houver, seu amigo não vai se importar em levar uma mala pequena para você quando ele estiver voltando pra Austrália.
     
  • Arranje tempo para visitar TODOS os seus amigos e parentes. A essa altura do campeonato, você já deve ter se dado conta que não vai vê-los por um bom tempo. Planeje tempo com cada uma das pessoas que são importantes para você. Pode ter certeza de que ir embora sem dar aquele último abraço em um grande amigo do peito vai doer mais em você do que nele.
Eu li os todas as sugestões de itens de checklist que o pessoal do Forum Canguru sugeriu, mas tenho certeza que só vou lembrar de alguma coisa na última hora.

Faltam só 18 dias! Contagem regressiva!

Um abraço e até o próximo post!

Mais dicas de blogs


Troquei alguns emails com os autores e só tenho uma coisa a dizer: é incrível a nossa predisposição a ajudar a nossa própria gente... fiquei surpreso e feliz com as respostas dos emails...

Valeu Juliano e Jerry! See you guys soon!

Ju e Marti - Casal de Porto-alegrenses que moram em Sydney e que parecem estar super felizes com a escolha que fizeram de mudar para a Austrália. Ele, trabalhe com TI e ela é jornalista. Espero poder conhecê-los pessoalmente em breve.

Australia Brazil - Pode-se dizer que o Jerry é um blogger assíduo. Posta novos textos com frequência e sempre com temas interessantes. Tem opiniões contundentes e um ponto de vista bacana e bem realista da vida em Oz.

Desempregado e feliz


Estou na correria com a preparação para a mudança definitiva para Sydney, então só vim postar rapidinho algumas novidades já que o blog ficou parado nesses últimos dias.

Desempregado e feliz

Estou oficialmente desempregado desde a última segunda. Conversei com o diretor da empresa sobre aquela possível oportunidade em Nova York e fiquei surpreso ao ouvir que estava próximo de virar realidade, mas ainda não era possível colocarmos uma data numa possível transferência para a filial americana.

Conversamos de forma honesta e aberta e por fim, acabei decidindo pedir demissão, pois como já estava com o visto australiano na mão e portas abertas para me mudar para Sydney, era a melhor opção para mim naquele momento, pois precisava de pelo menos um mês organizar tudo e curtir minha família e amigos antes da partida.

Passagem Comprada

Estou com a passagem comprada para Sydney. Resolvi ir de LAN Chile em função do caos noticiado recentemente com os vôo da Aerolineas Argentinas e dos incidentes de roubo de bagagem no aeroporto de Ezeiza. O custo da passagem foi um pouco maior, mas a diferença foi pouca e acho que valeu a pena. Embarco rumo a Sydney no dia 6 de setembro.

Liquidação

Já consegui vender a maioria das coisas que eu realmente precisava vender. móveis, TV, eletrodomésticos e algumas outras tralhas.

Burocracia antes da partida

Essa semana ainda tenho que
  • Fechar minha empresa (eu prestava serviços como pessoa jurídica).
  • Providênciar uma certidão negativa do banco, comprovando que não tenho dívida nenhuma em aberto.
  • Concluir a venda do carro e transferir para o novo proprietário.
  • Passar o meu celular para pré-pago.
  • Ligar pra mil lugares diferentes pra mudar o endereço de correspondência pra casa do meu pai.
  • Fazer uma procuração de plenos poderes para o meu pai caso eu tenha esquecido alguma coisa.
Bom, por enquanto era isso. Mais novidades em breve. Agora é contagem regressiva para Sydney!

Despedidas


Finalmente ter recebido o tão esperado email com a Grant Letter foi aquela alegria, aquela euforia, com uma mistura de tremedeira nas pernas com uma leve taquicardia e aquele pensamento inevitável e ansioso de "bom, e agora?"...

No forum e conversando com o pessoal online eu sempre brincava que se eu recebesse a Grant Letter durante o dia de trabalho, ou durante uma reunião, eu iria chutar tudo pra cima, mesa, cadeira, chefe e tudo mais. Mas fiquem tranquilos, eu consegui me conter numa boa. A parte engraçada era que todo mundo no trabalho fez algum comentário naquele dia sobre como eu estava bem humorado e sorrindo por nada, mesmo sem ter a mínima idéia da grande notícia que eu tinha recebido horas antes.

Mas nos dias seguintes, passada a euforia da conquista, tinha algo que começou a mudar meu semblante consistentemente algumas horas por dia: despedidas.

Sempre me achei tranquilo em relação a despedidas, talvez porque nunca tivesse passado por uma de verdade. Ano passado, quando fui trabalhar vários meses na Argentina, meus amigos me surpreenderam no aeroporto um pouco antes do vôo. Foi uma baita surpresa e confesso que tive que fazer força pra engolir o choro. Isso que eu iria passar apenas uns 6 meses fora. O plano era ficar direto por lá uns 3 meses sem voltar pra Porto Alegre, voltar por um final de semana aqui, e depois retornar para Buenos Aires e terminar o trabalho.

Mas e quem disse que foi fácil?

Com saudade apertando no peito, algumas mudanças no planejamento, um cliente financeiramente generoso e um pouco de sorte, consegui voltar para Porto Alegre para passar um fim de semana apenas após 1 mês e meio em Buenos Aires. Mesmo sendo pouco tempo fora nessa primeira etapa do trabalho por lá, o que eu mais queria era rever todo mundo logo, saber o que eles estavam fazendo, o que mudou na minha ausência, sair com o pessoal nos nossos lugares favoritos, enfim, tudo o que sempre fizemos juntos.

E foi nesse dia comecei a ter uma noção mais exata de como seria estar longe da minha terra, dos meus amigos e da minha família por tanto tempo -- possivelmente por anos sem voltar ao Brasil.

No fim das contas, o tempo que vivi e trabalhei na Argentina acabou sendo um período de pré-adaptação, um tipo de treinamento pró-desapego e anti-saudade em que aprendi muito sobre mim mesmo e sabia melhor o que esperar quando fosse para Sydney de mala e cuia.

Eu pensava: "E quando sair o meu visto? Não vai ser como agora, que eu posso voltar pra casa uma ou duas vezes por mês... provavemente eu vou passar um ano ou até mais sem ver essa galera toda, como vou encarar essa?"...

Aquilo me incomodou por um bom tempo, mais até do que eu gostaria ou do que eu queria admitir.

Me peguei algumas vezes olhando pro nada, pensando no dia em que eu estivesse embarcando pra Sydney, dando aquele último tchau para os meus amigos, provavelmente com a cara vermelha e soluçando, no mesmo local onde me começou a cair a ficha ano passado antes de ir pra Buenos Aires e com a mesma vontade de que o vôo atrasasse, só para ficar um pouco com eles antes de partir.

...

Semanas depois, já com passgem marcada para Sydney e correndo para resolver tudo em Porto Alegre antes de partir, uma das minhas melhores amigas que vai passar um tempo em Londres tinha organizado uma festa de despedida, e resolvemos juntar os grupos de amigos para iniciar a minha despedida também.

E aí foi aquela função toda, duas turmas grandes lá, uma galera com quem eu me encontrava pelo menos uma vez por semana há anos, desde a época de faculdade.

Quando os primeiros começaram a ir embora, muitos abraços, um pouco de choro aqui e ali, mesmo com todo mundo sabendo que essa nossa amiga retornaria dali a alguns meses, afinal, era apenas um intercâmbio, ela não estava indo definitivamente morar fora.

Eu lembro direitinho o que me passou pela cabeça. Foi muito parecido com a despedida surpresa no aeroporto antes de eu embarcar para Buenos Aires ano passado, só que pior, mais triste, um pouco mais carregado. E ali, mesmo ainda não sendo a minha última despedida, começou a cair a ficha de verdade, e caiu como um piano na minha cabeça.

E na volta pra casa, um amigo pra quem dei carona me diz "tá começando a cair a ficha, né meu?"...

Eu só consegui responder com um "hmm hmm" em tom baixo e vazio.

Tipos de vistos


Nem todo mundo sabe, mas existem vários tipos de visto que permitem estadia permanente e temporária na Austrália com permissão para trabalhar.

O objetivo deste post é mostrar que também é possivel imigrar para a Austrália através de outros tipos de visto, não só para quem é de TI. Recebi várias menságens de leitores perguntando quais outras opções poderiam ser buscadas para quem não se encaixa no skilled migration.

Vale lembrar que muitos destes não se aplicam a maioria de nós, meros mortais, muito menos quando aplicamos de fora da Austrália (offshore application).

Outros aplicam-se a uma ou outra área de atuação restrita, como médicos ou atletas profissionais, por exemplo. Mesmo assim, quero mostrar aos interessados que, dependendo da sua área de atuação, você pode encontrar menos dificuldade -- ou não -- na busca do seu visto.

Vamos mostrar aqui as opções de visto disponíveis atualmente, as of julho de 2008, de acordo com o site do Departamento de Imigração da Austrália.

Os vistos estão divididos nas seguintes categorias -- a lista é grande, mas não desanime:


Skilled workers: vistos de residência permanente para profissionais qualificados

Aplicantes que não vivem na Austrália:
  • Skilled – Independent (Migrant) visa (subclass 175) -- o mesmo que fiz.
  • Skilled – Sponsored (Migrant) visa (subclass 176)
  • Skilled – Regional Sponsored (Provisional) visa (subclass 475)
  • Skilled – Recognised Graduate (Temporary) visa (subclass 476)
Aplicantes que estão na Austrália:
  • Skilled – Independent (Residence) visa (subclass 885)
  • Skilled – Sponsored (Residence) visa (subclass 886)
  • Skilled – Regional (Residence) visa (subclass 887)
  • Skilled – Regional Sponsored (Provisional) visa (subclass 487)
  • Skilled – Graduate (Temporary) visa (subclass 485)

Sponsorship: vistos de residência permanente ou temporária baseado em patrocínio por uma empresa Australiana

Temporary Visas
  • Temporary Business Long Stay – Standard Business Sponsorship (subclass 457)
  • Medical Practitioner Visa (subclass 422)
  • Educational Visa (Subclass 418)
Permanent Visas
  • Employer Nomination Scheme (subclass 121/856)
  • Regional Sponsored Migration Scheme (subclass 119/857)

Vistos de negócios

  • Business (Short Stay) visa (subclass 456)
  • Sponsored Business Visitor (Short Stay) visa (subclass 459)
  • ETA (Business Entrant) (subclass 956 and 977)
  • APEC Business Travel Card
  • usiness Owner (Provisional) (Subclass 160)
  • State/Territory Sponsored Business Owner (Provisional) (Subclass 163)

Vistos para executivos de empresas

  • Senior Executives (Provisional) (Subclass 161)
  • State/Territory Sponsored Senior Executive (Provisional) (Subclass 164)
  • Independent Executive Further Application Onshore (Subclass 457IEFAO)
  • Business Talent (Migrant) (Subclass 132)

Vistos para empreendedores e investidores

  • Investor (Provisional) (Subclass 162)
  • State/Territory Sponsored Investor (Provisional) (Subclass 165)
  • Investor Retirement Visa (Subclass 405)
  • Investor (Residence) (Subclass 891)
  • State/Territory Sponsored Investor (Residence) (Subclass 893)
  • Business Owner (Residence) (Subclass 890)
  • State/Territory Sponsored Business Owner (Residence) (Subclass 892)
  • Established Business in Australia (Subclass 845)
  • Regional Established Business in Australia (Subclass 846)

Vistos para atividades especiais

  • Distinguished Talent visa (Offshore) (subclass 124)
  • Distinguished Talent visa (Onshore) (subclass 858)
  • Domestic Worker (Diplomatic/Consular) Visa (Subclass 426)
  • Domestic Worker (Executive) Visa (Subclass 427)
  • Exchange Visa (Subclass 411)
  • Entertainment Visa (Subclass 420)
  • Foreign Government Agency Visa (Subclass 415)
  • Medical Treatment Short Stay Visa (Subclass 675)
  • Medical Treatment Long Stay Visa (Subclass 685)
  • Media and Film Staff Visa (Subclass 423)
  • Religious Worker Visa (Subclass 428)
  • Retirement Visa (Subclass 410)
  • Investor Retirement Visa (Subclass 405)
  • Special Programs Visa (Subclass 416)
  • Sport Visa (Subclass 421)
  • Visiting Academic Visa (Subclass 419)

    Fonte: Site do Department of Immigration and Border Protection

    Se você é um skilled worker, é bem provável que o 175 seja o melhor caminho para você.

    Em outro post pretendo dar mais detalhes sobre os requisitos e primeiros passos para aplicação para o visto de residente permenente (subclass 175).

    Enquanto isso...

     

    ... tempos depois, a sujeira do famoso Mensalão ainda continua sendo desmascarada.

    Entenda a Operação Satiagraha da Polícia Federal - fonte Globo.com.

    A corrupção interminável em praticamente todos os níveis de governo no Brasil e a certeza de que o dinheiro dos impostos que eu pago estão cada vez mais indo para o bolso de bandidos só me faz ter mais certeza de que aqui não é mais o meu lugar.


    Enquanto partidos políticos continuarem comprando parcelas menos favorecidas da população com cestas básicas, meu voto não é suficiente para fazer as coisas mudarem. E como não quero que meu dinheiro seja roubado, só me resta partir.


    GRANT LETTER recebida!


    Longos 1 ano, 1 mês e 17 dias.

    Impossível descrever o que passa pela cabeça quando você abre o email às 06h30 da manhã e sente a ansiedade de uma longa espera quebrada pela vontade de rir, chorar, gritar e pular sem parar causada por um simples arquivo PDF anexado a um email.

    A ficha ainda não caiu... mas é real, é verdade. A espera terminou.

    Ainda com aqueles olhos semi-abertos, eu devo ter olhado para minha inbox e esfregado os olhos umas dez vezes antes de abrir aquele emai cujo remetente era ASPC.region4@immi.gov.au.

    Hesitei alguns segundos antes de abrir o email. Pensei "será, será mesmo?"... "Sei lá, pode ser apenas o Case Officer pedindo algum documento adicional...", tentando não me decepcionar caso não fosse o que eu queria muito que fosse.

    Já bem nervoso, acho que dei uns 50 cliques simultâneos em um pentelhésimo de segundo no email, com as mãos tremento, pra matar logo aquela curiosidade.

    Quando abri o email, a primeira coisa em que meus olhos focaram foi aquele ícone de um clip, indicando que realmente havia um arquivo anexo... "Ai meu Deus, será que é a Grant Letter?"

    E era...
    "Application Type: Class BN Subclass 136 Skilled – Independent
    Dear Wagner D M Nunes
     
    VISA GRANT

    I refer to this application for a Class BN subclass 136 Skilled – Independent visa, which was lodged on 29th May 2007.


    On 4 July 2008 a decision was taken to grant Wagner D M Nunes a Class BN visa."

    Olhar fixo, sem piscar, congelados nas palavras VISA GRANT.

    Euforia indescritível.

    ...

    Você já teve um sonho, na verdade, algo com o qual você não apenas sonha, mas planeja e que traz uma alegria instantânea, mesmo que fantasiosa... E mesmo sabendo que ele ainda está longe, você o fixa em sua mente e estabelece uma meta, transformando seu sonho em objetivo...

    E aí você pára de pensar no "e se..." e começa a pensar no "porque não?", no "como?" e principalmente no "quando?".

    E nesse desafio que é correr atrás de um sonho, é o "quando?" que mais mexe com a gente.

    O meu "quando" aconteceu hoje. Ainda não pisei na Austrália. Ainda não comecei a trabalhar lá. Ainda não vejo o brilho das luzes da City refletindo na Darling Harbour nem o azul cristal das águas de Bondi.

    Mas o fato é que o passo mais difícil pra executar meu sonho, transformá-lo em realidade, que parecia tão distante do mundo em que eu vivia quando tomei a decisão da transformação, está dado.

    ...

    "Congrats, Mate!" recebi por email agora a pouco de um amigo que já mora na Austrália. A ficha ainda não caiu direito.

    Turbilhão de idéias nesse momento. Vou tentar me acalmar um pouco e não tomar muito café hoje, pois já estou elétrico o suficiente, e não são nem 7 da manhã.

    Custos do visto de Residente Permanente


    Nos fruns na internet e em conversas por aí, o pessoal geralmente se refere ao visto de residência permanente simplesmente como PR, que vem de Permenant Resident, mas o nome oficial do visto, de acordo com o site da Imigração australiana é Skilled worker - subclass 136 - independent e é para este visto que apliquei -- e ainda sigo na espera.

    Um dos itens da minha to-do list era compartilhar aqui os custos que tive com o processo do visto, incluindo a preparação dos documentos até a aplicação e exames médicos. Então como prometido, aí vai a lista de despesas -- ou seriam investimentos? :) -- que tive até agora:

    DespesaEm Reais
    Curso preparatório + prova IELTS

    R$ 400,00
    Traduções juramentadas (pacote)

    R$ 140,00
    Envio de documentos para ACS (via DHL)

    R$ 140,00
    Taxa da ACS p/ Skills Assessment
    R$ 595,00
    (A$ 350,00)
    Envio docs p/ DIAC (via Sedex Mundi)

    R$ 80,00
    Taxa do Depto de Imigração para solicitação do visto
    R$ 3.391,00
    (A$ 1.995,00)
    Consulta médica com médico credenciado

    R$ 250,00
    Exames médicos de sangue e urina

    R$ 152,00
    Raios-x

    R$ 60,00
    TOTAL
    (em Reais)
    R$ 5.208,00

    Sobre o nome do visto, até onde entendi, a palavra Independent serve apenas para diferenciar de outros vistos que também dão residência, como o Sponsored por exemplo.

    Aliás, é bom informar que o subclass 136 nem existe mais. Após 1 de setembro de 2007, as regras e as classificações dos vistos mudaram. O novo tipo de visto de residência permanente de forma independent (ou seja, sem patrocínio) equivalente ao antigo 136 agora é o Subclass 175.

    E um lembrete importante em relação aos custos que compartilhei acima: estou fazendo o processo todo por conta própria, sem nenhum Agente de Imigração.

    Agentes de Imigração cobram de $ 2.000,00 a $ 6.000,000 dólares americanos pelo serviço e, apesar de ter conhecimento detalhado sobre o processo de imigração qualificada, nenhum deles dá garantia alguma de que o pedido de visto será aprovado.

    Pretendo dedicar um post a esse assunto em breve.

    Mas se você considera a possibilidade de usar um Agente de Imigração e já quiser ir dando uma pesquisada, os agentes mais citados pelo pessoal com quem converso sobre o assunto são a SCA, Visacorp e o MigrationExpert, mas não posso emitir opinião pessoal sobre nenhum deles pois, como falei acima, não estou usando nenhum agente de imigração.

    Os dois principais motivos pelo qual optei em fazer todo o processo sozinho são simples e óbvios:

    1. As informações necessárias para entender e saber se atendo os requisitos necessários para o Skilled Migration estão na internet e são grátis. Basta dedicação na pesquisa e tempo para ler e entender tudo.

    2. Eu não acho que o serviço oferecido por nenhuma dessas agências valha a quantidade de dinheiro cobrada. Até porque, no fim das contas, mesmo usando um agente de imigração, quem vai ter o maior trabalho ainda é você, pois é você que tem que juntar toda a documentação, é você que tem que estudar e tirar uma nota boa no IELTS e é você que precisa achar e pagar (separadamente) um tradutor juramentado.

    Os custos de traduções juramentadas, prova do IELTS e exames médicos NÃO estão incluídos no valor cobrado pelos Agentes de Imigração, por isso pense bem e coloque tudo na ponta do lápis antes de decidir contratar um Agente.

    Ou seja, no fim das contas, o trabalho do Agente acaba sendo apenas o aconselhamento sobre quais tipos de vistos podem ser mais adequados para você, o envio dessa documentação para a Imigração e principalmente manter você calmo quando você passar meses e meses sem nenhuma notícia sobre o seu processo.

    Bom, vou deixar o resto para outro post expecífico sobre esse assunto.

    Um abraço e até o próximo post!

    Colocando um sonho em prática


    Eu sabia que queria algo novo, diferente, que me desse aquele frio na barriga que a gente sente quando faz uma mudança grande na vida, uma mudança que a gente quer muito.

    Já tinha me formado em uma boa universidade e trabalhava no Centro de Desenvolvimento de Software da Dell, um ótimo para trabalhar. Vislumbrava como um próximo objetivo fazer um Mestrado na minha área, talvez com um pé em gestão e outro em tecnologia, não tinha certeza se queria assumir um compromisso longo assim, de 2 ou mais anos. Só tinha a certeza que iria encarar um Mestrado com certeza, mais cedo ou mais tarde.

    Em empresas de tecnologia como a Dell, a maioria dos projetos de software são de nível global e temos que interagir com pessoas de vários países -- nesse caso, eram mais americanos, indianos e chineses -- e sempre acabamos aprendendo um pouco sobre a cultura desses colegas distantes e melhorando o nível de inglês ao mesmo tempo.

    Foi então que surgiu uma oportunidade real de ter minha primeira experiência de trabalho no exterior pela Dell, e confesso que fiquei muito empolgado com a idéia, mas nada estava confirmado ainda. E foi a partir daí que comecei a sonhar sobre como seria viver e trabalhar no exterior, as possíveis alegrias e tristezas, sucessos e fracassos, descobertas e saudades.

    Eu tinha 24 anos e não tinha certeza -- e nem me preocupava tanto com isso na época -- sobre os próximos passos que deveria tomar na minha carreira. Poderia continuar focado na área tecnica ou mover progressivamente para alguam área de negócios ou mesmo gestão de projetos -- e tinha alguma idéia do esforço e tempo que cada um levaria. Porém a idéia de tentar carreira no exterior nunca me saiu da cabeça, como aquela pulguinha atrás da orelha que te morde todas as noites antes de dormir.

    Quando pensava nisso, naquela época, a opção mais óbvia me parecia ser os Estados Unidos, simplesmente pelo fato de já estar trabalhando em uma empresa de lá. Inglaterra e Canadá também pareciam ser opções interessantes, mas a verdade é que eu não sabia nada sobre como seria morar e trabalhar nesses dois países.

    Sempre gostei de conversar muito sobre esse tipo de assunto com colegas da Dell e descobri que eu não era o único que buscava uma chance de mover permanentemente para os Estados Unidos pela empresa. Ouvi histórias sobre gente que tentou ir de forma permanente, mas ao receber um não como resposta, saiu da empresa. Teve também quem resolveu quebrar os pratos com a gerência do Brasil e tentar uma vaga diretamente nos Estados Unidos... Enfim, o fato é que parecia ser realmente difícil fazer isso acontecer pelos canais apropriados dentro da empresa.

    Oportunidade

    Em setembro de 2006 veio então a chance de ir a trabalho para os Estados Unidos e, entre trabalho em Austin e turismo em Nova York, a experiência toda só me fez confirmar que era aquilo mesmo que eu queria para o meu futuro. E tinha certeza que um projeto temporário de alguns meses, ou mesmo uns anos, não seria suficiente. Eu não queria data de volta marcada, nem um visto limitado. Eu queria uma imersão total em outra cultura, respirar outros ares, um a nova vida. Mas não tinha certeza se seria nos States e nem pela Dell.

    A experiência em Austin foi maravilhosa em todos os aspectos, sem dúvida, mas voltei para o Brasil com aquele gosto bem claro de "quero mais". Eu queria poder fazer grandes planos e ir de mala e cuia, de muda pro exterior, continuar trabalhando com o que gosto e iniciar outra vida com a qualidade e os horizontes que o Brasil nunca vai conseguir me dar.

    Depois de muita pesquisa e conversa, entendi que o problema em realizar um movimento de carreira permanente para os Estados Unidos pela Dell -- assim como qualquer outra empresa global que usa serviços de uma filial ou fornecedor offshore -- é que não faz sentido nenhum para a empresa mover permanentemente um funcionário de um país como Brasil, Índia ou China para os Estados Unidos, já que a diferença de salários e outros custos do mesmo funcionário alocado nos Estados Unidos é muito grande.

    É um ponto válido, afinal, se eu fosse acionista de uma empresa global, eu também não gostaria que os custos aumentassem em função de um funcionário do Brasil que quer ir os Estados Unidos, afinal ele custaria pelo 3 vezes ou mais.

    E foi aí que eu decidi que era hora de tentar vôos maiores, de colocar o sonho em prática.

    A Dell é um lugar ótimo para trabalhar, não há dúvidas sobre isso. Se tivesse a oportunidade de trabalhar novamente, eu iria com muito orgulho. Aprendi muito lá e sou muito grato pelo crescimento profissional e pessoal que tive lá, mas aquela idéia de viver e trabalhar no exterior permanentemente me fez voltar ao mercado e sondar outras empresas que pudessem me ajudar a realizar esse sonho.

    Outra estrada

    Foi então que, no início de 2007, acabei aceitando a oferta de outra empresa de software também em Porto Alegre, e que parecia também ser um ótimo lugar para trabalhar. Mas o grande atrativo dessa oferta não foi apenas o salário maior nem uma posição melhor, mas sim uma oportunidade concreta de ir trabalhr no exterior.

    Assumi um novo papel, amadureci profissionalmente e aperfeiçoei ainda mais o inglês que já era fluente.

    Foi então que nesta nova empresa, um colega me contou sobre um ex-funcionário que tinha ido para a Austrália viver e trabalhar permanentemente, mesmo sem ter um contrato de trabalho previamente acertado. Ou seja, era possível conseguir um visto que me permitiria entrar e ficar na Austrália permanentemente mesmo sem emprego.

    De início, eu desconfiei da informação, então dei uma pesquisada rápida no Google para ver se achava algo concreto... e achei.

    Depois de algumas horas perplexo por ter encontrado o que podia ser a chave para minha carreira no exterior, li naquela tarde tudo sobre o programa de Imigração Qualificada -- Skilled Migration -- no site do Departamento de Imigração Australiano e, apesar de não ter certeza se atendia todos os requisitos do programa, tomei nota da infinita lista de documentos necessários para fazer o pedido do visto e resolvi correr atrás.

    E aquilo virou a prioridade da minha vida pelos meses seguintes.

    Foram uns bons quilos de papel pra providenciar. Originais, cópias autenticadas em cartório e traduções juramentadas -- que não é um serviço barato, diga-se de passagem -- de vários documentos: RG, CPF, certificado de reservista militar, título eleitoral, certidão de nascimento, diploma de bacharelado, histórico com as notas das disciplinas do bacharelado...

    Encarei também a saga que foi solicitar que as empresas onde trabalhei nos 6 anos anteriores concedecem as cartas em inglês comprovando que trabalhei em cada uma delas.

    E teve ainda o curso de preparação para a prova do IELTS, mas essa foi uma das etapas mais legais de toda minha jornada para conseguir o visto permanente, pois conheci muita gente legal no curso, e alguns se tornaram grandes amigos.

    Depois de ter a papelada toda reunida e de já terrecebido o resultado do IELTS, era hora de enviar tudo para a ACS -- Australian Computer Society -- que é o órgão Australiano que avalia os candidatos de TI que pretendem solicitar o visto premanente através do programa de imigração qualificada.

    O tempo entre o envio da papelada e o recebimento da carta da ACS confirmando que atendo os requisitos de experiência e idioma, foram 3 longos meses de espera e ansiedade.

    O próximo passo foi então enviar toda a papelada junto com a confirmação da ACS para o Departamento de Imigração e fazer a aplicação para o visto. Haviam vários tipos de vistos de residência, com regras e requisitos diferentes, e o meu era chamado de Subclass 136 - Independent.

    Eis que finalmente, em 29 de maio de 2007, eu recebi um email da Imigração informando que meu processo havia sido aberto. E aí se iniciou uma looooooooonga espera.

    Seis meses se passaram, nenhum contato da imigração sobre meu processo... fui perdendo a angústia pela espera.

    Mestrado iniciado na UFRGS...
    Muito trabalho e novas responsabilidades na empresa...
    Um grande projeto de software em Buenos Aires...
    Mestrado interrompido...
    Sonhos, planos, e a volta daquela ansiedade.
    Quando? Quando? Quando?

    Plano B

    Eu estava impaciente e decidi que precisava de um plano B.

    Nessas idas e vindas entre Buenos Aires e Porto Alegre, resolvi que precisava ter uma conversa com um dos diretores da empresa onde trabalhava e sondar novamente o assunto oportunidades no exterior, pois eu já havia manifestado a minha vontade de uma transferência para a filial de Nova York ele havia respondido positivamente, era apenas questão de tempo.

    NA conversa, abri o jogo e disse que tinha planos de ir para a Austrália, mas que por outro lado estava muito satisfeito na empresa e queria saber quais os próximos passos necessários para fazer a transferência para NY acontecer. Para minha surpresa, a recebi foi que a filial de NY estava indo muito bem e iria expandir em breve e precisar de mais gente por lá, e eu um candidato natural a mover para lá, o que me deixou super empolgado.

    Eu trabalho melhor com datas, faço meus planos ao redor de datas chave, então sugeri colocarmos dia 1o de Setembro como prazo para nossa conversa sobre novas oportunidades para mim na filial de Nova York, e assim o fizemos.

    Então agora é acalmar os nervos, sentar e esperar. Contagem regressiva para 1o de Setembro.

    Seja com plano A ou plano B, eu vou realizar meu sonho, de uma forma ou de outra.

    Descobrindo blogs


    Passei a semana passada toda trabalhando em um cliente aqui em Santa Catarina, e ontem, o dia mais feliz da semana -- o "dia do check out" --  meu vôo de volta para Porto Alegre estava programado, como sempre, para as 19h... Mas, também como sempre, atrasou... e muito.

    O vôo vinha do Rio, onde o aeroporto estava fechado por causa do tempo feio e, ontem a noite, aqui em Floripa aconteceu o mesmo... e pra piorar, tinha possibilidade do Salgado Filho fechar... ou seja, eu provavelmente teria horas e horas de espera antes de embarcar para Porto Alegre.

    Como esse vôo vinha tendo pelo menos 1 hora de atraso religionamente todas as sexta-feiras, hoje depois do almoço eu achei um blog -- dica que encontrei no Forum Canguru, pra variar -- que conta a jornada de um jovem casal, também de Porto Alegre, que se mudou para Sydney, que também é meu destino preferido para quando meu visto de PR sair.

    Comecei a ler os posts desde o início e achei muito bacana a história de como eles foram parar na Austrália. Não vou divulgar ainda o link, pois ainda não recebi autorização dos autores.

    Mas voltando ao aeroporto... como um cara organizado que sou, antes de iniciar as meetings da tarde, eu baixei os posts desse blog para o laptop para poder ler mais tarde, sabendo que pelo menos 1 horinha de atraso eu ia encarar no aeroporto.

    Bom, dito e feito. O atraso de quase 3 horas tava lá me esperando, mas confesso que o tempo passou voando, porque consegui ler todos os posts.

    O mais legal disso tudo é que mesmo sem nunca ter visto as pessoas que escrevem esses blogs que eu tenho lido -- como o do Beto, do Jerry, e agora, o desse casal, entre outros -- é que apenas pelo jeito de escrever e pela forma como as opiniões, experiências e comentários são expostos, a gente tem uma estranha impressão de já conhecer um pouco essas pessoas, como se já tivéssemos convivido com elas.

    E não só por estar lendo e imaginando as situações por eles vividas, mas também porque algumas destas pessoas também são de Porto Alegre, então a sensação que eu tenho é de que um conhecido conseguiu realizar o seu sonho de viver na Austrália e eu, acompanhando tudo do lado de cá, fico com aquela curiosidade do tipo "e agora, onde será que eles estão?", "que outras novas experiências nunca antes imaginadas eles estão vivendo lá nesse momento?", entre outras curiosidades.

    Sentimento estranho, porém motivante. Salve a blogosfera!