26 Abril 2012

Perguntas & Respostas: Visto de Estudante ou PR?


A questão não é nova mas ainda causa muito debate e foi levantada via LinkedIn pelo Rafael:


Estou pensando em ir para Sydney como estudante de inglês e no período em que estiver aí conseguir algum trabalho em TI (mais precisamente Java Web) em meio período (já que é isso o que visto de estudante permite). Queria saber se alguém já passou por essa situação e se foi difícil conseguir alguma coisa. É difícil conciliar as horas de estudo com trabalho? Há preconceito? Existe muita burocracia?

Rafael Afonso.



Esta questão não é nova em nenhum dos grupos de discussão que participo e com freqüência ela volta a pipocar por aí. Vou tentar esclarecer alguns dos pontos da questão acima.

Primeiramente, a obtenção do PR (Permanent Residency), que às vezes é chamado incorretamente de "visto de trabalho", quando o correto é "visto de residência permanente", permite viver e trabalhar na Austrália por tempo indeterminado e não é um processo fácil e nem rápido. Com este visto, não há nenhuma restrição quanto ao número de horas que o detentor do visto pode trabalhar, em contraste ao visto de estudante, que só permite trabalhar 20 horas por semana -- porém existe muita gente na Austrália que trabalha muito mais do que isso na semana, o que é ilegal.

Sugiro aos que planejam vir a Austrália como estudante e "tentar a sorte" aqui que façam duas coisas:
  • Consulte um agente de imigração para saber se há opções mais interessantes para que você venha com um visto mais interessante (PR, regional sponsorship, etc). Talvez você já atenda os requisitos mínimos e nem saiba. Procure aconselhamento de quem entende.
  • Se mesmo assim você ainda quer vir como estudante e tentar um trabalho em TI aqui, o pré-requisito FUNDAMENTAL é o inglês. Não quero soar pessimista, mas é a realidade. Bom inglês falado é obrigatório, afinal, não tem como ir bem em uma entrevista ou mesmo trabalhar em equipe se você não consegue se comunicar. Não importa se você é um expert nessa ou naquela tecnologia, sem inglês decente, você vai acabar ficando no sub-emprego.
Por isso, seja no Brasil ou aqui na Austrália, encare os estudos do idioma a sério, pois certamente um bom nível de inglês é o primeiro passo para um bom emprego em TI na Austrália.

Para quem estiver interessado no assunto, escrevi um pouco sobre os desafios da carreira no exterior em outro post aqui no blog e no site MinhaCarreira.com.

Fiquem a vontade para deixar perguntas ou sugestões nos comentários.

Um abraço, 
Wagner.

18 Abril 2012

Carreira no exterior: objetivo concreto ou sonho distante – Parte III

Alguns meses atrás, iniciei uma série de artigos sobre carreira no exterior no site MinhaCarreira.com e há algumas semanas atrás publiquei a terceira e última parte do meu texto sobre o tema.

Neste último artigo, falo sobre os principais desafios e compartilha algumas das minhas experiências dos últimos 3 anos e meio trabalhando e vivendo na Austrália, bem como as de outros profissionais que também vieram para este lado do mundo e conseguiram crescer em suas carreiras.

O título da série de artigos é "Carreira no exterior: objetivo concreto ou sonho distante" e abaixo estão os links para as três partes do texto:
Espero que gostem. Fiquem a vontade para continuar enviando suas perguntas por comentário, e-mail, facebook ou twitter.

Um abraço,
Wagner.

16 Abril 2012

Perguntas & Respostas: Áreas da TI

A questão abaixo foi levantada via LinkedIn pelo Carlos Garcia Júnior e é sobre as diferentes áreas dentro da TI:


Estou vendo muita gente perguntando de sponsor e empregos aqui na Austrália. Porem, TI é muito vago e engloba muitas tecnologias para você afirmar algo do tipo "Se você é de TI e tem um inglês bom, venha para Austrália que eles precisam de você!".

O que vejo no grupo são muitos profissionais de Java falando que o mercado está quente. Mas e as outras tecnologias? .Net, DBAs SQL ou Oracle, BI?

O que os outros profissionais tem a dizer sobre suas tecnologias? O que tenho visto na minha area, basicamente .Net, a demanda é muito grande, porem a concorrência tambem é. Tem muitos indianos e asiaticos concorrendo com você a muitos vezes com o PR na mão.

Carlos Garcia Júnior


Este ponto foi muito bem levantado pelo Carlos. Realmente há uma certa "generalização" quando se fala em mercado de IT na Austrália.

O mercado como um todo, na minha visão, segue sim aquecido, inclusive seguiu contratando mesmo durante a GFC. Porém, em termos mais específicos, o fato é que dentro de IT, a área de desenvolvimento de software é e sempre foi a mais aquecida.

Quanto às tecnologias, minha percepção é de que Java é disparado a tecnologia com maior demanda, seguida das tecnologias Microsoft (.Net e SharePoint em específico), e depois PHP e outras.

Áreas como SAP, BI, IS, DBAs também tem seu mercado, mas entendo que é um tanto menor do que a àrea de desenvolvimento de software, até porque há uma certa resistência em contratar gente sem ou com pouca experiência, visto que a grande maioria das empresas que usam ferramentas como BI, por exemplo, são empresas grandes e com volumes de dados enormes e que, muitas vezes por política interna, não contratam profissionais sem experiência, justamente porque estas posições lidam com informação muito sensível.

Por outro lado, nas áreas de Java, .Net e PHP, por exemplo, é muito comum ver empresas de todos os portes contratando profissionais de todos os níveis (júnior, pleno e senior). E minha percepção é de que normalmente as empresas contratam mais profissionais junior/pleno, pois muitas vezes elas preferem manter apenas 1 ou 2 profissionais senior por equipe, geralmente atuando como líder técnico.

Áreas como infra, helpdesk e network management, por exemplo, parecem ter uma rotatividade maior, pois a impressão que tenho é que estas são as únicas áreas dentro de IT que tem um procura maior que oferta no mercado.

07 Abril 2012

Sobre o brasileiro morto em Sydney


Muitos de vocês já devem saber do caso do brasileiro de 21 anos que morreu aqui em Sydney, vítima do despreparo de alguns oficiais da NSW Police que não só confundiram o paulista com outra pessoa (que teria roubado um pacote de bolachas de uma loja de conveniências), mas também o matou através do uso abusivo, excessivo e inapropriado de tasers (arma de choque).

Caso você não tenha ouvido falar do caso, este link tem todas as notícias publicadas sobre o caso no site da Globo.

Update: semana passada o Profissão Repórter fez uma matéria muito boa sobre o caso. Veja o programa na íntegra aqui.

Independente de fazermos julgamentos pessoais ou não, ou do próprio fato do guri ter ou não roubado um biscoitos, ou mesmo de estar drogado ou bebado como algumas pessoas especulam, NADA, absolutamente NADA justifica a perda da vida de uma pessoa de 21 anos. NADA.

Como vi no Facebook, absurdos como “estou com a polícia”, “quem mandou correr?”, "devia estar fazendo coisa errada mesmo", etc, vem justamente de outros brasileiros que também moram na Austrália e que, da forma mais ignorante possível, expressam a estupidez de ser racistas e aversos ao próprio povo.
O que me perturba de certa forma no momento é imaginar como a polícia teria lidado com a mesma situação se o cara fosse Australiano.

E qual a causa-raiz do "incidente" (as autoridades locais e inclusive o Cônsul brasileiro preferem usar o tempo "incidente" ao invés de "crime")? DESPREPARO da polícia. Simples. Em uma discussão sobre o assunto com amigos, alguns argumentam que a Polícia daqui é muito "educada e bem preparada" quando abordam pessoas nas ruas ou motoristas nas blitz. Ora, abordar uma pessoa ou um motorista numa situação normal onde não há risco nenhum, onde não está ocorrendo uma perseguição ou em qualquer outra situação de baixo/nenhum stress é fácil e não exige grandes treinamentos técnicos ou preparos psicológicos. São situações como a do brasileiro Roberto Laudisio que requerem sim preparo tanto técnico como psicológico ao abordar um "incidente" como tal.

E na minha opinião, essa foi a falha da Polícia. Falta de PREPARO ao lidar com uma situação de stress.

Não estou dizendo que todos os policiais são despreparados, com certeza não devem ser todos, mas os envolvidos sim, que aliás eram SEIS, sim, SEIS policiais, que estranhamente não conseguiram conter fisicamente UM jovem desarmado. Estes sim devem encarar as consequencias deste que não foi apenas um "incidente", e sim um CRIME, um homicidio.

Agora penso, porém, se a culpa é realmente só do despreparo dos officers envolvidos mesmo, ou se também é da NSW Police como um todo, pois mostraram na TV uns dias atrás que o "treinamento" que eles recebem é de 8 horas (pouco, suficiente, ou muito? não sei dizer), sendo que metade é teórico e metade é prático, e que cada officer dispara o taser apenas (agora sim, acho pouco) DUAS vezes durante o todo o treinamento.

Talvez o problema principal esteja aí: não é apenas dando teoria e prática pra um officer que ele já estará habilitado a usar o taser. Deveria haver algum outro tipo de treinamento/preparo psicológico (?) ou no mínimo avaliação pra saber se os officers que carregam tasers estão "on the same page" em relação ao critério para uso do taser.

No caso do guri que morreu, das duas uma: ou os officers simplesmente não sabiam dos critérios sob os quais o uso do taser é recomendado/aceito, ou sabiam apenas a teoria e simplesmente não tiveram preparo psicológico para fazer uma judgement call mais apropriada.

20 Março 2012

Perguntas & Respostas: Emprego em IT na Austrália

Retomando as atividades aqui no blog, mesmo continuando sem muito tempo pra escrever, resolvi postar alguns dos emails e mensagens que seguem chegando pelo blog.

Então, pra retomar a série "Perguntas & Respostas", segue a mensagem do Bruno Nascimento*, que entrou em contato pelo Facebook:

Ola Wagner,

Meu nome e Bruno eu sou DBA aqui no Brasil e decidi largar tudo aqui no Brasil para conhecer a Australia e conseguir trabalhar no exterior, estive lendo o seu Blog e do seu amigo Beto. Ficarei em Sydney e estarei chegando ai no dia 25/09, mas como sou filho de Deus peguei uma semana de ferias para ficar em Bondi Beach, e somente depois comecar o curso de ingles, gostaria de saber que dicas voce teria para me passar e vi que voce trabalha na area de TI, que assim que tirar o Fist Certification irei tentar.....


Obrigado.



Fala Bruno,

Então cara, a primeira coisa a fazer é traduzir teu curriculo pro inglês, dando destaque para as áreas que tu tens mais experiência. Caso tu tenhas trabalhado em alguma empresa grande, é legal destacar também. Por aqui eles valorizam bastante certificações, então caso tu possuas alguma, dá um destaque também.

Com o CV pronto, aí não tem outro caminho a não ser procurar nos sites de emprego (seek.com.au, mycareer.com.au, etc). Dá uma olhada no LinkedIn que tem um grupo chamado BRITA, que tem vários brasileiros que trabalham com IT por aqui.

Como tu já deves saber, não é tão fácil arrumar um emprego part-time em IT por aqui, basicamente porque as empresas precisam justamente de gente disponível full-time, e também em parte porque estudantes geralmente tem menos "seriedade" e compromisso, pois muitas vezes são jovens e estão aqui só pra estudar e curtir mesmo.

Bom, como mencionei acima, acho que o primeiro passo é montar um currículo bem traduzido e nos padrões daqui, e só então dar o próximo passo.

Se tu tiveres mais dúvidas, é só dar um alô aí, ok?

Ah, uma pergunta: tu te importarias se eu postasse essa tua dúvida lá no meu blog? Imagino que talvez tenha mais gente por aí com dúvidas parecidas e que poderia aproveitar pra compartilhar esse nosso papo no blog.

Um abraço,
Wagner.



* Bruno autorizou a postagem da mensagem por ele enviada aqui no blog.

Em breve quero postar outros emails com dúvidas interessantes e que talvez possam dar mais informações a outros leitores do blog.

18 Dezembro 2011

Fases - Shared accommodation

Em setembro deste ano, quando completei 3 anos de Austrália, postei este texto falando um pouco sobre como é estranha a percepção do tempo passar mais rápido quando se vive algo tão intenso. Falei também um pouco sobre os desafios superados e algumas das fases pelas quais passei desde a minha chegada a este lado do mundo.

Apesar de terem se passado apenas 3 anos, a impressão que tenho é que revivi algumas daquelas mesmas fases de adolescência e pós-adolescência, quando arrumei o primeiro estágio e gradualmente fazia uma mudança do meu foco exclusivo nos estudos para um foco mais amplo em carreira e graduação.

Entre aquela época e o meu ínicio de Austrália, pude facilmente identificar pelo menos duas fases. Uma delas foi a busca do primeiro emprego e a evolução na carreira e a outra foi quando resolvi saír da casa do meu pai e dividir apartamento com um amigo.

Dividir apartamento é uma das coisas mais comuns na Austrália e em outros países que recebem muitos estudantes estrangeiros. Certamente não é a opção mais luxuosa ou confortável, porém sem dúvida é a mais barata.

Na Austrália, shared accommodation é praticamente um setor do mercado. É muito comum achar shareds por aqui onde 3 ou 4 pessoas por quarto (às vezes mais), em um apartamento de 2 ou 3 quartos, por AU$ 150/semana, por exemplo. O preço é meio tabelado, mas dependendo do seu nível de tolerância/exigência, é possível achar opções mais caras ou mais baratas.

Entre as coisas boas de morar numa shared sem dúvida a mais importante delas é fazer amizade com os novos flatmates. Se eles estiverem em uma rotina parecida com a sua (estudantes, full-time workers, etc) é bem provável que vocês começarão a fazer quase tudo juntos: ir pra balada, ir no super, ir pro pub e até mesmo indicar uns aos outros no trabalho.

Como falei no texto anterior, meu caso foi um pouco diferente. Como fiz todo o processo do skilled migration e consegui o visto de residência ainda no Brasil, eu já cheguei na Austrália com permissão de trabalhar full-time na minha área (IT) e por isso o meu primeiro objetivo era arrumar o primeiro emprego.

Porém, como é normal pra quem vai morar no exterior, eu precisava achar um lugar pra morar, mesmo que temporário, e vim com recursos financeiros limitados (eu havia me planejado para conseguir viver numa boa por 6 meses mesmo sem emprego). Antes de chegar em Sydney, eu só tinha um amigo morando por aqui, e que vivia em uma shared com outros gaúchos. Graças a ele eu cheguei em Sydney já com moradia garantida (eu pagava o valor padrão, $150 por semana) e, também graças a ele, fiz amigos que hoje considero parte da minha família.

Nas primeiras semanas, minha rotina foi bem tensa. Estava enviando currículos para várias vagas e me preparando para as entrevistas. Sem saber ao certo quando começaria a trabalhar, a preocupação de ter uma reserva financeira em Reais porém ter que gastar em Dólar Australiano não me deixava em paz, e as vezes até atrapalhava com o sono.

Nessa época de início de Austrália e com a incerteza de quando o primeiro pagamento em moeda local vai aparecer, é comum manter os gastos bem controlados, fazer aquela pesquisa de preço no supermercado, comprar somente o básico e dar preferência para as home brands (que são as marcas do próprio supermercado, geralmente bem mais baratas que as demais), fazer só passeios sem custo pela cidade e praticamente nada de balada.

Foi nessa minha fase inicial morando em shared que conheci as principais baladas e pubs da City. A preferência geral da galera era pelos pubs e baladas de backpackers. Sem dúvida foi a época mais divertida da minha vida em Sydney. Bons eram os tempos em que rolava aquele aquece no apartamento antes de ir pra balada. Era engraçado que, mesmo após anos morando aqui e sabendo que as baladas começam e terminam cedo, o pessoal da shared sempre extendia a festa no apartamento e sempre acabávamos saindo de casa super tarde.

Todo fim de semana era a mesma coisa e as festas no apê muitas vezes eram melhores do que a balada pra onde a gente ia. Várias vezes chegava gente de fora, normalmente gringos e gringas que nenhum de nós conhecíamos, batiam na porta e iam entrando na festa... E muitas vezes o pessoal acabava nem saindo mesmo, de tão boa que a nossa festinha era... Ahh bons tempos aqueles... Hoje cada um seguiu um rumo diferente. Três dos meus melhores amigos dessa época voltaram para o Brasil e iniciaram seus próprios negócios. Os outros continuam por aqui, formaram família e estão na busca do seu visto de permanência. Fico feliz por eles por ver que não ficaram parados olhando a vida passar e hoje todos têm uma vida muito melhor do que há 3 anos atrás...

Como eu disse anteriormente, essas amizades formadas no início da vida na Austrália foram e sempre serão a coisa mais importante que alguém pode ter quando decide viver no exterior.

E comigo não foi diferente.

Um grande abraço aos meus amigos Giba, Rafão, João, Bier, Dandinho e Faé.


04 Novembro 2011

Porque os sindicatos não tem força na Austrália

As constantes notícias sobre as disputas trabalhistas entre a Qantas e os sindicatos ultimamente tem cada vez mais me chamado a atenção sob um aspecto: apesar de os sindicatos terem os mesmos objetivos e exercerem o mesmo papel que os sindicatos do Brasil, o interesse pelos trabalhadores em filiar-se a um sindicato é cada vez menor.

A explicação é simples: as empresas por aqui já adquiriram a consciência e entenderam há muito tempo que recompensar, confiar, dar treinamento de qualidade, incentivar, dar autonomia e criar um bom ambiente de trabalho não é mais algo considerado "opcional", algo que as empresas podem se dar o luxo de decidir se vão ou não proporcionar aos seus funcionários. É algo tão necessário, e porque não dizer obrigatório, quanto ter eletricidade na fábrica para poder produzir.

E se dermos um passo a trás e olharmos a maioria das empresas Australianas, vamos notar que a maioria já implementa, ou pelo menos se preocupa, com a qualidade de vida do funcionário no trabalho e com sua satisfação dentro da empresa.

E conforme as empresas Australianas olham, entendem e atendem as necessidades financeiras e motivacionais de seus funcionários, menos elas vão precisar interagir com os sindicatos, pois os funcionários, bem pagos e satisfeitos, não tem grandes razões para buscar apoio nos sindicatos.

Pelo que percebo por aqui, a grande diferença é que a quantidade de funcionários legitimamente vadios e oportunistas é bem menor do que em países de terceiro mundo, onde a cultura da corrução existe há séculos. Veja bem, não estou dizendo que não existe gente vadia e oportunista na Austrália, estou apenas constatando que a ocorrência desse tipo de coisa é bem menor, e por isso a reduzida força e poder que têm os sindicatos por aqui.

Esta matéria do Sydney Morning Herald fala um pouco mais sobre as mudanças que têm acontecido nas relações entre empresas, sindicatos e trabalhadores, e uma das constatações mais evidentes é de que o número de trabalhadores interessados em filiar-se a algum tipo de sindicato realmente têm caído.

A disputa trabalhista em si levantada pelos baggage handlers, pilotos e sindicatos praticamente já tem uma solução pronta para ser adotada: a Qantas já colocou na mesa um plano de aumento de remuneração, garantia de centenas de empregos (coisa inédita em empresas privadas) e melhores condições de trabalho, porém os sindicatos continuam batendo o pé, pois parecem se importando mais com a atenção que estão recebendo da imprensa do que com a solução da disputa trabalhista em si.

Enfim, sei que esse assunto não tem muito a ver com o blog ou com o que eu costumo escrever por aqui, mas achei interessante pegar algo que tem estado presente na mídia por tanto tempo e tentar traçar um paralelo entre o tema "sindicatos" na Austrália e no Brasil.


01 Novembro 2011

Carreira no exterior: objetivo concreto ou sonho distante – Parte II

Como já havia comentado neste post em Maio aqui no blog, iniciei uma série de artigos sobre carreira no exterior no site MinhaCarreira.com e recentemente publiquei a segunda parte do meu artigo Carreira no exterior: objetivo concreto ou sonho distante.

Neste segundo texto eu falo brevemente sobre algumas das maneiras mais comuns entre profissionais brasileiros que conseguiram estabelecer e progredir em suas carreiras fora do Brasil. Os quatro caminhos mais comuns são:

  • Movimento interno ou transferência dentro da mesma empresa
  • Projeto interno de curto/médio/longo prazo
  • Sponsorship (patrocínio)
  • Visto de residência permanente

Para mais informações, veja o texto completo no MinhaCarreira.com. Recomendo também a leitura da primeira parte do do artigo, publicada também em Maio no MinhaCarreira.com.

28 Outubro 2011

Cidadania Australiana

Para quem já possui visto de residência permanente, obter a cidadania Australiana não chega a fazer grande diferença no dia a dia de quem já tem sua vida e rotina estabelecidas por aqui.

Ao se tornar um cidadão Australiano, basicamente, as diferenças:
  • Você passa a ser obrigado a votar sempre que houver eleições
  • Alguns empregos só aceitam candidados que são cidadãos Australianos, como algumas posições nas Forças Aéreas e Armadas, Exército, Serviço de Inteligência e Polícia Federal.
  • Você pode solicitar o passaporte Australiano.

Das três acima, imagino que a que faz maior diferença na prática para a maioria é a obtenção do passaporte Australiano, pois na hora de viajar para alguns lugares (principalmente para o UK e resto da Europa) certamente é mais fácil entrar com um passaporte Australiano do que um Brasileiro.

Ano passado muito se ouviu falar nos noticiários sobre muitos brasileiros que tiveram visto negado ou que foram simplesmente deportados por "outros motivos" ao tentar entrar na Espanha e na Inglaterra. Com um passaporte Australiano em mãos, imagino que a possibilidade de passar por uma situação dessas seria bem menor.

Para os que já estão aqui na Austrália a tempo suficiente e pretendem pedir a cidadania, atenção para as mudanças nos requisitos mínimos que entraram em vigor em Julho do ano passado:
  • O aplicante deve ter vivido na Austrália, com um visto válido, por no mínimo 4 anos antes da aplicação, sendo que destes 4 anos, pelo menos 1 ano com visto de residente permanente é obrigatório.
  • O aplicante não pode ter se ausentado da Australia por mais de 1 ano durante os últimos 4 anos, incluindo não mais do que 90 dias no ano anterior ao dia da aplicação.

Atendendo os requisitos e submetendo a aplicação para cidadania com sucesso, você então pode marcar seu Citizenship Test, que é uma provinha de conhecimentos gerais sobre a Austrália para mostrar que você é um "bom cidadão" e sabe pelo menos um pouquinho sobre o país que agora é sua casa.

Mais informações no site do Department of Immigration and Citizenship.

20 Setembro 2011

3 Anos de Austrália

A sensação que tenho é de que cheguei há alguns meses apenas, de tanto que não vi esses 3 anos passarem tão rápido.

Claro que olhando para trás e lembrando das coisas importantes (e outras não tão importantes) que aconteceram na minha vida por aqui, fica fácil ter uma noção mais correta de quanto tempo realmente passou, mas o mais importante é que sinto que superei os principais desafios de estabelecer uma vida concreta e saudável longe do Brasil.

Fases

É engraçado lembrar de tudo que passei desde que cheguei na Austrália e, mais engraçado ainda, é ver como é fácil identificar as fases pelas quais passei.

Os primeiros meses de vida em Sydney certamente foram os que deixaram as memórias mais marcantes. Quando cheguei, só tinha um amigo que morava por aqui e que, como na maioria dos casos de quem chega por aqui, ele me ajudou com hospedagem, me explicou como funcionava o transporte, os preços das coisas, onde achar o supermercado... Mas o mais importante é que foi através dele fiz os grandes amigos que hoje considero parte da minha família na Austrália.

Como maioria dos recém-chegados, morei em uma shared accommodation com essa galera por alguns meses e sem dúvida vivi os meses mais divertidos da minha vida na Austrália. Morar em shared é involve desprender-se totalmente dos confortos que se tinha no Brasil e mais do que nunca exercitar o respeito pelo espaço alheio. Foi uma experiência maravilhosa da qual só guardo boas recordações.

A fase seguinte inicia com a conquista do primeiro emprego, mesmo ainda sem entender direito as diferenças de ser contractor ou permanent, sem saber quanto vou pagar de imposto e nem ter idéia de como é a cultura das empresas australianas. Por sorte (ou não) iniciei minha carreira em Sydney sendo contractor e hoje vejo que foi a melhor decisão que tomei desde que cheguei aqui (mas isso é assunto pra outro post).

As primeiras entrevistas de emprego e a tensão na busca do primeiro emprego nos deixam ligados 24 horas por dia, as vezes até com dificuldade para dormir, já pensando nas ligações e entrevistas do dia seguinte. Até que, em um espaço de 3 semanas e depois várias entrevistas, recebi três ofertas de trabalho.

A primeira descartei de cara, pois o perfil da vaga não se encaixava direito comigo. Eu havia aplicado de qualque forma porque no início a gente simplesmente não escolhe muito e aplica para tudo que acha que é capaz de fazer. Já as outras duas ofertas me deixaram muito tentado. O package (salário + benefícios + superannuation) era muito bom em uma, que era uma posição permanente, porém o valor hora, o ambiente de trabalho e a flexibilidade eram muito sedutores na outra, que era uma posição para contractor.

Quando eu estava pronto para aceitar a oferta da vaga permanente, tendo a estabilidade em mente acima de tudo, lembrei de um dos meus objetivos quando iniciei o processo de imigração: a qualidade de vida.

Depois de queimar muitos neurônios pensando em que caminho tomar durante um dia inteiro, recebi a derradeira ligação da empresa que me oferecera a vaga permanente para dar a resposta final. Ao pegar o telefone, eu ainda não tinha uma resposta concreta em mente, mas ao iniciar o papo com o simpático greco-australiano que me entrevistou, ele falou algo do tipo "eu entendo a tua situação e sei que tu tens outra oferta, mas fechando conosco tu vais ter um longo e tranquilo caminho pela frente"... E foi ali que eu tomei a decisão mais importante desde a minha chegada em Sydney.

Agradeci muito, mas recusei a oferta.

Liguei para a agente que me recrutara para a vaga de contractor e com um sorriso que não conseguia conter, aceitei a oferta sem um pingo de dúvida. "Congratulations for your first job in Australia", ela disse, praticamente sentindo a felicidade na minha voz. Decidi assumir o risco de uma vaga sem tanta estabilidade, porém com uma flexibilidade (e salário) maior, e com um grande desafio pela frente: encarar um novo emprego que não teria nada de "longo e tranquilo" pela frente.

Tudo são fases nessa vida. A tensão da fase inicial, a fase de encarar os medos e partir pra rua em busca de emprego, a fase da pesquisa e estudo para entender como o novo país funciona... Tudo são fases, e o que me move na vida é a gana por superar cada uma delas.