18 Dezembro 2011

Fases - Parte II, Shared Accommodation

Em setembro deste ano, quando completei 3 anos de Austrália, publiquei a primeira parte deste texto com o objetivo de falar um pouco sobre as fases pelas quais passei desde que cheguei em Sydney.

Apesar de terem se passado apenas 3 anos, a impressão que tenho é que revivi algumas daquelas mesmas fases pós-adolescência, quando arrumei o primeiro estágio e estava aos poucos fazendo um shift do meu foco só nos estudos para um foco mais amplo em carreira e graduação.

Entre aquela época e o meu ínicio de Austrália, eu pude facilmente identificar pelo menos duas fases. Uma delas foi a busca do primeiro emprego e a evolução na carreira (vou falar mais sobre isso na terceira parte desse post) e a outra foi a época de quando saí da casa do meu pai e fui dividir apartamento com um amigo.

Dividir apartamento (também conhecido como viver em shared accommodation) é uma das coisas mais comuns na Austrália e em outros países que recebem muitos estudantes estrangeiros. Certamente não é a opção mais luxuosa ou confortável, porém sem dúvida é a mais barata. Em geral, é fácil achar um shared onde vivem 2 ou 3 pessoas por quarto, em um apartamento de 2 ou 3 quartos, por AU$ 150 por semana. O preço é meio tabelado, mas dependendo do seu nível de tolerância/exigência, é possível achar opções mais caras ou mais baratas.

Entre as coisas boas de morar numa shared sem dúvida a mais importante delas é fazer amizade com os novos flatmates. Se eles estiverem em uma rotina parecida com a sua (estudantes, full-time workers, etc) é bem provável que vocês começarão a fazer quase tudo juntos: ir pra balada, ir no super, ir pro pub e até mesmo indicar uns aos outros no trabalho.

Como falei no texto anterior, meu caso foi um pouco diferente. Como fiz todo o processo do skilled migration e consegui o visto de residência ainda no Brasil, eu já cheguei na Austrália com permissão de trabalhar full-time na minha área (IT) e por isso o meu primeiro objetivo era arrumar o primeiro emprego.

Porém, como é normal pra quem vai morar no exterior, eu precisava achar um lugar pra morar, mesmo que temporário, e vim com recursos financeiros limitados (eu havia me planejado para conseguir viver numa boa por 6 meses mesmo sem emprego). Antes de chegar em Sydney, eu só tinha um amigo morando por aqui, e que vivia em uma shared com outros gaúchos. Graças a ele eu cheguei em Sydney já com moradia garantida (eu pagava o valor padrão, $150 por semana) e, também graças a ele, fiz amigos que hoje considero parte da minha família.

Nas primeiras semanas, minha rotina foi bem tensa. Estava enviando currículos para várias vagas e me preparando para as entrevistas. Sem saber ao certo quando começaria a trabalhar, a preocupação de ter uma reserva financeira em Reais porém ter que gastar em Dólar Australiano não me deixava em paz, e as vezes até atrapalhava com o sono.

Nessa época de início de Austrália e com a incerteza de quando o primeiro pagamento em moeda local vai aparecer, é comum manter os gastos bem controlados, fazer aquela pesquisa de preço no supermercado, comprar somente o básico e dar preferência para as home brands (que são as marcas do próprio supermercado, geralmente bem mais baratas que as demais), fazer só passeios sem custo pela cidade e praticamente nada de balada.

Foi nessa minha fase inicial morando em shared que conheci as principais baladas e pubs da City. A preferência geral da galera era pelos pubs e baladas de backpackers. Sem dúvida foi a época mais divertida da minha vida em Sydney. Bons eram os tempos em que rolava aquele aquece no apartamento antes de ir pra balada. Era engraçado que, mesmo após anos morando aqui e sabendo que as baladas começam e terminam cedo, o pessoal da shared sempre extendia a festa no apartamento e sempre acabávamos saindo de casa super tarde.

Todo fim de semana era a mesma coisa e as festas no apê muitas vezes eram melhores do que a balada pra onde a gente ia. Várias vezes chegava gente de fora, normalmente gringos e gringas que nenhum de nós conhecíamos, batiam na porta e iam entrando na festa... E muitas vezes o pessoal acabava nem saindo mesmo, de tão boa que a nossa festinha era... Ahh bons tempos aqueles... Hoje cada um seguiu um rumo diferente. Três dos meus melhores amigos dessa época voltaram para o Brasil e iniciaram seus próprios negócios. Os outros continuam por aqui, formaram família e estão na busca do seu visto de permanência. Fico feliz por eles por ver que não ficaram parados olhando a vida passar e hoje todos têm uma vida muito melhor do que há 3 anos atrás...

Como eu disse anteriormente, essas amizades formadas no início da vida na Austrália foram e sempre serão a coisa mais importante que alguém pode ter quando decide viver no exterior.

E comigo não foi diferente.

Um grande abraço aos meus amigos Giba, Rafão, João, Bier, Dandinho e Faé.


04 Novembro 2011

Porque os sindicatos não tem força na Austrália

As constantes notícias sobre as disputas trabalhistas entre a Qantas e os sindicatos ultimamente tem cada vez mais me chamado a atenção sob um aspecto: apesar de os sindicatos terem os mesmos objetivos e exercerem o mesmo papel que os sindicatos do Brasil, o interesse pelos trabalhadores em filiar-se a um sindicato é cada vez menor.

A explicação é simples: as empresas por aqui já adquiriram a consciência e entenderam há muito tempo que recompensar, confiar, dar treinamento de qualidade, incentivar, dar autonomia e criar um bom ambiente de trabalho não é mais algo considerado "opcional", algo que as empresas podem se dar o luxo de decidir se vão ou não proporcionar aos seus funcionários. É algo tão necessário, e porque não dizer obrigatório, quanto ter eletricidade na fábrica para poder produzir.

E se dermos um passo a trás e olharmos a maioria das empresas Australianas, vamos notar que a maioria já implementa, ou pelo menos se preocupa, com a qualidade de vida do funcionário no trabalho e com sua satisfação dentro da empresa.

E conforme as empresas Australianas olham, entendem e atendem as necessidades financeiras e motivacionais de seus funcionários, menos elas vão precisar interagir com os sindicatos, pois os funcionários, bem pagos e satisfeitos, não tem grandes razões para buscar apoio nos sindicatos.

Pelo que percebo por aqui, a grande diferença é que a quantidade de funcionários legitimamente vadios e oportunistas é bem menor do que em países de terceiro mundo, onde a cultura da corrução existe há séculos. Veja bem, não estou dizendo que não existe gente vadia e oportunista na Austrália, estou apenas constatando que a ocorrência desse tipo de coisa é bem menor, e por isso a reduzida força e poder que têm os sindicatos por aqui.

Esta matéria do Sydney Morning Herald fala um pouco mais sobre as mudanças que têm acontecido nas relações entre empresas, sindicatos e trabalhadores, e uma das constatações mais evidentes é de que o número de trabalhadores interessados em filiar-se a algum tipo de sindicato realmente têm caído.

A disputa trabalhista em si levantada pelos baggage handlers, pilotos e sindicatos praticamente já tem uma solução pronta para ser adotada: a Qantas já colocou na mesa um plano de aumento de remuneração, garantia de centenas de empregos (coisa inédita em empresas privadas) e melhores condições de trabalho, porém os sindicatos continuam batendo o pé, pois parecem se importando mais com a atenção que estão recebendo da imprensa do que com a solução da disputa trabalhista em si.

Enfim, sei que esse assunto não tem muito a ver com o blog ou com o que eu costumo escrever por aqui, mas achei interessante pegar algo que tem estado presente na mídia por tanto tempo e tentar traçar um paralelo entre o tema "sindicatos" na Austrália e no Brasil.


01 Novembro 2011

Carreira no exterior: objetivo concreto ou sonho distante – Parte II

Como já havia comentado neste post em Maio aqui no blog, iniciei uma série de artigos sobre carreira no exterior no site MinhaCarreira.com e recentemente publiquei a segunda parte do meu artigo Carreira no exterior: objetivo concreto ou sonho distante.

Neste segundo texto eu falo brevemente sobre algumas das maneiras mais comuns entre profissionais brasileiros que conseguiram estabelecer e progredir em suas carreiras fora do Brasil. Os quatro caminhos mais comuns são:

  • Movimento interno ou transferência dentro da mesma empresa
  • Projeto interno de curto/médio/longo prazo
  • Sponsorship (patrocínio)
  • Visto de residência permanente

Para mais informações, veja o texto completo no MinhaCarreira.com. Recomendo também a leitura da primeira parte do do artigo, publicada também em Maio no MinhaCarreira.com.

28 Outubro 2011

Cidadania Australiana

Para quem já possui visto de residência permanente, obter a cidadania Australiana não chega a fazer grande diferença no dia a dia de quem já tem sua vida e rotina estabelecidas por aqui.

Ao se tornar um cidadão Australiano, basicamente, as diferenças:
  • Você passa a ser obrigado a votar sempre que houver eleições
  • Alguns empregos só aceitam candidados que são cidadãos Australianos, como algumas posições nas Forças Aéreas e Armadas, Exército, Serviço de Inteligência e Polícia Federal.
  • Você pode solicitar o passaporte Australiano.

Das três acima, imagino que a que faz maior diferença na prática para a maioria é a obtenção do passaporte Australiano, pois na hora de viajar para alguns lugares (principalmente para o UK e resto da Europa) certamente é mais fácil entrar com um passaporte Australiano do que um Brasileiro.

Ano passado muito se ouviu falar nos noticiários sobre muitos brasileiros que tiveram visto negado ou que foram simplesmente deportados por "outros motivos" ao tentar entrar na Espanha e na Inglaterra. Com um passaporte Australiano em mãos, imagino que a possibilidade de passar por uma situação dessas seria bem menor.

Para os que já estão aqui na Austrália a tempo suficiente e pretendem pedir a cidadania, atenção para as mudanças nos requisitos mínimos que entraram em vigor em Julho do ano passado:
  • O aplicante deve ter vivido na Austrália, com um visto válido, por no mínimo 4 anos antes da aplicação, sendo que destes 4 anos, pelo menos 1 ano com visto de residente permanente é obrigatório.
  • O aplicante não pode ter se ausentado da Australia por mais de 1 ano durante os últimos 4 anos, incluindo não mais do que 90 dias no ano anterior ao dia da aplicação.

Atendendo os requisitos e submetendo a aplicação para cidadania com sucesso, você então pode marcar seu Citizenship Test, que é uma provinha de conhecimentos gerais sobre a Austrália para mostrar que você é um "bom cidadão" e sabe pelo menos um pouquinho sobre o país que agora é sua casa.

Mais informações no site do Department of Immigration and Citizenship.

20 Setembro 2011

3 Anos de Austrália - Parte I: Fases

A sensação que tenho é de que cheguei há alguns meses apenas, de tanto que não vi esses 3 anos passarem tão rápido.

Claro que olhando para trás e lembrando das coisas importantes (e outras não tão importantes) que aconteceram na minha vida por aqui, fica fácil ter uma noção mais correta de quanto tempo realmente passou, mas o mais importante é que posso dizer que sinto que superei os principais desafios de estabelecer uma vida concreta e saudável longe do Brasil.

É engraçado lembrar de tudo que passei desde que cheguei na Austrália e, mais engraçado ainda, é ver como é fácil identificar as fases pelas quais passei.

Os primeiros meses de vida em Sydney certamente foram os que deixaram as memórias mais marcantes. Quando cheguei, só tinha um amigo que morava por aqui e que, como na maioria dos casos de quem chega por aqui, me ajudou com hospedagem, como funcionava o transporte, os preços das coisas, onde achar o supermercado... Mas o mais importante é que foi através dele fiz os grandes amigos que hoje considero parte da minha família na Austrália.

Como 99.9% dos recém-chegados, morei em uma shared accommodation com essa galera por alguns meses e sem dúvida vivi os meses mais divertidos da minha vida na Austrália. Morar em shared é aquela coisa de se desprender dos confortos e mais do que nunca exercitar o respeito pelo espaço alheio. Foi uma experiência maravilhosa da qual só guardo boas recordações.

O início da fase seguinte inicia com a conquista do primeiro emprego, mesmo ainda sem entender direito as diferenças de ser contractor vs permanent. Por sorte ou não, iniciei minha carreira em Sydney sendo contractor e hoje vejo que foi a melhor decisão que tomei desde que cheguei aqui.

As primeiras entrevistas e a tensão na busca do primeiro emprego nos deixam ligados 24 horas por dia, as vezes até com dificuldade para dormir, já pensando nas ligações e entrevistas do dia seguinte. Até que, em um espaço de 3 semanas e várias entrevistas, tive 3 ofertas de trabalho.

A primeira descartei de cara, pois o perfil da vaga não se encaixava direito comigo (mas antes que tu perguntes "por que aplicou então?", eu já respondo: a gente simplesmente não escolhe muito na busca do primeiro emprego, aplica para tudo, simples assim). Já as outras duas me deixaram muito tentado. O package (salário + benefícios + superannuation) era muito bom em uma, que era uma posição permanente, porém o valor hora, o ambiente de trabalho e a flexibilidade eram muito sedutores na outra, que era uma posição para contractor.

Quando eu estava pronto para aceitar a oferta da vaga permanente, tendo a estabilidade em mente acima de tudo, lembrei do objetivo fundamental que eu buscava quando iniciei o processo de imigração: a qualidade de vida. Depois de queimar muitos neurônios pensando em que caminho tomar durante um dia inteiro, recebi a derradeira ligação da empresa que me oferecera a vaga permanente (uma multinacional do ramo alimenticio). Ao pegar o telefone, eu ainda não tinha uma resposta concreta em mente, mas ao iniciar o papo com o simpático grego-australiano que me entrevistou, ele falou algo do tipo "eu entendo a tua situação e sei que tu tens outra oferta, mas fechando conosco tu vais ter um longo e tranquilo caminho pela frente"... E foi ali que eu tomei a decisão mais importante desde a minha chegada em Sydney.

Agradeci muito, mas recusei a oferta.

Liguei para a agente que me recrutara para a vaga de contractor e com um sorriso que não conseguia conter, aceitei a oferta sem um pingo de dúvida. "Congratulations for your first job", ela disse, praticamente sentindo a felicidade na minha voz. Decidi assumir o risco de uma vaga sem tanta estabilidade, porém com uma flexibilidade (e salário) maior, e com um grande desafio pela frente: encarar um novo emprego que não teria nada de "longo e tranquilo" pela frente.


Tudo são fases nessa vida. A fase do "perrengue" inicial, a fase de encarar os medos e partir pra rua em busca de emprego, a fase da pesquisa e estudo para entender como o novo país funciona... Tudo são fases, e o que me move na vida é a gana por superar cada uma delas.

Sigo um pouco mais sobre esta e falo sobre as fases seguintes no meu próximo texto.

Um abraço,
Wagner.

Baú do blog: Sites obrigatórios para aplicantes ao PR

Este post foi um dos primeiros que postei na "primeira era" do blog lá no início de 2008, mas a verdade é que muito antes de decidir que a Austrália era o meu destino (e não a Inglaterra ou o Canadá -- explico em outro post), eu já visitava estes sites quase que diariamente.
 

E apesar de mais de 3 anos terem passado desde quando eu ainda estava pesquisando sobre skilled migration, acredito que a dica abaixo ainda siga bem atual para os novos aplicantes ao PR.

Sites obrigatórios para quem quer aplicar pro Skilled Migration
by Wagner Nunes, 27 de Maio de 2008
 

Estes foram alguns dos sites que pesquisei (e continuo visitando com freqüência) quando iniciei meu processo do Skilled Migration: 
  • Department of Immigration and Citizenship - É obrigatório revirar esse site de cabeça pra baixo (mesmo que você não queira) para conhecer os requisitos de cada tipo de visto.
  • Austimeline - Você cria um login e adiciona as datas de cada progresso no seu processo. O atrativo do site é poder ver quanto tempo os vistos de outros usuários está levando. Para ver o progresso do meu visto no Austimeline, clique aqui.
  • Australian Computer Society (ACS) - Antes de enviar toda a papelada para o Depto. de Imigração, você precisa validar seus skills profissionais, e para cada área de atuação há um órgão credenciado para fazê-lo. Se você também trabalha com TI, estamos falando da ACS (equivalente a nossa SBC). Você envia a documentação e +- 3 meses depois você recebe uma carta dizendo se seus skills são ou não suficientes para a profissão que você alega exercer.
  • Seek - Um dos maiores (se não o maior) site de empregos da Austrália (é o Monster.com deles). E pra nossa glória, TI está bombando por lá... pelo jeito, conseguir um emprego de AUD$ 90k/ano não é muito difícil (isso se você tem permissão pra trabalhar legalmente). Clique aqui e dê uma olhada nas pesquisas salariais da Hays Recruiting, uma das maiores consultorias de RH de lá.
  • Real Estate - Amigos (quase) todo mundo tem na Austrália, mas dificilmente eles vão hospedar você por tempo indeterminado. Nesse site se pode ter uma boa noção dos valores de aluguel (que não é nada barato, assim como nos USA).
Esses são os sites que tenho visitado com bastante freqüência... tem vários outros, mas fica pra outro post...

23 Agosto 2011

Qantas: adeus a rota Buenos Aires / Sydney

Pois e, quem foi, foi... Quem nao foi, vai ter que ir por Santiago.

A Qantas confirmou que a rota direta de Buenos Aires para Sydney (de apenas 12 horinhas) sera substituida por voos, tambem diretos, saindo de Santiago. A decisao foi tomada por motivos estrategicos (juntamente com o anuncio da empresa sobre o corte de 1000 funcionarios) e Santiago foi escolhida como o unico hub para a America do Sul. Clique aqui para ver o press release completo no site da Qantas.

Com isso, quem sai das regioes sudeste e centro-oeste ate que nao perdem muito, pois ainda fica facil de vir para a Australia por Santiago. Porem nos do sul nao poderemos mais contar com a facilidade do voo de 1 horinha e meia ate Buenos Aires antes de embacar no pomposo 747 da Qantas rumo a terra dos cangurus.

22 Agosto 2011

Custo de vida em Sydney é maior que em New York

O jornal The Australian de umas semanas atras traz uma notícia que deixa os residentes de Sydney no mínimo um pouco preocupados: High dollar pushes relative cost of living in Australian cities up world rankings. Mas o que acabou me chamando mesmo a atenção para o assunto foi uma headline no News.com.au, que dizia Cost of living 40pc higher than New York, mais especificamente o "40pc higher".

Como pode a maior cidade do mundo ter um custo de vida menor do que Sydney? Tem muito mais gente, muito mais oferta/demanda la do que aqui, muito mais mercado, capitalismo muito mais forte... Como explicar isso?

Bom, na verdade, pra quem ja vive aqui em Sydney ha alguns anos, isso nao chega a ser uma grande surpresa, mesmo que a noticia ainda soe um pouco chocante. Vamos pegar o mercado imobiliario, por exemplo, tanto na parte de compra/venda como nos alugueis.

Ja fazem uns bons anos que o mercado de real estate na Australia (e em Sydney especialmente) tem sido rondado por rumores sobre a tal "bolha", mas a verdade e que por aqui, nem mesmo os experts se mostram muito preocupados com isso, considerando que varios new suburbs ao redor de Sydney se tornaram canteiros de obra gigantes, com predios e mais predios sendo erguidos. Um exemplo disso sao as varias quadras em construcao num new suburb chamado Victoria Park (perto do Moore Park e Zetland).

Esta area por exemplo, nao e muito favorecida em termos de transporte publico (nao ha uma estacao de trem a uma walking distance) e nao esta colado nem na City e nem na praia... Mesmo assim, um apartamento de 1 quarto (cerca de 75 m2), na planta, esta custando em torno de $480.000, sem garagem. Um de dois quartos (cerca de 100 m2) esta custando acima de $600 mil.

Sempre tive interesse nesse tipo de mercado e desde que cheguei em Sydney, sempre acompanhei atentamente o movimento da tal "bolha" e tudo indica que ela nao estoura tao cedo. Com tanta gente chegando na Australia todos os anos (e aqui me refiro aos novos residentes permanentes, e nao visitantes temporarios), muita gente tem o objetivo de se estabelecer na Australia e, como em qualquer lugar do mundo, construir patrimonio e ter seu cantinho pra morar. E como nos ultimos anos a demanda tem estado super aquecida, os precos dos imoveis seguem altos.

Eu mesmo estou passando por um exercicio que em parte comprova isso: decidi vender meu apartamento e peguei algumas availacoes de mercado com alguns real estate agents. Pedi as avaliacoes sem falar pra eles o valor do imovel quando o comprei (2 quartos, 1 banheiro e 1 garagem), e as availacoes ficaram, na media, em torno de 20% acima do valor da compra (comprei este imovel na planta, ha 1 ano e meio atras).

Com essa decisao, obviamente voltei a monitorar o mercado de alugueis, tanto em areas perto da City (como o bairro onde moro atualmente) como nas praias e foi visivel a diferenca de preco no aluguel em comparacao a um ano atras.

Em Sydney, como em NY e provavelmente em qualquer lugar do mundo, um estilo de vida mais sofisticado sempre vai ter um premium extra a ser pago. Conforme o episodio da venda do meu apartamento for evoluindo, eu volto a postar novidades aqui. Alias, um post sobre o processo de compra e venda, de ponta a ponta seria interessante...

Um abraco,
Wagner.

PS: Apologies pela falta de acentuacao, este post foi inciado e terminado em computadores diferentes.

28 Julho 2011

Contra-fluxo na imigração

Interessante como a tragédia na Noruega trouxe à tona mais uma vez o debate sobre imigração aqui no Brasil.

É a terceira matéria/programa na TV que eu vejo nos últimos dias sobre esse assunto, que aparentemente veio a tona após o manifesto do norueguês maluco ter vindo a público. A Globo News e a CNN estão falando nisso toda hora.

No manifesto racista e preconceituoso do maluco, que é a favor do fechamento da Europa a estrangeiros (não-europeus) e a erradicação de religiões como o islamismo, ele menciona a corrupção e pobreza no Brasil e o fato de sermos até hoje um país de terceiro mundo e atribui isso à miscigenação que se estabeleceu desde a época do descobrimento.

Ok, mas o que isso tem a ver com o blog? Bom, como o assunto aqui em geral é imigração e Austrália, esse assunto tem tudo a ver.

Por exemplo: não é interessante como a Austrália, que tem uma miscigenação tão (ou mais) vasta que o Brasil, mesmo assim se tornou um país bem sucedido? Claro que existem muitas outras variáveis na equação de sucesso de um país, mas não é difícil listar semelhanças entre Brasil e Austrália.

Bom, mas se a miscigenação não tem (ou tem pouco) a ver com a nhaca secular em que vive o Brasil, o que seria? A Austrália também foi (e pra muitos ainda é) colônia de um país europeu, assim como o Brasil. Será esse o principal fator? Nós fomos colonizados pela "série B" da Europa, enquanto a Austrália foi colonizada pela "premier league"? Teria isso algo a ver com o fato de que Portugal está cada vez mais se afundando também, enquanto a Inglaterra segue sendo uma potência? Enfim, esse papo dá muito pano pra manga e não pretendo cobrir todo o debate possível neste mero blog...

Outra notícia que me chamou a atenção aqui é o destaque que está sendo dado ao retorno ao Brasil dos brasileiros que viviam em países da Europa. Mas não se engane achando que é o Brasil que está bombando de empregos e os salários estão maravilhosos. Tem um pouco disso sim, mas o motivo principal é que, com uma crise iminente em alguns países da Europa, muitos cidadãos locais, que antes preferiam deixar os trabalhos mais pesados ou considerados de baixo nível para os imigrantes, estão agora disputando essas vagas com os estrangeiros, que na maioria das vezes não dominam o idioma local e não tem qualificação.

Além disso, por mais que não se fale muito nisso por lá, há um nítido clima de protecionismo ao cidadão europeu, assim como na Austrália. Em outras palavras: se uma empresa inglesa está recrutando alguém pra uma vaga e encontra dois candidatos com a mesma qualificação, perfil, experiência, etc, sendo que um candidato é ingles e o outro um imigrante, quem tu achas que seria o escolhido? Fácil né.

Curtas do Brasil #2

Notícias que estão em evidência por aqui no momento:
Outras:
  • Brasileira é atualmente a nacionalidade mais rejeitada na tentativa de entrar na Europa.
  • Brasileiros retornam em massa ao Brasil em busca de melhores oportunidades: Frente a uma crise iminente nos EUA e em alguns países da Europa, muitos brasileiros se vêem obrigados a voltar ao Brasil pois os cidadãos locais estão agora disputando vagas de trabalho que até pouco tempo atrás eram exercidas apenas por imigrantes sem qualificação.

Bom era isso, vou assistir agora o meu Inter contra o AC Milan pela Audi Cup.

Um abraço a todos!

22 Julho 2011

Curtas sobre o Brasil

Estou de novo curtindo umas mini-férias no Brasil, aproveitando que os planetas se alinharam e consegui pegar uma promoção nas passagens ($1300 ida e volta pela Qantas, Sydney-Buenos Aires), época tranquila no trabalho e aproveitar o momento que meus amigos do Brasil não estão viajando. E de quebra, eu e um casal de amigos gaúchos, que também são residentes na Austrália e também estão passando férias no Brasil, vamos encarar a Cordilheira dos Andes numa snow trip irada para o Valle Nevado no Chile.

Curtas

  • No momento estou em São Paulo pra passar o fim de semana e o pessoal daqui tá comentando muito no momento sobre os assaltos e arrastões que aconteceram essa semana em bares e restaurantes. São Paulo tá o mesmo caos de sempre, trânsito infernal e violência de sempre, mas agora o que anda preocupando bastante os paulistanos é o fato de que realmente não se está seguro em lugar nenhum, pois tem vagabundo entrando em bares e restaurantes, limpando os clientes e ainda fazendo piadinha ao sair dizendo "bom apetite".

  • Porto Alegre não tá lá essas coisas também. Essa semana num happy hour com amigos, estava contando que arrombaram o carro do meu pai dentro do estacionamento do prédio, quando duas das gurias que estavam na mesa falaram que tinham sido assaltadas recentemente quando dirigiam e estavam paradas na sinaleira.

  • Se por um lado não temos tido grandes avanços no social, por outro, no lado econômico, já dá pra ver os efeitos do crescimento do Brasil  nos últimos anos. O canal Globo News mostrou hoje uma matéria sobre profissionais e executivos de várias áreas, vindo de países como Grécia, Portugal e Espanha, têm procurado cada vez mais empresas agências de placement em busca de uma vaga de trabalho no Brasil. A matéria falou também sobe o aumento de vistos brasileiros sendo emitidos para estrangeiros, o que também é um bom sinal.

  • Depois que comprei meu apartamento em Sydney, tenho estado totalmente por fora do mercado de imóveis no Brasil... Ao chegar por aqui agora, fiquei chocado ao ver como subiram os valores dos imóveis em geral, não só em Porto Alegre ou São Paulo, mas no Brasil como um todo. Será que o Brasil vai criar sua bolha imobiliária, semelhante a Australiana?

  • Como é bom matar a saudade da nossa comidinha! Só nessa primeira semana de Brasil já sinto que coloquei uns kilos a mais... É muita ambrosia, sagú, arroz de leite, chico balanceado, torta de bolacha, aipim frito, pastel, feijoada, e claro, muito churrasco.
Bom, vou indo nessa que o fim de semana tá começando mais cedo por aqui.

Um abraço!