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Depois de passar estes dois últimos anos trabalhando viajando e vivendo na Europa, estar de volta em Sydney com certeza fez com que 2015 tenha sido mais um ano de sucesso e grandes conquistas.

Espero que 2015 tenha sido muito bom para todos vocês e desejo que 2016 seja melhor ainda, com muito sucesso, felicidade e que o Projeto Austrália de cada um de vocês se torne realidade!

Feliz ano novo! 



A dúvida de hoje vem do Edison, que deixou o comentário abaixo no meu post sobre meus primeiros meses em Berlin.

Para o profissional de TI que busca residência permanente na Austrália, parte do processo de imigração qualificada através do SkillSelect é comprovar a experiência profissional, e este reconhecimento é feito pela Australian Computer Society (ACS).

E para fornecer este reconhecimento, a ACS exige cartas das empresas onde o candidato trabalhou, contendo a data de início e fim do emprego, descrição do cargo, responsabilidades, tecnologias com as quais o candidato trabalhou e um contato na empresa (algumas vezes as empresas são contatadas para verificar a experiência do candidato).

O checklist completo para pedir o reconhecimento das profissões e especialidades em TI na ACS está disponível neste link: https://www.acs.org.au/__data/assets/pdf_file/0005/17636/Application-Checklist.pdf


  1. Wagner, Achei seu blog bacana. Minha formação está no SOL e já morei na Aus como Student. Em relação as cartas de recomendação, como foi o processo? Já não tenho contato com ninguém das empresas que trabalhei há muito tempo e acho complicado conseguir na qual estou trabalhando? Abraço Edison.
    Responder
  2. Olá Edison,

    Se sua ocupação já esta na SOL, ótima notícia! Esse é o principal requisito para poder iniciar o processo de obtenção do visto de Residência Permanente.

    Sobre as cartas, você precisa entrar em contato com as empresas onde trabalhou e explicar a situação. Acredito que a maioria das empresas não terão problema nenhum em fornecer a carta. Uma boa dica também é entrar em contato direto com o seu gerente na época, pois pode ser que ele facilite o meio de campo com o pessoal do RH (que é de onde geralmente a carta vem). Também já tente pedir a carta em inglês, para economizar tempo e dinheiro com tradução juramentada. E caso alguma das empresas não queira fazer a carta em inglês, se ofereça você mesmo para redigir as cartas e envie para eles com uma tradução em Português, para agilizar o processo.

    Em breve pretendo fazer um post bem detalhado sobre o passo-a-passo para aplicação no SkillSelect e vou dar mais dicas sobre como conseguir as cartas.

    Sobre o processo e o visto, dê uma olhada no site oficial do SkillSelect: http://www.border.gov.au/Trav/Work/Skil

    Um abraço e boa sorte!
    Wagner.

Novidades!

Mais um objetivo de vida concluído. Após estes 2 anos vivendo e trabalhando na Europa, fecho com muito orgulho mais um capítulo sensacional da minha vida pessoal e profissional.

No pessoal, sem dúvida cresci e aprendi muito ao me mudar para um país onde meu conhecimento do idioma era quase zero e ao decidir me atirar de cabeça em uma nova cultura.

No profissional, aprendi muito e conheci muita gente legal por ter trabalhado meu tempo todo de Alemanha em um ambiente autêntico de startup, ainda mais por ser uma área na qual eu não havia tido muita exposição (Fintech).

Agora é hora de planejar o retorno a Sydney, e no próximo post eu conto mais sobre os detalhes do planejamento, que incluem:

  • Acomodação e aluguel
    • Organizar acomodação temporária
    • Iniciar sondagem de apartamentos para alugar
  • Emprego
    • Atualizar currículo e LinkedIn
    • Reestabelecer contato com recrutadores de IT em Sydney
    • Sondar empresas onde trabalhei (Optus, University of Sydney, RMS/Service NSW)
  • Idéias de negócios
    • Entrar em contato com incubadoras e aceleradoras de startups em Sydney
    • Entrar em contato com empreendedores em Fintech em Sydney
    • Reativar contatos e leads que possam abrir portas a investimentos
Não vejo a hora de voltar ao lugar que desde 2008 eu chamo de home.

Um abraço a todos e até mais!


Você tem alguma dúvida ou sugestão de post para o blog? Envie para o Projeto Austrália usando os comentários aí embaixo que a gente responde e, com a sua autorização, publica como post aqui no blog! :)

Como falei no post anterior, recentemente recebi várias mensagens dos leitores sobre sponsorship, e como este assunto certamente interessa a muita gente, seja quem já está na Austrália como a quem tem planos de imigrar, estou publicando a segunda mensagem selecionada que recebi e a minha resposta logo abaixo.

O segundo email que selecionei é do J.B., que autorizou a publicação dos nossos emails, porém pediu para não ser identificado pois ele já conseguiu entrar no mercado de TI e seu próximo objetivo é conseguir sponsorship da sua empresa:
On 6/20/15, 2:53 AM, J.B. wrote:
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Oi Wagner,

Muito obrigado por aceitar meu convite aqui no LinkedIn.

Assim como você, sou da área de TI. Tenho 15 anos de experiência como desenvolvedor web, consultor, líder de equipe e professor. Há 10 anos, tenho minha própria empresa que até o fim do ano passado, funcionou como um centro de treinamento com 4 laboratórios, onde treinamos milhares de profissionais.

Resolvi vir aqui pra Sydney e estou muito feliz com a minha escolha. Consegui já chegar aqui com trabalho na área mas estou a procura de sponsor, uma vez que cheguei com visto de estudante (vou fazer uma nova graduação por aqui, na AIT). Pretendo sponsor porque aos 36 anos de idade, resolvi deixar esposa e 2 filhos que amo mais do que tudo nessa vida lá no Brasil, pra tentar ser capaz de trazê-los pra Austrália um dia.

Conheci você através do seu blog e queria te dar os parabéns e agradecer pelas dicas lá. Ficaria feliz em lhe conhecer pessoalmente.

Grande abraço,

J.B.
Segue a minha resposta via LinkedIn ao J.B.:
On 6/24/15, 2:13 AM, Wagner Nunes wrote:
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Fala J.B., tudo bem?

Muito legal sua mensagem, obrigado pelas palavras, fico feliz em saber que o blog ajuda pessoas como você que buscam mais qualidade de vida pessoal e profissional.

Já foi uma grande conquista você já ter conseguido trabalho na área! Parabéns! A empresa fornece alguma possibilidade de te dar sponsorship? Se sim, a primeira dica seria tentar conversar com eles "com carinho" e até se oferecer para arcar com os custos do processo (que não é muito barato) e correr atrás do processo, pois às vezes a empresa até quer que você fique, mas desconhece o processo do sponsorship ou não está disposta a investir tempo de alguém do HR ou dinheiro.

Outra opção seria você já começar a procurar empregos aqui mesmo pelo LinkedIn e no Seek.com.au, que na minha opinião ainda são os melhores canais de busca de empregos. Se você decidir seguir esta estratégia e encontrar vagas interessantes, eu recomendaria você tentar aplicar diretamente nos sites das empresas e evitar recrutadores, pois eles estão focados em ajudar a empresa que está contratando (e receber sua comissão) e encaminhar candidatos com maior disponibilidade, ou seja, se você como candidato traz alguma barreira adicional para a empresa te contratar (como a necessidade do sponsorship, por exemplo), é bem provável que o recrutador desconsidere a sua application logo de cara.

Infelizmente, o número de vagas que oferece sponsorship explicitamente nos sites de emprego ainda não é muito significante, o que significa que você precisa ser muito persistente e ficar de olho em vários canais todos os dias.

Outra estratégia um pouco mais "agressiva" mas que pode render frutos mais rapidamente é você tentar contato com algumas empresas pessoalmente, se apresentando e explicando a sua situação e, se você realmente estiver disposto, você pode se oferecer para trabalhar part-time sem remuneração nos primeiros meses, apenas para ter a oportunidade de mostrar seu trabalho e ganhar a confiança da empresa, mas deixando claro desde o início que seu objetivo é obter um sponsorship.

Tenho amigos que usaram estas estratégias e conseguiram sponsorships e hoje estão com a residência permanente. Alguns trabalharam um tempo sem remuneração para mostrar seus skills de IT enquanto tinham outros empregos fora da área ao mesmo tempo (cleaner, removalist, repositor, etc) Outros insistiram tanto que logo conseguiram sponsorship em empresas como Yahoo e o WeatherZone, com remuneração e benefícios e hoje já tem ou estão a caminho de conseguir residência permanente.

E como eu sempre falo e recomendo, tanto às pessoas que me escrevem por email ou social media, como nos posts no blog e mesmo batendo papo pessoalmente, as duas coisas mais importantes nessa busca são:

1. Persistência: nem sempre é possível conseguir entrevistas ou mesmo uma resposta qualquer das empresas logo nas primeiras tentativas. Se você realmente está determinado a conseguir um sponsorship na área, você precisa ser PERSISTENTE. Não desista ao receber o primeiro, segundo ou terceiro "não", siga adiante e continue tentando.

2. Inglês: comunicação é o skill mais importante que se pode ter na nossa área, não importa quão bom tecnicamente o profissional seja, afinal, sem se comunicar decentemente, não conseguimos "vender nosso peixe". Se você já tem um nível bom de inglês, ótimo, vá em frente e comece sua busca. Se não tem, invista mais alguns meses e faça uma imersão no idioma para chegar com o inglês afiado já nos primeiros papos com as empresas.

Uma dica muito importante, como mencionei antes, é não apenas entrar em contato com as empresas via email. Vá pessoalmente e tente falar com alguém do HR ou até mesmo com algum hiring manager. Conversando cara-a-cara com as empresas certamente aumentam as suas chances em relação a apenas enviar emails por aí e esperar sentado.

Bom, espero ter ajudado e conte comigo caso precise de mais dicas.

Um abraço e boa sorte!

Wagner
O caminho realmente não é fácil para quem busca sponsorship, mas certamente não é impossível. E não há forma melhor de trilhar esse caminho do que dando a cara à bater e indo para a rua e conversando diretamente com as empresas.

Nesse processo, você certamente irá expandir sua network de contatos, e isso pode também eventualmente ajudar na sua busca.

Como eu disse no post anterior, o importante é seguir em busca do primeiro YES, que vai abrir as portas para sua carreira na Austrália e para uma melhor qualidade de vida que todos nós buscamos.



Sponsorship é sem dúvida a opção mais almejada por profissionais brasileiros na Austrália que por um motivo ou outro não atendem todos os requisitos para aplicar para a residência permanente através do SkillSelect.

Nestas duas últimas semanas, recebi algumas mensagens dos leitores do blog sobre este assunto e selecionei duas onde enfatizo, como sempre, os dois pontos principais nos quais os profissionais devem focar para conseguirem alcançar seus sonhos de conseguir um sponsorship, trabalhar na área e se tornar elegível à residência.

A primeira mensagem é do email do Nilson DiCara, que já está em Brisbane:
On 6/22/15, 5:58 AM, Nilson DiCara wrote:
--------------------
Olá Wagner. Como vai?

Creio que já tenhamos nos cruzado pelos grupos do LinkedIn.

Eu gostaria de saber se você tem os contatos de algumas agências de emprego aqui na Australia. Estou estudando em Brisbane e também na procura de um sponsor. Caso tenha algo e puder me passar agradeço muito. Caso contrário, agradeço mesmo assim.

Grande abraço e sucesso.

Nilson DiCara.
On 6/24/15, 1:53 AM, Wagner Nunes wrote:
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Olá Nilson, tudo bem?

A melhor forma de procurar por vagas hoje em dia é aqui no LinkedIn mesmo, na section de Jobs. E tem também o famoso seek.com.au, que na minha opinião continua sendo o melhor canal para achar ofertas de emprego.

O problema é que nem sempre as vagas oferecem sponsorship, então no seu caso, acho que seria mais interessante você entrar em contato direto com as empresas aí em Brisbane, se apresentar e mostrar interesse em trabalhar com eles.

Tenho vários amigos em Sydney que chegaram como estudantes e foram atrás de oportunidades diretamente com as empresas, alguns até se ofereceram a trabalhar part-time sem remuneração, e hoje estão com visto de sponsorship. Outros conseguiram emprego direto em empresas como o Yahoo, já com remuneração boa.

Tudo depende de duas coisas muito importantes: (1) a sua persistência em buscar oportunidades e seguir tentando contato com as empresas e (2) o seu nível de inglês, pois você precisa saber se comunicar bem para poder "vender seu peixe".
Bom, espero ter ajudado com essas dicas.

Um abraço e boa sorte.

Wagner.
Publicarei a segunda mensagem assim que receber autorização do leitor.

Quem acompanha o blog há mais tempo ou já conversou comigo pessoalmente sabe que eu sempre insisto nestes dois pontos como sendo a chave do sucesso de qualquer profissional brasileiro na Austrália.

Não adianta trazer anos de experiência técnica, conhecimento das tecnologias mais modernas e uma grande lista de certificações se a capacidade de comunicação na língua local ainda não está em um nível adequado.

Assim como citei algumas histórias de sucesso de estudantes que traçaram e seguiram a risca seus planos de melhorar o inglês, interagir o máximo possível com Australianos para acostumar o ouvido e a língua com a pronúncia, e que conseguiram sponsorships, também conheci profissionais brasileiros que chegaram na Austrália já com o visto de residência permanente (136, 175), mas que por não ter um inglês adequado, acabaram retornando frustrados ao Brasil por não conseguirem emprego. E notem, estes são casos onde o profissional nem precisava se preocupar com visto e podia trabalhar full-time.

Então é aí que entra o outro ponto que eu mencionei: a persistência. Se você já se sente confiante o suficiente com o seu nível de inglês, é hora de ir pra rua. Nem sempre as primeiras empresas que você contatar irão lhe dar uma resposta positiva, e algumas nem responder vão.

Por isso, não se contente apenas em fazer job applications nos sites de empregos, nem com apenas enviar emails para empresas. Vá para a rua e, com humildade, confiança e sangue frio, visite as empresas e tente fazer contato com o HR ou mesmo com hiring managers ou team leaders e venda seu peixe.

Não desista, persista, afinal de contas, o "não" como resposta, você já tem. Vá em busca do "YES".

Boa sorte :)

Quanto ganham os profissionais de TI na Austrália?

Praticamente todas as vezes que conversei com outros profissionais de TI aqui na Europa ou mesmo no Brasil sobre as diferenças entre Austrália, Brasil e Alemanha, a primeira pergunta que me fazem é geralmente relacionada à diferença de salários e custo de vida.

No post anterior eu fiz uma pequena comparação sobre o custo de vida entre Sydney e Berlin, e logo recebi mensagens no Facebook sobre como são os salários de TI na Austrália e se realmente vale a pena financeiramente fazer todo o processo e ir para a Austrália, então espero que este post ajude quem está em cima do muro ou apenas procrastinando mesmo a começar o processo de imigração pelo SkillSelect.

Salários na Austrália

Todos os anos, as grandes agências de recrutamento publicam suas pesquisas salariais que mostram a média do salário anual por cargo dentro de várias áreas. Como trabalho em TI e muitos dos leitores que entram em contato comigo também trabalham em TI, este post foca apenas nos salários da nossa área.

Montei a tabela abaixo mostrando os algumas das principais posições em TI, usando dados da pesquisa salarial anual da Robert Walters de 2015.






Alguns detalhes importantes sobre a tabela acima:
  • Estou listando apenas algumas das posições de TI mencionadas na pesquisa. Para ver os detalhes completos e todas as posições e salários, veja os links de download no fim deste post.
  • Todos os salários estão em Dólar Australiano.
  • A coluna "Salário anual" mostra a faixa de salários brutos anuais levantados pela pesquisa para full time, ou seja, funcionários de tempo integral, tipo CLT em termos de Brasil.
  • A primeira coluna "Salário mensal" é apenas o salário anual dividido por 12 e mostra o que seria o salário mensal bruto também para funcionários full time.
  • A coluna "Valor/dia" mostra o valor bruto pago por dia para contractors, que é o equivalente aos terceiros no Brasil.
  • A segunda coluna "Salário mensal" mostra a média da faixa de valor/dia apontada pela pesquisa, multiplicada por 22 dias úteis.
  • Todos os valores mostrados são brutos, ou seja, há que se considerar imposto de renda e outros descontos.
  • Assim como no Brasil, na Austrália o contractor ganha substancialmente mais, mas paga mais impostos e precisa ter suas finanças bem organizadas por um contador, sem falar na ausência de benefícios que as empresas dão à quem é funcionário full time.
  • Os salários acima são de posições de TI dentro da área financeira na Austrália (bancos, seguradoras, etc), que são um tanto mais elevados do que na área de comércio e indústria.
Para quem quiser pesquisar mais sobre os salários do seu cargo de TI na Austrália, a tabela abaixo mostra os nomes das posições em inglês.


Disponibilizei a planilha acima completa no Google Sheets para quem quiser ver, que tem também os salários destes mesmos profissionais porém da área de comércio e indústria.

Minha visão sobre salários e mercado

Na minha experiência com o mercado de TI na Australia tendo trabalhado na minha área desde que cheguei em Sydney, posso dizer que:
  • Na área de desenvolvimento Java, por ter entrevistado e contratado vários desenvolvedores para o meu time enquanto trabalhava na Optus, posso afirmar que em Sydney é comum ver salários mais altos do que os indicados pela pesquisa, principalmente para desenvolvedores senior.
  • O mesmo se aplica para Gerentes de Projeto Senior, especialmente para quem tem experiência com PMI, PRICE2 e metodologias ágeis.
  • Em geral, os outros salários médios mostrados pela pesquisa parecem fechar com a realidade do mercado.
  • Já fui contractor e full time e como contractor se ganha mais dinheiro, mas exige mais planejamento, especialmente com feriados e viagens, além de não possuir benefícios como férias pagas e sick leave. É perfeito para quem não tem planos para a duração do contrato.
  • Ser full time dá mais estabilidade e mais regalias, principalmente se for uma posição senior ou de liderança, além de garantir férias pagas e sick leave além de outros benefícios que algumas empresas dão, ações, bônus, carro da empresa, subsídio do seguro de saúde privado, estacionamento grátis, descontos em produtos e serviços, academia, etc.
  • Trabalhar em TI na área financeira, não necessariamente paga os melhores salários do mercado.
  • O mercado é nitidamente melhor para quem já tem experiência suficiente para ser considerado senior.

Download das pesquisas salariais



Não é mais surpresa para ninguém ver Sydney tanto no top 10 das melhores cidades do mundo para viver como no top 10 das cidades com maior custo de vida.

Quando se chega em Sydney pela primeira vez, o custo de praticamente tudo assusta -- principalmente o aluguel -- mas aos poucos se descobre que trabalhando full time os salários na Austrália são quase sempre compatíveis com o que se gasta. Em muitos casos -- como TI e outras áreas que pagam bem na Austrália -- ainda se pode ter um estilo de vida bacana e até mesmo economizar uma boa grana por mês.

Já em Berlin, a surpresa ao chegar é oposta: apesar da força do Euro em relação ao dólar australiano, o custo de coisas básicas como aluguel, transporte e compras no mercado é visivelmente menor.

Quando ainda estava decidindo se trocaria Sydney por Berlin ou não, acabei descobrindo este site que compara o custo de vida de itens básicos entre duas cidade e ajuda a dar uma noção de quanto a mais ou a menos vamos gastar.

Custo de vida Sydney x Berlin. Fonte: Numbeo.
Clique aqui para ver a comparação completa de custo de vida entre Sydney e Berlin.

Aluguel

O exemplo clássico que eu cito quando me perguntam sobre custo de vida em Berlin é o aluguel. Quem mora em Sydney sabe que para alugar um apartamento simples, de 1 quarto, ou mesmo um studio (ou JK como falamos no Brasil) com boa localização, seja perto da city ou das praias, vai gastar pelo menos uns A$ 450 por semana, o que daria pouco mais de A$ 1800 por mês.

Em Berlin, um apartamento de 1 quarto se acha facilmente mais ou menos 600 Euros por MÊS. Sim, por MÊS, e às vezes até mesmo mobiliado por esse preço e em qualquer um dos bairros mais cobiçados por estrangeiros, como Prenzlauer Berg, Mitte ou Kreuzberg.

Tenho amigos que moram a mais tempo em Berlin que pagam em torno de 1000 Euros por mês por um apartamento de 3 quartos, recentemente reformado e também em ótima localização, perto da Alexanderplatz.

Transporte

Sydney perde feio para Berlin no quesito transporte público. 

Além da frequência, pontualidade e abrangência, em Berlin o preço do transporte público metropolitano e regional é muito mais acessível do que em Sydney. Exemplo: um ticket de trem (apenas ida) para o aeroporto de Sydney custa A$ 14, enquanto aqui em Berlin, custa 2,70 Euros. 

Em termos de qualidade, pessoalmente não acho o transporte público de Sydney ruim, porém a minha experiência com o transporte em Sydney é de quem sempre morou ou perto da city (fácil acesso de trem) e na praia de Coogee (ônibus 370, 372, 373 e 374 frequentes e que funcionam a noite toda).

Algo que há muito tempo se fala em implantar em Sydney já é realidade aqui em Berlin há anos: aqueles painéis nas paradas mostrando o a linha e o tempo para o próximo ônibus chegar.




Não são todas as paradas de ônibus em Berlin, mas um considerável numero delas conta com esses painéis, principalmente nas partes da cidade com maior movimento de turistas e comércio.

Em um próximo post eu trago mais detalhes sobre o sistema de transporte de Berlin e da Alemanha.

Um abraço!




Em uma das listas de e-mail que participo com outros brasileiros de TI que moram na Austrália, uma das mais interessantes discussões que já tivemos foi justamente sobre o grande desafio e mudança que foi largar tudo no Brasil e tentar seguir carreira na Austrália.


Exatamente 1 ano atrás, dia 12 de setembro de 2013, eu começava a colocar outro sonho em prática: viver e trabalhar na Europa, mas dessa vez, diferente da Austrália, a idéia é ficar por aqui no máximo 2 anos, pois sinceramente, ainda acho que não haja lugar melhor no mundo pra viver do que a minha linda Sydney.

Digo “outro” sonho porque a primeira grande mudança que fiz na minha vida foi justamente ao mudar para a Austrália em 2008 e, mesmo tendo o visto permanente em mãos e inglês fluente naquela época, eu não tinha certeza de que tudo ia dar (tão) certo.

Outra diferença importante foi o fato de já ter um contrato de trabalho assinado antes de chegar aqui (como contei nesse post), bem diferente daquelas primeiras semanas tensas a procura de emprego em Sydney em 2008.

Na época em que surgiu a idéia de buscar informações sobre programas de imigração qualificada de outros países (lá em 2007), a Austrália era apenas uma das opções. Canadá e Inglaterra também pareciam atraentes, especialmente o Canadá, por ter na época os requisitos mais fáceis de atender para poder pedir um visto permanente de trabalho.

Ou seja, mesmo lá atrás quando comecei a levar a idéia de morar fora do Brasil mais a sério, o velho continente também sempre pareceu uma opção interessante... e mesmo após decidir pela Austrália, o plano de um dia viver e trabalhar em TI por aqui nunca foi esquecido... 

E hoje cá estou! Um ano vivendo e trabalhando em Berlin! Parece que foi ontem que eu vivi toda aquela expectativa das entrevistas por Skype, o aguardo do feedback das empresas daqui (fiz entrevistas com empresas de Berlin, Munich e Londres), e aquele friozinho na barriga ao receber uma ligação no celular de um número começando com +49...

E tendo sentido isso pela segunda vez, uma coisa eu posso dizer com certeza: esse friozinho na barriga é uma das melhores sensações que se pode ter! Bom, essa e a euforia de receber o sim da empresa e uma oferta de emprego!

E se você ainda sonha com uma carreira no exterior e a possibilidade de ter ótima qualidade de vida em outro lugar do mundo mas vive esbarrando em desculpas esfarrapadas criadas por você mesmo, pare o que está fazendo agora mesmo e vá em busca do seu friozinho na barriga.



Já são quase 5 meses desde que decidi trocar Sydney por Berlin.
Como falei nesse post, o plano ainda é ficar por aqui por tempo determinado, e até agora, a aventura tem se mostrado muito mais gratificante e recompensadora do que eu imaginava, e vou explicar os motivos nesse e nos próximos posts.

Agora, já estando bem estabelecido aqui e conhecendo um pouco melhor a cidade, vou passar para vocês um pouco das minhas primeiras impressões sobre Berlin e, claro, fazer alguns comparativos com Sydney.

Neste primeiro post da minha fase de vida/trabalho na Alemanha, vou passar minhas primeiras impressões sobre a cidade e essa maravilhosa experiência que tem sido viver e trabalhar aqui.

Nos próximos posts vou trazer alguns exemplos de coisas que são melhores, piores ou tão boas quanto Sydney.

PRIMEIRAS IMPRESSÕES: CLIMA

O clima é certamente a primeira grande diferença que se nota. Como cheguei aqui no Outono, o friozinho já estava instalado e já comecei a me preparar para o tão temido inverno europeu. Um dia frio de Outono aqui (que varia 8 de 15 graus) aqui é um dia normal de inverno em Sydney. Um dia normal de inverno aqui (2 a 8 graus) é um dia horrível de inverno em Sydney. Aqui o inverno é mais longo e bem mais frio, mas como as cidades são bem preparadas e a infra é ótima (por exemplo, todas as casas/offices tem aquecimento), só passa frio quem quiser.

Geralmente, pelo que dizem os locais com quem conversei, todos os anos neva algumas vezes em Berlin, normalmente no fim de Dezembro e em Janeiro. Vimos neve várias vezes aqui, mas apenas dois dias a neve foi suficiente para cobrir as ruas de branco. É lindo de ver e todo mundo fica encantado ao ver a cidade amanhecer branquinha, mas logo logo as máquinas limpam as calçadas e ruas e pouco sobra do branco. A infra da cidade é tão boa que a neve não chega a atrapalhar a rotina de ninguém.

CUSTO DE VIDA

Para quem chega aqui com temperaturas mais amenas (primavera, verão ou início do outono), talvez a primeira grande diferença que se percebe logo de cara é o custo de vida, que é bem mais baixo que na Austrália. Desde comida e transporte até aluguel, o custo das coisas é nitidamente mais baixo.

Por exemplo, um item que consome boa parte da renda mensal de qualquer cidadão, o aluguel. Um studio não-mobiliado (JK ou kitchenete, como falamos no Brasil) em um bairro central e bem localizado em Sydney não sai por menos de $400 por semana, enquanto aqui, não é difícil encontrar um studio mobiliado em um bairro ótimo (perto de Alexanderplatz por exemplo) por 600 Euros por mês. E antes que você cometa o comum engano de converter Euro para AU$, não esqueça que quem mora aqui recebe (e gasta) em Euro, ou seja, converter não faz sentido nenhum.

MUITO EMPREGO EM TI

Berlin é a capital européia das startups mas mesmo sabendo disso antes de vir, ainda estou impressionado com a quantidade de empregos em TI (mais especificamente em desenvolvimento de software e de aplicações para celular) que há por aqui.

Outra grande vantagem para profissionais estrangeiros é que Berlin é uma das (se não a mais) internacional das cidades européias. Conheci muitas pessoas que vivem e trabalham aqui já há vários anos e não falam alemão, seguem se virando muito bem só com o inglês. Sabendo falar inglês, é muito fácil se virar na maioria das situações, pois os alemães crescem estudando inglês e pelo menos mais uma língua estrangeira.

VIAJAR, VIAJAR E VIAJAR

Por ser um dos hubs da Europa, é muito fácil e barato viajar pela Europa saindo de Berlin, seja usando os trens de alta velocidade ou alguma das várias linhas aéreas de baixo custo (EasyJet, RyanAir, GermanWings, entre outras). E como muitos dos destinos mais interessantes da Europa estão a poucas horas de Berlin, é super fácil voar numa sexta a noite depois do trabalho para um destino novo e voltar segunda pela manhã. Vou falar mais sobre esse assunto em um post futuro.

Essas foram as minhas principais primeiras impressões de Berlin e é claro que há muito mais, então vou deixar para abordar cada item em mais detalhes nos próximos posts.

Até a próxima!


Reedição da segunda parte da série de artigos sobre carreira no exterior.

Espero que gostem :)

Carreira no exterior: objetivo concreto ou sonho distante – Parte II


Iniciar uma carreira no exterior é algo que freqüentemente ronda as mentes e as rodas de conversa dos jovens da Geração Y.

A possibilidade de aperfeiçoar um idioma, trabalhar em uma cultura totalmente diferente e receber um salário substancialmente mais gordo e em uma moeda mais forte costumam ser atrativos extremamente sedutores.

No primeiro texto desta série, falei sobre o primeiro e mais importante passo no processo de iniciar uma carreira em outro país: determinar se essa vontate é apenas um sonho ou um objetivo real de vida que trará um nível significante de satisfação e felicidade.

Mas como chegar lá? Quais são as portas de entrada?


Existem várias opções e, como tudo na vida, os caminhos corretos demandam dedicação, tempo e esforço. Se você realmente pretende se estabelecer no exterior para viver e trabalhar legalmente, os caminhos mais comuns são:

Movimento interno ou transferência dentro da mesma empresa


Muitas das multinacionais estabelecidas no Brasil têm programas de movimentação lateral ou mesmo de relocação temporária e/ou permanente de funcionários em suas unidades no exterior. Este caminho requer bastante planejamento interno e normalmente está fortemente vinculado a performance individual e destaque dentro da empresa. Este é um dos casos onde muito bem se aplica a máxima de “quem não é visto não é lembrado”. Se você pretende percorrer este caminho, a primeira coisa a fazer é conversar com seu gerente e com alguém do RH para saber qual o processo adequado a seguir.

Projeto interno de curto/médio/longo prazo


Esta prática é bastante conhecida nas multinacionais de TI estabelecidas no Brasil. Trabalhei por 2 anos na Dell Computers em Porto Alegre e era bem comum ver Team Leads viajando para os EUA para a implantação de projetos. Eu mesmo passei um tempo lá e foi uma experiência espetacular — mas isso é assunto para outro post. Estes projetos normalmente estão atrelados a um conjunto bem específico de tarefas e objetivos, como implantação, treinamento, transferência de conhecimento, coaching ou suporte. Normalmente, a sugestão de que você visite a unidade da sua empresa no exterior vem de fora mesmo, geralmente em função de características específicas do seu trabalho, das suas habilidades ou da sua posição no time. Mais uma vez, exige planejamento e um tanto de sorte e timing.

Sponsorship (patrocínio)


Esta opção é mais comum entre os profissionais que já estão no exterior temporariamente (seja estudando idiomas, trabalhando part-time ou em busca de uma oportunidade de trabalho permanente) e exige muita persistência. Um sponsorship dá o direito de um estrangeiro permanecer no país pelo tempo no qual ele esteja vinculado a empresa. Ou seja, se você for demitido ou pedir demissão, terá que sair do país ou encontrar outra empresa que forneça outro patrocínio ou visto de trabalho similar.

Visto de residência permanente


Das opções citadas, provavelmente é a mais complexa de todas, pois além de burocrática, possui regras de elegibilidade que variam de país para país. Por outro lado, é a opção que dá ao profissional maior flexibilidade na busca do primeiro emprego no exterior, pois não restringe o profissional a uma empresa em específico. Também permite que o profissional resida no país de destino por tempo indeterminado, esteja ou não empregado. Em outro post, trarei mais detalhes da minha experiência na obtenção do visto de residência permanente australiano e informações sobre o mesmo processo na Inglaterra e Canadá.

Cada um de nós está num momento profissional e ambiente de trabalho único. Nenhuma empresa ou posição é igual a outra, portanto avalie bem o ambiente onde você está inserido, faça sua escolha e comece a arrumar as malas.

No terceiro e último texto desta série de artigos, vou falar sobre os desafios, dramas e prazeres de viver e trabalhar no exterior. Até lá!

Leia a primeira parte: Carreira no exterior: objetivo concreto ou sonho distante – Parte I

Leia a terceira parte: Carreira no exterior: objetivo concreto ou sonho distante – Parte III