08 abril 2013

Residência Permanente: primeiros passos

Recebi por email as perguntas do Dilnei de Porto Alegre e me empolguei tanto na (longa) resposta que resolvi publicar como post.

Olá Wagner,

Quando você foi viver na Australia você tirou IELTS? foi com visto de estudante ? quando você foi você ja foi com emprego garantido ? passando no IELS se torna mais facil para que eu migre ? assim como você sou desenvolvedor Java aqui em Porto Alegre no Brasil e Colorado ;) penso seriamente na migração porém parece um caminho dificil de ser trilhado, porém quando vejo vencedores como você me encho de possibilidades, abraços.

Parabéns pelo blog, leio sempre que possivel, abraços e todo sucesso do mundo ;)


Dilnei


Olá Dilnei, tudo bem?

Desculpe a demora na resposta, ainda tenho vários emails pra responder e as vezes fica difícil de achar tempo pra responder todos de uma vez só. Bom, em primeiro lugar, muito obrigado pelo email, fico feliz em saber que o blog está ajudando a motivar outros profissionais a pensar no caminho da imigração.

Bom, mas vamos às tuas perguntas:

Sobre o IELTS e o visto: eu vim já com a Residência Permanente (PR), fiz todo o processo aí do Brasil (levou quase dois anos, desde o primeiro dia de preparação para o IELTS até receber a Grant Letter confirmando meu PR. Na época, eu já tinha amigos morando aqui em Sydney com o visto de estudante e sabia das dificuldades e restrições de querer imigrar permanentemente com visto de estudante.

Como já falei várias vezes aqui no blog, se teu objetivo é imigrar permanentemente (especialmente se tens família), o visto de estudante NÃO é a melhor opção. Vir como Residente ou pelo menos com um Sponsorship garantido é de longe a melhor alternativa. Por isso, na época eu fiz o processo do General Skilled Migration (imigração qualificada).

Na época, o tipo de visto que eu fiz era o "Subclass 136 - Skilled Independent", que depois virou Subclass 175 (com algumas mudanças nos pré-requisitos, como maior exigência na nota do IELTS). Hoje, o visto equivalente é o "Subclass 189 - Skilled Independent", que faz parte do programa SkillSelect (http://www.immi.gov.au/skills/skillselect/).

O IELTS não é uma prova onde se "passa" ou se "reprova", é um teste de 4 categorias (speaking, reading, writing, listening) onde tu recebes uma nota para cada categoria. O teste mede o teu conhecimento no idioma, mas não tem intenção de aprovar ou reprovar. No caso da Imigração Qualificada, o IELTS serve como um certificado de que tu tens competência suficiente no inglês para se tornar Residente Permanente.

Atualmente, o requisito mínimo do SkillSelect no IELTS é que tu consigas uma nota 7 em cada uma das 4 categorias (aqui tem mais informações sobre os requisitos atuais http://www.immi.gov.au/allforms/booklets/1119.pdf)

Sobre o primeiro emprego: não, não vim com emprego garantido. Imigrar para um país novo é como mudar para outra cidade aí no Brasil. Se tua empresa não te transferiu, tu tens que sair a caça do primeiro emprego. Claro que entre o recebimento do meu visto e a minha chegada em Sydney, pesquisei e li muito sobre como funciona o mercado por aqui, processos e práticas das agências de recrutamento e seleção, procurei empresas de TI Australianas onde seria legal trabalhar e tentei entender bem como funciona o esquema de trabalhar como Contractor e Permanent (seria o equivalente a ser Terceiro ou CLT no Brasil).

Uma estratégia que funcionou bem pra mim e sempre recomendo pra quem está prestes a vir é começar a mandar currículos em torno de 2 semanas antes de chegar por aqui. NÃO ENVIE CVs ANTES DE DUAS SEMANAS, pois na maioria dos casos, os recrutadores querem profissionais para agora, mas quase sempre é possível negociar um início em um espaço de 1 ou 2 semanas.

Outra dica importante parte dessa estratégia é colocar um telefone de contato da Austrália no seu currículo. O motivo é simples: no momento que o recrutador ver um telefone de fora da Austrália no currículo, é bem provável que seu CV vá pro lixo na mesma hora, pois eles querem gente que já esteja em Sydney e, preferencialmente, com experiência local.

Para pular esse obstáculo, o que fiz foi comprar um número local de Sydney no Skype (http://www.skype.com/en/offers/skype-number/) com prefixo 02, que é o prefixo do estado de NSW, e colocar esse número no currículo. Assim seu CV não é descartado logo de cara, pois o recrutador vai pensar que tu já estás na Austrália. A segunda parte dessa estratégia não foi tão simples: fiquei acordado, na frente do laptop, das 9 da noite (10 da manhã na Austrália) até as 4 da manhã (5 da tarde na Austrália), aguardando ligações e atendendo no Skype. Ou seja, o recrutador discava um número local de Sydney e a chamada era direcionada pro meu Skype no Brasil.

Essa estratégia acabou dando frutos, pois foram a partir de entrevistas por Skype que fiz na minha última semana de Brasil que consegui alinhar 3 entrevistas para a primeira semana em Sydney, das quais 2 resultaram em ofertas de trabalho, uma como Contractor e outra como Permanent. Acabei optando por ser Contractor pois o salário era bem melhor e eu queria a flexibilidade de poder pular para outros contratos com facilidade depois de algum tempo.

Sobre as profissões em demanda, desenvolvedor de software ainda está na lista (http://www.immi.gov.au/skilled/_pdf/sol-schedule1.pdf) mas acho que por motivos de simplificação, eles agruparam ocupações tipo Java Programmer, JEE Developer, Systems Architect e outras ocupações relacionadas a tecnologias específicas (eram umas 8 eu acho, pois tinha as específicas de .Net também) em 3 occupations mais genéricas, que são:
  • Analyst Programmer
  • Developer Programmer
  • Software Engineer
O órgão Australiano que avalia tuas skills é a ACS, Australian Computer Society (http://acs.org.au/) e o aval deles também é um requisito obrigatório para poder enviar tua aplicação para o visto de Residente Permanente.

Bom, espero ter esclarecido tuas dúvidas e fica a vontade para enviar mais perguntas.

Um abraço,

Wagner.

06 abril 2013

Meu vício

Terminamos a escola, o primeiro grau, o segundo grau. Tomamos uma das mais importantes – se não a mais importante – decisão das nossas vidas profissionais e escolhemos o curso superior, a faculdade, a universidade na qual queremos ingressar. Prestamos vestibular. Buscamos o primeiro estágio, o primeiro emprego, enquanto lidamos com o fato de que estaremos investindo 4, às vezes 5 anos das nossas vidas em nossa educação e formação profissional.

Vem então os dias e noites em claro, o stress da tese ou trabalho de conclusão. Nesse ponto da vida, já temos uma boa base, ao menos teórica, do que é o mercado profissional onde estamos inseridos, conhecemos as carreiras possíveis, sabemos para onde podemos crescer e, aqueles que já adquiriram um bom senso de planejamento a essa altura, já conseguem se ver não só com opções de carreira, mas também sendo bem sucedido em pelo menos uma delas. Muitos de nós nem notam, mas somos movidos a desafios, pequenos ou grandes, desde o primeiro dia de escola. O boletim bimestral com as notas, as competições esportivas entre escolas da cidade, o vestibular, o trabalho de conclusão aprovado, o primeiro emprego, a primeira promoção...

... O primeiro projeto no exterior, o segundo, o terceiro, a vida no exterior.

Tudo são desafios aos quais nos lançamos, afinal não queremos ser apenas uma carreira qualquer. Não queremos ser o que todos os outros são. Queremos mais. Eu quero mais. Sempre.

A sociedade e a bolha onde nascemos e crescemos é muitas vezes o que nos faz querer pular de cabeça em algo novo.

E quando escolhemos nossos novos desafios, não falta gente querendo nos esfregar na cara quanto tempo estamos demorando para atingi-los ou o quão desfocados nos tornamos com o passar do tempo. Acabamos perdendo tempo com coisas menores, supérfluas. Anos passam e muitos de nós estão na mesma. Lembra dos teus colegas de escola? Um é caixa bancário, o outro atende em uma farmácia, o outro é contador da empresa do tio. E tu, o que fizeste? Embarcou naquilo que era fácil e esperado de ti ou deu um tapa na bolha e fez o que muitos outros não fizeram?

São os desafios que definimos para nós mesmos que determina quem somos, onde estamos, e onde queremos chegar. Quem além de nós mesmos se importa com aquela lista grande de coisas que ainda não conquistamos? Ninguém. E é por isso que o sentimento de satisfação, de prazer, de orgulho de termos chegado onde almejávamos é tão viciante.

Eu, em minha pequenez, já risquei coisas grandiosas da minha lista. E quando realizamos coisas grandiosas, é como o vício que aumenta. E queremos mais. Eu quero mais. Sempre.

15 março 2013

Perguntas & Respostas: Mercado de TI - Por onde começar?

A mensagem abaixo veio do Caio através do Facebook. O recado aqui é o seguinte: se tu estás planejando imigrar e trabalhar na sua área na Austrália, seja ela qual for, o inglês definitivamente DEVE SER o seu objetivo principal.

Portanto, leve a sério a escolha da escola e curso de inglês e dedique-se. Não faça como a maioria dos brasileiros que apenas ficam torrando dinheiro pulando de um curso para outro sem nunca aparecer na aula, pois a Imigração está cada vez mais pegando estudantes nessa situação e negando renovações de visto.

Além disso, com as mudanças de regras feitas recentemente pela Imigração, vários tipos de vistos foram afetados, principalmente os famosos 457 (sponsorships). Os requisitos para o visto de estudante agora ficaram mais apertados, principalmente para quem tenta renovar o visto usando a velha falcatrua de pagar a escola mais barata possível e nunca aparecer nas aulas. Nos últimos 2 meses, vi 4 casos de estudantes que tiveram seu pedido de renovação de visto negados pela imigração por estarem a mais de 2 anos nesse esquema de pula-pula entre cursos baratos/vagabundos.

Moral da história: identifique seus objetivos (por exemplo, melhorar o inglês, buscar um trabalho part-time na minha área, etc) e dedique-se para atingí-los na ordem certa. Não ponha a carroça na frente dos bois.

Caio Duarte

Olá Wagner, tudo bem?
Meu nome é Caio, tenho 21 anos e vim pra sydney estudar inglês por 5 meses.
Eu sou desenvolvedor Java à 2 anos e meio formado em análise e desenvolvimento de sistemas.
Eu estou atrás de um trabalho e, como sei que o mercado de TI aqui tem muitas oportunidades, gostaria de tentar algo já na minha área de atuação e experiência até porque futuramente tenho a intenção de aplicar residência aqui na austrália.
Estava lendo um artigo seu sobre o mercado de TI na austrália e pensei que talvez você pudesse me dar umas dicas de por onde começar.
Agradeço desde já.
 Abraços



Fala Caio, tudo bem?
Legal cara, IT aqui na Austrália realmente é um mercado que segue aquecido a anos. Sobre os empregos, depende muito do tipo de visto que tu tens. Como estudante, tu só podes trabalhar 20 horas por semana, o que reduz bastante o número de empresas que podem te contratar.

Tenho amigos que conseguiram empregos em empresas pequenas como programadores Java ou PHP e meses depois conseguiram o sponsorship, mas a quantidade de empresas que faz isso hoje em dia é meio limitada.

Como residente, fica mais simples, basta tu procurares nos principais sites de emprego (seek, my career, etc) e sair aplicando e mandando currículos.

Uma dica importante é o foco no inglês: se teu inglês ainda não te deixa confortável o suficiente para uma entrevista de trabalho, recomendo tu focares na melhoria do idioma e depois sair atrás de emprego, para não queimar cartucho indo nas empresas mas sem conseguir "vender teu peixe".
Um abraço
Wagner

14 janeiro 2013

Perguntas & Respostas: Fazer Pós no Brasil ou na Austrália?

Depois de um merecido break no fim do ano, após passar por algumas mudanças boas por aqui (mudança de emprego, decisão de voltar a investir em imóveis, e outras notícias boas que vou contar em outro post), estou voltando a responder as mensagens e comentários pendentes aos poucos. Para o post de hoje, selecionei a mensagem do Fernando Saito, que entrou em contato pelo Facebook.



Opa blz Wagner? Adorei o seu blog, muito informação que irá ajudar para eu ir para Australia conforme meus planos. Queria te perguntar uma coisa. Acabei de me formar agora e estou pensando em fazer algumas pós. Você acha que as universidades daqui vale algo para as empresas dai? Ou melhor esperar e estudar na Australia mesmo? Conforme meus planos espero em até 2 anos ir ai.
Grato.
Abraços!




Sobre a tua pergunta, com certeza as graduações e pós-graduações feitas no Brasil contam sim, mas em geral a minha impressão é que as empresas daqui valorizam mais os degrees obtidos aqui (seja bacharelado, mestrado, MBA, etc).
O motivo obviamente é o fato das empresas conhecerem as Universidades daqui e poderem identificar se tu vens de uma universidade/curso prestigiado pelo mercado ou não.
Muitos dos estudantes de cursos de graduação e pós por aqui iniciam sua vida profissional de verdade quando terminam seus cursos e são absorvidos por empresas das áreas específicas nas quais teu curso focou mais. Por exemplo, empresas como IBM, Accenture, Yahoo, Microsoft e outras tem programas de Graduates que absorvem estudantes recém-formados e lhes dão posições junior e muitas vezes um plano de carreira, o que é uma ótima oportunidade pra quem está começando uma carreira.
Já para quem já tem vários anos de experiência, uma pós aí já não faz tanta diferença na hora de aplicar para um emprego por aqui, pois para profissionais já "não tão jovens", o que conta mesmo na entrevista é a experiência profissional.
Sobre estudar aqui ou não, depende muito do teu objetivo. Se tu tens planos de vir para fazer uma pós, qualquer momento é um bom momento de vir, pois imagino que tu terminarias teu curso e voltaria para o Brasil.
Porém se teu plano é imigrar permanentemente, como já falei várias vezes aqui no blog e nos comentários, não recomendo iniciar um plano de imigração permanente iniciando pelo visto de estudante. Tenho muitos amigos com visto de estudante por aqui, brasileiros e outros estrangeiros, e cada vez mais tenho visto o pessoal se frustrar com a idéia de conseguir a residência permanente e acabar voltando para o Brasil a contra gosto. Além disso, muito se fala que a Imigração está apertando mais as regras tanto para conceder como para renovar o visto de estudante.
Espero ter ajudado e se tu tiveres mais dúvidas, fica a vontade para mandar outro email.
Um abraço,
Wagner.

13 janeiro 2013

Feliz 2013


Desejo a todos os leitores do blog um feliz 2013, cheio de felicidade, objetivos alcançados e que mais e mais planos passem da cabeça para o papel, e do papel para a realidade!

10 novembro 2012

Perguntas & Respostas: SOL e SkillSelect

As dúvidas abaixo vieram da Nilce, que comentou no post Profissão em demanda vs. Profissão exercida. Logo abaixo, está a minha resposta e um pouco mais de informações sobre o novo processo de residência permanente, sponsorship e a  SOL (Skilled Occupation List).

Nilce Lopes Soares disse...

Boa noite Wagner,meu marido é formado na area de TI e com algumas certificaçoes e estamos pensando seriamente em migrar pra Australia,pois meu filho ja mora ai ja faz 2 anos..enfim gostaria de saber:Curso preparatório para o EILTS ou ingles intensivo?? pois nós queremos dar entrada no visto 175,e me deparo com tanta burocracia que da vontade até de desistir...mas o sonho de viver neste pais esta mais fundo no nosso objetivo..o que pega tbm é que no site do GOV dai a faculdade dele nao esta no SOL de legibilidade,pois é uma faculdade tecnologa,mas ele tem 16 anos na area e com experiencia comprovada...o que ele poderia fazer para dar um UP no CV dele para que fosse aceito no processo migratórioe tenho mais uma pergunta..seria menos burucratico se ele aplicasse o visto de residencia estando na Australia,sairia mais rapido? ou isso nao interfere no processo..pois 2 amigos do meu filho que ja estao ai ja faz alguns anos viram o CV dele e disse que o caminho é o EILTS e que ele poderia fazer uma especializaçao la quando sair todo este processo que ainda colocaremos em pratica a partir de janeiro,por favor me de uma luz,pois virei amigo do Google tbm...mas sao muitas informaçoes,Agradeço desde ja e aguardo um breve retorno.


Oi Nilce,

Se o objetivo é migrar pra cá como residente permanente ou mesmo tentar um sponsorship, um nível bom de inglês é obrigatório caso teu marido pretenda trabalhar direto na área de TI. Nesse caso, se o inglês dele já é bom, eu recomendaria o preparatório para o IELTS, poiss isso já ajuda a riscar um dos requisitos da lista.

Porém se o inglês ainda não está bom o suficiente, talvez a melhor opção para o momento mesmo um intensivo.

Sobre as profissões em demanda, realmente a lista foi cortada pra menos da metade das profissões que estavam em demanda há uns 2 anos atrás, de forma que restringiu um pouco para quem estava planejando vir.

Sobre dar um up no CV, não tem segredo, aqui é como aí no Brasil: experiência é que mais conta. Certificações também são importantes, são muito bem vistas nas áreas técnicas. Porém o item mais importante na busca de emprego por aqui é obviamente o idioma, pois se tu não consegues te comunicar numa entrevista de emprego, as chances de ser contratado já caem quase a zero.

Sobre a demora no processo, realmente não saberia dizer pois como as regras mudaram esse ano, ainda não conversei com ninguém que tenha feito o novo processo aplicando daqui. No geral, tenho a impressão que o processo está demorando a média de sempre, entre 8 e 12 meses.

Um abraço e boa sorte!

Wagner.

Residência Permanente, Sponsorship e SOL

No dia 1o de Julho desse ano, muitas mudanças foram feitas no programa de imigração qualificada (GSM, General Skilled Migration), o que inclui os processos do visto de residência permanente e sponsorships (também conhecidos como visto de trabalho).

Em 2008, o 136 ("Skilled – Independent (Migrant) Visa Subclass 136") foi substituído pelo 175. Apesar da mudança de nomenclatura de sub-classe do visto, os requisitos para aplicação não mudaram tão drasticamente. A maior mudança ficou por conta de uma vasta redução no número de profissiões da MODL (Migration Occupations in Demand List), que caiu de mais de 300 ocupações para em torno de 120.

Mesmo assim, as ocupações relacionadas a TI não sairam da lista. A maioria dos meus amigos brasileiros que também vieram com o visto de residente fizeram o 175 sem problemas.

As mudanças mais recentes porém estão refletindo impactos um pouco mais drásticos no processamento das novas aplicaçòes para residente permanente.

A partir de Julho deste ano, o Departamento de Imigração parou de aceitar novas aplicações para o 175 (bem como para o 176, 475 e outros vistos de sponsorhip), substituindo o programa por um novo processo chamado de SkillSelect.

Além de apertar um pouco mais nos requisitos, a mudança principal trazida pelo SkillSelect é que a antiga aplicação para residência (175 e 176) foi substituída por uma "carta de expressão interesse em imigrar" que deve ser enviada ao Departamento de Imigração.

Antes, bastava atender os requisitos e aplicar para residência online mesmo, no site da Imigração para que meses depois você recebesse o visto. Agora, o primeiro passo é o envio de uma "expression of interest", que ainda não é a aplicação em si, é apenas uma forma de notificar a Imigração que você, imigrante qualificado, quer se mudar para a Austrália e trazer suas skills junto.

Caso sua expression of interest seja aprovada, o segundo passo agora é receber da imigração um "convite" para enviar sua aplicação para residente, que aí sim inicia o processamento do seu pedido.

O principal motivo para essa mudança, segundo o Governo, é para permitir um controle maior sobre a avaliação de candidatos a imigração qualificada, pois sabe-se que muitas fraudes estavam acontecendo e o sistema em si de emissão de vistos de residência era muito frágil (vide antigos casos de hairdressers, por exemplo).

Para mais informações, acesse o site do SkillSelect: http://www.immi.gov.au/skills/skillselect/

Um abraço,
Wagner.

15 agosto 2012

Baú do blog: Colocando um sonho em prática

Revirando o velho arquivo do blog antigo, achei esse texto que publiquei em 2008, um pouco antes de ter recebido a Grand Letter. Talvez os leitores do blog antigo lembrem desse texto.

Re-lendo esse post hoje, e olhando para trás e para tudo que aconteceu nesses últimos quatro anos, a primeira coisa que me veio a mente foi...

VALEU A PENA!

Espero que gostem :)

Um abraço,
Wagner.

Colocando um sonho em prática
by Wagner Nunes, 25 de Junho de 2008 4:51 AM

Eu sabia que queria algo novo, diferente. Já havia me formado e trabalhava no Centro de Desenvolvimento de Software da Dell Computers em Porto Alegre. Tinha – e ainda tenho – o Mestrado como um dos meus principais objetivos pessoais, mas essa era uma meta que já estava bem clara no meu futuro. Eu vou encarar um Mestrado com certeza, mais cedo ou mais tarde.

Trabalhando em uma empresa como a Dell, muitos dos projetos são de nível global e temos que interagir com pessoas de vários países, como indianos, americanos, chineses e obviamente, acabamos aprendendo um pouco sobre a cultura desses colegas distantes. Foi então que surgiu uma oportunidade real de ter uma experiência de trabalho no exterior, e confesso que gostei muito da idéia, fique super animado. E foi aí que comecei a pensar mais seriamente sobre viver e trabalhar no exterior.

Eu tinha 23 anos e não tinha 100% de certeza sobre os próximos passos que deveria tomar na minha carreira. Sabia que caminhos eu poderia percorrer e tinha alguma idéia do esforço e tempo que cada um tomaria. Porém a idéia de seguir carreira no exterior sempre esteve presente, como aquela pulguinha atrás da orelha. Quando pensava nisso, naquela época, a opção mais óbvia me parecia ser os Estados Unidos, simplesmente pelo fato de já estar em uma empresa com sede lá. Inglaterra e Canadá eram opções que poderiam ser consideradas também.

Sempre gostei de conversar muito sobre o assunto e descobri que eu não era o único que buscava uma chance de mover permanentemente para os Estados Unidos. Na prática, porém, eu via pouca gente realmente trabalhando duro pra conseguir isso.

Em setembro de 2006, tive a oportunidade de ir a trabalho para os Estados Unidos pela Dell e, entre trabalho no Texas e turismo em NY, a experiência toda só me fez confirmar que era aquilo mesmo que eu queria para o meu futuro. Mas não um projeto temporário, com data de volta marcada, e com visto que me limita a entrar no país a “negócios/turismo”. Eu queria viver outra cultura, respirar outros ares. Mas não tinha certeza se seria nos EUA.

A experiência foi maravilhosa em todos os aspectos, sem dúvida, mas ainda não era o que eu buscava. Eu queria poder fazer grandes planos para ir de mala e cuia, de muda pro exterior e iniciar outra vida com a qualidade que o Brasil nunca me dará.

O problema, no meu caso, era que empresas que contratam serviços de TI offshore não expatriariam um funcionário que custa, aqui no Brasil, menos da metade de um funcionário nos Estados Unidos. Não faz sentido. E eles estão certos. Se a empresa fosse minha, eu também não permitiria, é um custo desnecessário.

Pensa bem: você levaria um funcionário da sua filial no Brasil, que recebe R$ X, para trabalhar na sua matriz nos USA, ganhando 2 ou 3 vezes mais e em dolar? Claro que não.

Enfim, me restava então ir ao mercado buscar novas opções que pudessem me ajudar a dar um passo mais concreto rumo ao meu sonho. Mas como todos sabemos, o mercado de TI aqui no Sul (especialmente em Porto Alegre) não é grande e não conta com um largo número de empresas onde você possa ter uma oportunidade dessas.

Ainda assim, apareceu uma luz no fim do túnel. Sabendo que na gigante americana eu não teria a chance que procurava, consegui ver a “luz” através de outra empresa, gaúcha da gema, também de Porto Alegre, onde resolvi apostar as minhas fichas.

Foi então que, no início de 2007, acabei aceitando a oferta desta outra empresa que, apesar de não ser uma gigante mundial, me parecia ser um lugar sério para se trabalhar e já tinha alguns bons anos de vida aqui no Sul, sem contar as ótimas recomendações que ouvi de amigos que trabalharam lá. E, além disso tudo, o mais importante era que desta vez poderia haver uma chance mais concreta de ir pra fora com tudo on a permanent basis.

Assumi um novo papel e cresci profissionalmente desde então. Claro que isso também teria acontecido na empresa anterior, mas talvez não na proporção nem na velocidade que eu gostaria, pois não havia uma posição para o papel que eu queria exercer.

Bem, mas voltando ao assunto principal deste post, foi ao fim do primeiro semestre de 2006 que, vendo poucas chances de concretizar meu sonho através da Dell, eu encontrei uma alternativa, um plano B.

Ouvi falar (e confesso que não lembro onde... Google, provavelmente) que a Austrália possui um programa para imigração qualificada... e foi então que o Google virou meu melhor amigo por algumas semanas, e revirei a internet atrás de informação. Busquei as opções de visto, li sobre a economia da Austrália, achei sites e fóruns sobre imigração, sobre as dificuldades, sobre o mercado de trabalho, etc. Enfim, o desafio parecia grande, mas eu resolvi topar e correr atrás.

Foram alguns quilos de papel pra providenciar -- originais de vários documentos, RG, CPF, Certificado de Reservista, Título Eleitoral, Certidão de Nascimento... manda tudo pra tradução juramentada (bem caro, por sinal), cópias autenticadas... Sem falar no drama que foi solicitar que as empresas onde trabalhei nos 6 anos anteriores concedecem as cartas de recomendação). E isso sem contar o curso de preparação para o IELTS e mais o custo da provainha (R$ 400,00 lá em Porto Alegre).

Coisa pouca.

Depois da papelada toda reunida e de já ter o resultado do IELTS na mão -- fiquei com 8.0 numa escala de 1.0 a 9.0 -- mandei tudo pra ACS, que é o órgão Australiano que avalia as habilidades e competências (o famoso skills assessment) e atesta – ou não – que você tem experiência e conhecimento suficiente para ser considerado um Skilled Migrant, ou “imigrante qualificado”. Essa ACS seria de certa forma equivalente à nossa SBC (Sociedade Brasileira de Computação).

O tempo entre o envio da papelada e o recebimento da carta da ACS confirmando meus skills foi mais ou menos 3 meses (veja aqui a minha timeline no Austimeline). Aliás, eu usei a DHL para o envio. Recomendo pela agilidade, mas não pelo preço (+/- R$ 140,00).

Foi então que, após juntar novamente a papelada e anexar a carta da ACS, eu enviei minha application para a Imigração Australiana -- dessa vez mandei por Sedex Mundi, que saiu bem mais em conta, em torno de R$ 80,00.

Eis que finalmente, em 29 de maio de 2007, eu recebia o email de acknowledgement informando que meu processo havia sido aberto. E aí se iniciou uma looooooooonga espera.

Alguns meses passaram, e eu perdi a angústia pela espera. Muito trabalho, Mestrado iniciado, projetos nas terras dos hermanos, Mestrado interrompido, e planos e mais planos...

Até que um dia a maldita ansiedade reaparece: recebo outro email do Depto de Imigração dizendo que meu processo saiu da fila de espera e agora está sendo analisado por uma criatura muito xingada nos foruns, o famoso Case Officer (CO).

Volto, então, a fazer contato com aquele meu ex-melhor amigo, o Google... dessa vez, queria que ele me desse alguma pista de quanto tempo, mais ou meno, se espera entre a alocação do CO e o recebimento do tão esperado santo graal da imigração, a grant letter (GL), que permite a entrada na Austrália já como residente permanente legal.

Achei então o Austimeline e, depois de trocar vários emails com alguns usuários, ler fóruns e mais fóruns, pesquisar -- entre aquele mar de bobagens que tem no Orkut -- encontrar blogs de brazucas que realizaram seu sonho, eu acabei chegando a uma (não tão) brilhante conclusão:

Case Officers são treinados e talvez recrutados na Bahia. Não importa se eles têm nomes vietnamitas, coeranos, filipinos ou mesmo australianos. Nada contra os baianos, pelo contrário. Gente hospitaleira que vive numa terra linda.. Por isso mesmo que eu acho que os COs australianos fazem estágio lá. Devem ter se acostumado com o oh-xénte-mainha-way-of-life, com sol e água de côco.

Falando sério agora: em resumo, não encontrei padrão nenhum no tempo de emissão da GL para usuários com perfis semelhantes -- faixa etária de 25-30; trabalha com TI; cidadão brasileiro; solteiro; aplicante do sub-class 136.

Resolvi então ampliar os critérios da minha busca e, adivinha... outra estupenda conclusão: os Case Officers devem usar um método randômico de simpatização com os candidatos... eles não parecem seguir nenhuma ordem específica na alocação e análise dos casos. Nos meus contatos com outros usuários do Austimeline, conheci um cara da Jordânia que está há mais de 3 anos esperando a resposta do 136 dele... e nada ainda.

Em fevereiro desse ano, um camarada também de Porto Alegre mandou um email pra uma lista da qual participo -- pessoal que fez o IELTS junto lá em Poa -- comunicando que ele e a esposa receberam a GL, porém demorou 3 meses e meio entre a alocação e a chegada da GL.

Depois de um tempo tentando entender qual a lógica e tempo médio de processamento dos vistos, cheguei a minha última e mais eficaz conclusão: não faz sentido, larguei de mão.

Larguei de mão essa angústia de ficar olhando o Gmail a cada 5 minutos pra ver se o china lá resolveu trabalhar -- meu CO tem um nome muito estranho, daqueles com 25 consoantes e 3 vogais.

Resolvi então estabelecer uma data e, até que essa data chegue, não vou tomar nenhuma providência para me mudar pra Austrália. Me sinto melhor trabalhando com datas. Diminui a ansiedade. Dessa forma, posso ir tocando minhas atividades atuais sem pensar tanto no feliz dia em que vou receber o email final do china com a Grant Letter.

Coincidentemente (ou não), combinei com o diretor da minha empresa a mesma data como prazo para ver se aparece alguma outra oportunidade na filial de NY. Se aparecer, e for tão boa e tentadora quanto ir pra Austrália, eu certamente pensarei com carinho.

Agora é sentar e esperar... contagem regressiva para 01/09. Mais notícias em breve.

Abraço a todos,
Wagner.

31 julho 2012

Perguntas & Respostas: Profissão em demanda x profissão exercida

Muito legal ver que a seção Perguntas & Respostas aqui do blog está tendo ótima repecrussão, inclusive em outros blogs sobre Austrália, que também estão começando a adotar o mesmo formato de responder dúvidas dos leitores em formato de post. É o blog Projeto Austrália fazendo escola :)

A mensagem de hoje chegou via LinkedIn e foi enviada pelo Marcos, que também é Gerente de Projetos de TI.

Bom dia Wagner, tudo bem?

Desculpe-me te adicionar diretamente aqui pelo Linkedin, porém vi seu blog e achei sua trajetória muito bacana. Parabéns por levar o profissionalismo brazuca para o outro lado do mundo.
Na verdade gostaria de te perguntar somente algumas coisas (tentarei ser o mais breve possível para não lhe incomodar). Estou pensando em migrar para a Austrália e estou em dúvida que tipo de skill aplicar.

Minha formação é Analise de Sistemas, porém já estou trabalhando há um bom tempo na área de gerenciamento. Vc aplicou como System Analyst no seu processo? Existem algum problema de vc aplicar nesta categoria e depois conseguir um trabalho como Project Manager?

Vc achou muito complicado conseguir um trabalho de PM por ai? Te pergunto isto pois o nosso trabalho é praticamente 90% comunicação e como não temos inglês nativo, talvez seja uma barreira.

Desde já te agradeço pela atenção.

Abraço,
Marcos

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Olá Marcos, tudo bem e você?

Imagina cara, sem problema algum, fica a vontade para escrever quando quiser. Na verdade acho muito legal os emails que recebo através do blog e fico feliz em poder dar dicar ou ajudar de uma forma ou outra.

Bom, sobre o meu processo, eu fiz o Skilled Migration - Independent (hoje o visto é o 175) e na época apliquei como Java/J2EE Specialist. O ideal é você tentar fazer um mix & match dos teus skills com alguma das ocupações que está em demanda.

Não existe problema nenhum em aplicar com base em um skillset que você tenha mas que talvez já não use mais com frequência hoje em dia. Porém, há um requisito que diz que você precisa ter trabalhado nos últimos anos naquela função, ou em uma função parecida.

Sobre a vaga de PM aqui, confesso que era algo que eu planejava bem mais para frente na minha carreira, pois sempre gostei da área técnica e não gostaria de abandoná-la completamente. Ao chegar aqui, após 3 semanas de várias entrevistas e algumas ofertas de trabalho, acabei iniciando como contractor em uma vaga de Business Systems Analyst.

No fim do meu primeiro contrato de 6 meses, eu poderia ter renovado na mesma empresa, porém resolvi aplicar para uma vaga interna de PM, e acabei sendo selecionado. Estou nesta role de IT Project Manager nos últimos 3 anos e acho que tive um pouco de sorte e ótimo timing ao aplicar naquela época.

Você levantou um ponto muito interessante e que muitas pessoas simplesmente não tem muita noção ao planejar sua carreira no exterior: a comunicação. Mesmo em posições mais técnicas, onde a comunicação é importante mas não é faz parte das responsabilidades diárias, o inglês exigido tem que ser fluente no mínimo.

Já para posições de PM e BA, é ainda mais essencial não só falar um inglês fluente, mas também aprender a suavizar o nosso sotaque o máximo possível, pois como você mesmo mencionou, a comunicação representa a maior parte do nosso trabalho.

Espero ter respondido tuas perguntas e fique a vontade para escrever sempre que quiser.

Um abraço!

Wagner.

17 julho 2012

Perguntas & Respostas: Emprego em TI como Estudante

A mensagem abaixo foi enviada pelo Thiago Pereira através de comentário:
On 01/02/12 9:34 PM, Thiago Pereira wrote:Fala Wagner, blz cara?
Dei uma olhada no seu blog e posso dizer que tá de parabens. muito bom mesmo!!!
Estou indo pra Sydney meio do ano provavel, e dei uma olhada la em busca de algumas dicas para visto permanente, já que para trabalhar la sem isso vai ser bem dificil...
Sou dev java, acho que a demanda ta boa, pelo que andei pesquisando...
Agora vamos ver se isso vai dar certo...
Vou me casar agora antes do meio do ano e me "mover" com minha mulher e tentar a vida por ai... =)
Qualquer dica, ajuda, será bem-vinda!!!
Abraços

Fala Thiago, tudo bem?

O mercado de Java é bem forte aqui e tem bastante estrangeiro trabalhando nessa área, seja como residente ou com sponsorship. Boa parte dos meus amigos brasileiros que trabalham em TI por aqui também trabalham com Java. Eu mesmo consegui minha residência através da minha experiência com Java quando apliquei para o PR em 2008 (Skilled Migration) e fui pulando aos poucos até chegar onde estou. Neste post falei um pouco sobre Java na Austrália e outras áreas de TI que também estão em demanda.

Sobre teus planos de tentar a vida por aqui, não sei qual visto tu tens em mente, mas não recomendaria tu vires com esposa pra cá apenas com visto de de estudante e sem um plano mais consistente.

Tu que já és um profissional experiente e em breve casado, encarar a vida de estudante aqui pode ser bem complicado, pois além de ter que ralar no início trabalhando apenas as 20 horas por semana permitidas sob o visto de estudante, pode ser também que tu tenhas que lidar com uma certa frustração por não poder trabalhar na área de TI full time. Claro que tem muitos estudantes que trabalham muito mais que 20 horas semanais, mas vale lembrar que perante a imigração, isso é ILEGAL.

Outro fator imporante a ser considerado é a vida que a tua esposa vai levar aqui. Há que se considerar que, enquanto tu tens uma boa chance de achar algo em TI por aqui, como será a vida da tua esposa profissionalmente? Ela tem as mesmas chances que tu de encontrar um emprego na área de atuação dela? Lembre-se que gerenciar as tuas expectativas e frustrações diante de um mercado que está aquecido há um bom tempo (TI) é diferente chegar aqui sem grandes perspectivas de avanço profissional. E somado a isso, ainda tem o fato de sentir-se excessivamente dependente do marido pra tudo, o que pode adicionar um stress adicional ao casal.

É bem comum por aqui ver a combinação de perrengue inicial + frustração levar pessoas, sejam solteiros ou casais, a desistir de tudo e voltar pro Brasil. E quando isso acontece, normalmente a imagem levada da Austrália não é das melhores.

Dependendo de vários fatores pessoais, como urgência em ir pra Austrália, condições financeiras, nível de inglês, área de atuação em demanda, etc, tu podes escolher entre três caminhos:
  • (1) Vir como estudante mesmo, porém sabendo dos desafios que te esperam e das limitações impostas pelo visto, bem como as consequências disso; 
  • (2) Verificar se tu atendes os requisitos do programa se skilled migration e enviar uma EOI (expression of interest) e tentar aplicar para o visto de residência*;
  • Ou (3) Tentar contato com empresas de TI solicitando um sponsorship.

Na opção (2), dedique tempo para ler como o visto 175 funciona no site do Departamento de Imigração. Com a informação que está lá, tu já podes ter uma boa idéia se este é um caminho possível.

Na opção (3), não esqueça de destacar no seu currículo que tu precisas de sponsorship e que não tem visto com permissão de trabalho full time. Outra dica: defina sua data de chagada na Austrália antes de entrar em contato com as empresas. Nenhum empregador terá interesse em olhar teu CV se nem sabe quando tu chegarás no país.

* Em breve vou escrever sobre as mudanças recentes feitas no processo de migração qualificada (Skilled Migration). O processo de aplicação para os vistos 175 e 176 foram substituídos pelo SkillSelect. Mais informações em breve.

Um abraço e boa sorte,
Wagner.


05 julho 2012

Perguntas & Respostas: Mercado de TI na Austrália

Mensagem recebida via Facebook.
Olá Wagner, tudo bem?
Meu nome é [nome omitido], moro em Florianópolis/SC, e estou te escrevendo devido a um post seu que encontrei no site brasileiros na australia, e a partir de lá também achei seu blog.
Encontrei seu post pois, atualmente, estou com planos de passar um período longo no exterior, meus destinos estão entre Canadá e Austrália. O objetivo é trabalhar nestes países na área de TI. Também trabalho com desenvolvimento de software, há 4 anos, especialmente em Java para web.
Fiquei muito contente em encontrar o teus posts e, principalmente, o seu contato! Gostaria de saber se você pode me auxiliar nesta etapa de levantamento de informações, sondagem, procura por jobs, etc. Assim como gostaria de saber se você tem alguma orientação ou dica para me dar.
Como anda o mercado por aí? Estão a procura de desenvolvedores Java? Você acredita que consigo alcançar este meu objetivo? 
Fico no aguardo, um grande abraço!

Olá! Tudo bem e você?

Bom vamos lá... Sobre Canadá ou Austrália, te confesso que em 2007 quando comecei a pesquisar sobre o skilled migration, achei o processo de obtenção de residência do Canadá mais fácil, porém como eu adoro praia (gosto do frio também, mas Canadá em comparação com Porto Alegre é um "pouco" demais) e o clima na Austrália é parecido com o do Brasil, eu optei por tentar vir pra cá mesmo.

A primeira dica que eu daria é ver se tu podes aplicar pro skilled migration e tentar a residência permanente, pois esse visto te dá permissão de trabalhar e viver na Austrália por tempo indeterminado.

Muita gente prefere não esperar, ou não atende os requisitos para pedir a residência e prefere vir com visto de estudante, o que eu não recomendo, pois tu só podes trabalhar 20 horas por semana e dificilmente encontrará trabalho em TI pelo fato de não poder trabalhar full time.

Sobre o mercado, apesar de TI sempre estar em alta, minha percepção hoje é de que o mercado já não está tão aquecido, mas ainda vejo um bom número de vagas abertas, principalmente pra quem trabalha com desenvolvimento de software.

Se tiveres alguma pergunta mais específica, fica à vontade para escrever aí que eu tento ajudar como puder.

Um abraço!

UPDATES: Aparentemente o mercado em IT (pelo menos em Sydney) ainda está indo relativamente bem. Alguns amigos que recentemente perderam o emprego por motivos diversos (fim de contrato, empresa fechando ou fazendo outsourcing, etc) conseguiram se recolocar no mercado relativamente rápido.

Minha impressão ainda é de que profissionais da área de desenvolvimento (principalmente aplicações entreprise, mas web também segue em alta) e teste ainda estão tendo uma boa demanda.